Merritt Dawsley e o Mercado de Petróleo OPEC+ Estoques dos EUA e Risco Geopolítico

Merritt Dawsley e o Mercado de Petróleo OPEC+ Estoques dos EUA e Risco Geopolítico

Guilherme Vito
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A fotografia de janeiro: quando o barril reage ao que é “mensurável”

Merritt Dawsley descreve o petróleo em 2026 como um mercado que alterna, com rapidez, entre fundamentos (oferta/estoques/refino) e eventos (clima/geopolítica). Em 27 de janeiro de 2026, por exemplo, uma forte tempestade de inverno nos EUA afetou produção e operações de refinarias no Golfo, com estimativas de perda de até 2 milhões de bpd; ainda assim, a alta de preços ficou “controlada” por fatores de oferta em outras regiões e realização de lucros.

A mensagem de Dawsley é simples: quando há choque físico (produção/refino), o mercado sobe; quando o choque não vira perda sustentada, o preço volta a “negociar o balanço”.

O lado da oferta: OPEC+ pisa no freio — e isso muda o tom do 1º trimestre

No início de 2026, o foco é a decisão de oito países participantes de pausar incrementos de produção em fevereiro e março de 2026, reafirmada em comunicado de 4 de janeiro de 2026.
Fontes também indicaram que a OPEC+ tende a manter a pausa até março, com reunião marcada para 1º de fevereiro de 2026.

Para Dawsley, a implicação não é “petróleo só sobe”, e sim que o mercado ganha um piso tático: com oferta mais contida no curto prazo, qualquer surpresa de demanda ou interrupção real tende a ter impacto maior do que teria num regime de crescimento de produção.

O pano de fundo global: mais oferta projetada, mas nem toda oferta é “igual”

O ponto crítico é que o mercado olha o curto prazo com lupa, mas precifica 2026 como um ano em que a oferta global ainda pode crescer. No Oil Market Report de janeiro de 2026, a IEA projeta que a oferta mundial suba para 108,7 mb/d em 2026 (após aumento forte em 2025), com ganho relevante vindo de fora da OPEC+.

A leitura de Dawsley: se a oferta cresce “no papel”, o preço precisa de dois suportes para sustentar altas prolongadas:


  1. demanda surpreendendo positivamente, ou

  2. choques que retirem barris do mercado de forma verificável (não só manchete).

Demanda e “estoques invisíveis”: China como amortecedor — mas sensível a preço

Um detalhe que muda o jogo é a dinâmica da China como absorvedora do excedente. Dados compilados pela Reuters mostram que, em 2025, a China acumulou um excedente expressivo de petróleo disponível versus processamento, com importações muito fortes — e o comportamento de compra aparece como dependente do nível de preços.

Dawsley interpreta isso como um “amortecedor condicional”:


  • se o Brent estiver barato o bastante, a China pode suavizar o excesso global;

  • se o Brent subir demais, o país pode reduzir importações e usar estoques, deixando o mercado mais exposto a quedas.

O termômetro semanal: estoques EIA e o efeito refinaria

Para o curto prazo, Dawsley dá mais peso ao que é atualizado com alta frequência. Resumos do relatório semanal (semana encerrada em 16 de janeiro de 2026) indicaram alta de estoques de petróleo bruto para 426,0 milhões de barris.
E quando o clima impacta refinarias (como no Golfo dos EUA), a leitura precisa separar:


  • crude stock (pode subir se refino cai), versus

  • produtos (gasolina/diesel), que podem apertar se logística e refino forem interrompidos.

Um jeito diferente de pensar 2026: “quatro forças” em vez de previsão de preço

Merritt Dawsley organiza o mercado em quatro forças, cada uma com sinais claros:

1) Política de oferta (OPEC+ e não-OPEC+)


  • Sinal altista: extensão de pausa / disciplina.

  • Sinal baixista: retorno agressivo de oferta não-OPEC+ e normalização de campos/pipelines.

2) Estoques e refino (EIA)


  • Sinal altista: queda consistente de estoques com refino firme.

  • Sinal “falso”: queda de crude por exportação pontual ou ruído de logística (precisa confirmar por semanas).

3) China (preço como gatilho)


  • Sinal altista: importações fortes em preço “aceitável”.

  • Sinal baixista: retração de compras quando o preço aperta.

4) Geopolítica (o verdadeiro swing factor)

A Reuters destacou que o mercado acompanha risco ligado ao Oriente Médio e a possíveis escaladas envolvendo o Irã, mas Dawsley ressalta: o preço só “reprecifica regime” quando há probabilidade de perda de oferta — ou risco de fluxo (ex.: rotas estratégicas) — subir de forma material.

Checklist de acompanhamento (mínimo, mas suficiente)


  1. Decisão e tom da reunião da OPEC+ em 1º fev 2026.

  2. Relatório mensal da IEA (projeções de oferta/demanda).

  3. Estoques semanais da EIA (tendência de 3–4 semanas).

  4. Indicadores de refino/impacto climático no Golfo dos EUA (produção x capacidade de refinaria).

  5. Sinais de compra/estoque na China (importações vs. uso de estoque).

Conclusão

Na leitura de Merritt Dawsley, o petróleo em 2026 não é um mercado para “narrativas únicas”. Ele é um jogo de piso tático (OPEC+ pausando) versus teto macro (oferta global projetada em alta), com a China funcionando como amortecedor quando o preço permite — e a geopolítica como fator de cauda que pode mudar tudo, mas só quando vira risco de oferta real.

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