Especialista explica por que
expressões comuns no dia a dia corporativo soam como insegurança, e o que dizer
no lugar delas
Uma pesquisa do LinkedIn sobre habilidades
em alta no Brasil colocou a comunicação entre as 15 competências que mais
crescem no mercado de trabalho nacional. O mesmo levantamento projeta que, com
o avanço da inteligência artificial, cerca de 70% das competências exigidas nas
funções atuais vão mudar até 2030. Comunicar-se com clareza e segurança,
portanto, tende a pesar cada vez mais na avaliação dos profissionais.
O problema é que muita gente repete,
todos os dias, frases que soam educadas ou cuidadosas, mas que, na prática,
comunicam o oposto. Em vez de transmitir gentileza, elas podem sugerir
insegurança ou falta de confiança na própria competência.
“Aprendemos desde cedo a suavizar o
que dizemos para não soar arrogantes ou inconvenientes. Sem perceber, isso pode
fazer o interlocutor entender que a pessoa não confia no que está falando”,
explica Cristiano Moreira, especialista em Programação Neurolinguística (PNL) e
desenvolvimento comportamental da Dynamis Soluções Comportamentais.
Segundo ele, pequenos ajustes de
linguagem mudam a forma como alguém é percebido no ambiente profissional, sem
exigir um tom mais duro ou grosseiro. A seguir, seis frases comuns no dia a dia
corporativo e o que dizer no lugar delas.
1.
“Desculpa incomodar…”
Prefira: “Você tem alguns minutos
para conversarmos?”
Pedir desculpas antes mesmo de falar
coloca a outra pessoa numa posição de estar fazendo um favor, quando o que
existe ali é apenas uma conversa de trabalho legítima.
2.
“Não sei se isso faz sentido, mas…”
Prefira: “Quero compartilhar uma
ideia para a gente avaliar.”
A frase original desvaloriza a ideia
antes mesmo dela ser apresentada e pode fazer com que os colegas a levem menos
a sério.
3.
“Só uma dúvida rápida…”
Prefira: “Tenho uma pergunta sobre
esse ponto.”
Diminuir a própria pergunta sugere
que o assunto não merece atenção, ainda que seja relevante para o trabalho.
4.
“Talvez a gente pudesse pensar em…”
Prefira: “Sugiro que a gente avalie a
possibilidade de…”
O excesso de hesitação enfraquece uma
sugestão que poderia ser apresentada com mais firmeza, sem perder a educação.
5.
“Eu acho que talvez isso esteja certo.”
Prefira: “Com base nos dados que
analisei, esse é o caminho.”
Frases carregadas de dúvida tiram a
credibilidade de uma análise bem feita, mesmo com um raciocínio sólido por
trás.
6.
“Desculpa, mas eu discordo.”
Prefira: “Entendo o ponto, mas tenho
uma visão diferente sobre isso.”
É possível discordar sem pedir
desculpas por isso. Divergências fazem parte de qualquer ambiente de trabalho
saudável.
De acordo com Cristiano, essas trocas
parecem simples, mas exigem repetição e atenção, já que muitas dessas frases
são automáticas. “Mais do que decorar frases prontas, o importante é entender a
intenção por trás da fala e treinar o cérebro para se expressar de um jeito
mais direto, sem perder a gentileza”, pontua.
O especialista reforça que o impacto
dessas escolhas de linguagem vai além da carreira e chega ao campo emocional.
Para quem está sempre se diminuindo ao falar, o desgaste pode se transformar em
ansiedade, insegurança e sensação de esgotamento nas relações de trabalho.
O tema ganha ainda mais relevância
num momento em que o wellness corporativo, conjunto de ações voltadas à
promoção da saúde física, mental e emocional dos colaboradores, deixa de ser
associado apenas a benefícios e atividades pontuais e passa a considerar também
a experiência cotidiana dos profissionais. Nesse contexto, a forma como as
pessoas se comunicam, estabelecem limites, discordam e pedem ajuda também
influencia o bem-estar e a qualidade das relações no ambiente de trabalho.
“Comunicação também é uma forma de
cuidar de si. Quando a pessoa aprende a se expressar com mais firmeza e menos
culpa, reduz o desgaste emocional do dia a dia”, finaliza.