Humor ácido e delírio filosófico marcam “A Sarça Ardente”, nova criação da Cia. dos Trópicos

Humor ácido e delírio filosófico marcam “A Sarça Ardente”, nova criação da Cia. dos Trópicos

Redação Gazeta24h
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Charles PereiraCharles Pereira

Uma mulher recém-abandonada pelo marido começa a conversar com uma planta que cresce em seu apartamento. Logo, a planta ganha ideias próprias e acredita ser Deus. Nesse diálogo improvável repleto de ironia e humor ácido entre humano e natureza, realidade e delírio se confundem. Essa é a trama da mais nova criação da Cia. dos Trópicos: “A Sarça Ardente”. Sob a direção e dramaturgia de João Santucci, o espetáculo inédito fica em cartaz até 1º de abril no Teatro Ziembinski, na Tijuca, Zona Norte do Rio, com ingressos a partir de R$ 20 (meia-entrada).

No palco, uma árvore verdadeira divide o espaço com o elenco, e torna-se personagem viva e simbólica da obra. A peça aborda temas profundos como ausência, vazio existencial, fé, vida, morte, feminino, memória, trauma e solidão, mas com boas pitadas de humor, melodrama, ironia e emoção. Inspirada na tradição das novelas brasileiras, com referências à psicanálise freudiana, à cultura latino-americana e ao melodrama almodovariano, “A Sarça Ardente” propõe uma reflexão sobre o sentido da existência e sobre a relação entre homem, natureza e arte.

O elenco é formado pelas atrizes Patrícia Bello e Raquel Monteiro, que se alternam, ao longo da encenação, para vivenciar as personagens Planta, Mulher e Muda de Outra Planta. Com temporada até 1º de abril, as apresentações de “A Sarça Ardente” acontecem às terças e quartas-feiras, às 20h, no Teatro Ziembinski, na Avenida Heitor Beltrão, s/nº (em frente à estação de metrô São Francisco Xavier), na Tijuca (RJ). Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), disponíveis neste link aqui. A classificação indicativa é de 16 anos. A Cia. dos Trópicos também oferece Lista Amiga, com ingressos a R$ 20, mediante contato direto no Instagram da companhia.

A peça parte de um ponto simples, fácil de comunicar e impossível de ignorar: uma mulher magoada começa a conversar com uma planta, e essa planta passa a acreditar que é Deus. O grande trunfo da peça está justamente nessa combinação entre absurdo e humanidade. O que começa como uma situação estranha e até cômica, rapidamente se transforma em uma metáfora potente sobre solidão, abandono, culpa cristã, fé, delírio, trauma e a necessidade humana de projetar sentido quando tudo desmorona”, ressalta o diretor e dramaturgo João Santucci.

Segundo o diretor, a protagonista feminina também é um ponto de destaque. “Não se trata de uma figura idealizada ou heroica, mas de uma mulher em estado de ruptura, atravessada por contradições, carências, culpa, desejo e ironia. A planta que se crê divina não é apenas um elemento fantástico, mas um espelho da própria protagonista e, em alguma medida, de uma sociedade que busca respostas absolutas em meio ao vazio existencial”, explica Santucci.

É uma peça que provoca riso e desconforto, reflexão e identificação, unindo filosofia, melodrama e imaginação em uma narrativa que dialoga tanto com o público amplo quanto com a crítica especializada. É um teatro que se explica rápido, mas permanece ecoando por muito tempo depois que a luz se apaga”, reforça a Cia. dos Trópicos. Em síntese, o diferencial de “A Sarça Ardente” está em sua capacidade de transformar uma ideia simples e insólita em uma experiência teatral profunda, sensível e visualmente marcante.

Sobre a criação do espetáculo

“A Sarça Ardente” nasce do desejo de criar uma experiência cênica singular, situada entre o melodrama, o humor e a provocação filosófica. A ideia inicial partiu de uma performance: uma planta, que acredita ser Deus, dublada por uma atriz. Ao longo de quase um ano de desenvolvimento, a companhia investigou de diversas maneiras como representar a psique e a corporalidade dessa mulher-planta e desta planta-mulher, explorando suas fronteiras simbólicas, afetivas e existenciais.

Do ponto de vista estético e narrativo, o trabalho dialoga com o cinema de Pedro Almodóvar, especialmente na construção de personagens femininas em estado de excesso emocional, na mistura entre humor e dor, no uso do melodrama como ferramenta política e afetiva, e na valorização do artifício como linguagem. Ao mesmo tempo, a peça se inspira na tradição das novelas brasileiras, sobretudo na capacidade de tratar temas complexos e existenciais por meio de narrativas populares, diretas e emocionalmente reconhecíveis, em que o drama convive com o riso e o cotidiano é atravessado pelo extraordinário.

Ficha técnica

Direção e dramaturgia: João Santucci | Design e assistência de direção: Julia Feital | Elenco: Patrícia Bello e Raquel Monteiro | Produção: Malu Costa | Cenário: Renê Salazar | Iluminação: Rodrigo Belay | Figurino: Maïa Flores | Direção de movimento: Allenkr Soares | Operação de luz: Bernardo Bastos | Operação de som: Thiago Miyamoto | Cenotécnicos: Francisco Gomes e Fabrício Gomes | Assistência de produção: Bruna Secchim | Piano: Thalyson Rodrigues

Serviço

Espetáculo “A Sarça Ardente”

Temporada: até 1º de abril de 2026 (terças e quartas-feiras)

Horário: 20h

Classificação indicativa: 16 anos
Gênero: melodramático
Duração: 80 minutos

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada ou Lista Amiga*)

Compre online na Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/116857/d/367818/s/2471551

* Lista Amiga mediante contato no Instagram @ciadostropicos

Local: Teatro Municipal Ziembinski

Endereço: Avenida Heitor Beltrão, s/nº (em frente à estação de metrô São Francisco Xavier) – Tijuca – Rio de Janeiro (RJ)

Capacidade: 141 lugares

Bilheteria (funcionamento): terça a domingo, das 14h às 20h

Acompanhe o elenco

Cia. dos Trópicos: https://www.instagram.com/ciadostropicos/
João Santucci (diretor): https://www.instagram.com/santuccjoao

Patrícia Bello (atriz): https://www.instagram.com/patriciabello

Raquel Monteiro (atriz): https://www.instagram.com/rakeucomq/

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