Conciliar maternidade e carreira ainda é um dos maiores desafios enfrentados por mulheres no Brasil. De acordo com dados do IBGE, mulheres com filhos pequenos têm menor participação no mercado de trabalho e enfrentam mais obstáculos para concluir a formação acadêmica, uma realidade que vai além das estatísticas e ganha rosto em histórias como a dessa arquiteta.
Vinda de uma origem simples, ela iniciou sua trajetória trabalhando nas ruas, distribuindo panfletos e buscando oportunidades desde cedo. Aos 21 anos, com a chegada da maternidade, decidiu mudar sua história e ingressar no curso de Arquitetura, mesmo sem se sentir pertencente àquele ambiente. Como muitas brasileiras, precisou enfrentar não apenas as exigências da graduação, mas também o peso da responsabilidade de criar um filho.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a sobrecarga com cuidados domésticos e familiares ainda recai majoritariamente sobre as mulheres, o que impacta diretamente sua trajetória profissional. Ainda assim, ela persistiu. Superou inseguranças, avançou nos estudos e passou a se destacar na faculdade, tudo isso conciliando a rotina intensa da maternidade.
No oitavo período, enfrentou uma gestação de risco e, mesmo diante das dificuldades, decidiu continuar. No último período, protagonizou uma cena que simboliza a realidade de muitas mães brasileiras: apresentou seu TCC com a filha nos braços, transformando um momento acadêmico em um marco de resistência e superação.
Hoje, atuando como arquiteta, sua história representa mais do que uma conquista individual. Ela reflete a jornada de milhares de mulheres que constroem suas carreiras em meio a desafios estruturais, provando que, apesar das dificuldades, é possível transformar esforço, fé e determinação em propósito e realização.
Esse cenário reforça a urgência de discutir políticas de apoio, acesso à educação e divisão mais equilibrada das responsabilidades familiares.