Economista da Crefaz alerta para aumento de gastos e dá dicas para evitar excessos durante as folgas
O calendário de 2026 acende um sinal de alerta para o bolso dos brasileiros. Ao longo deste ano, o Brasil terá nove feriados nacionais em dias úteis, e isso sem considerar o Carnaval e o Corpus Christi, que são pontos facultativos e tradicionalmente ampliam os períodos de descanso, além de feriados estaduais e municipais. A combinação entre mais dias de folga e consumo por impulso tende a pressionar o orçamento das famílias, especialmente em um cenário de renda apertada e endividamento. De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,2% das famílias brasileiras possuem alguma dívida, o maior patamar de toda a série histórica da pesquisa.
“Os feriados ativam um consumo mais emocional. A ideia de recompensa faz com que as pessoas gastem mais do que o previsto, muitas vezes sem avaliar o efeito disso no orçamento do mês seguinte”, alerta Amerson Magalhães, economista e executivo da Crefaz, instituição financeira focada no público sem acesso ao crédito tradicional. Ele destaca alguns gastos comuns dos dias de folga: viagens, bares e restaurantes, lazer, aplicativos de transporte e delivery. “Muitas dessas despesas fogem do planejamento mensal e acabam sendo pagas no crédito, frequentemente parceladas, o que prolonga o impacto financeiro ao longo dos meses seguintes”, analisa.
O impacto é mais significativo entre famílias de renda média e baixa, que já destinam parte expressiva da renda ao pagamento de dívidas. Pequenos gastos recorrentes durante as folgas, como refeições fora de casa ou deslocamentos por aplicativos, podem parecer irrelevantes no momento, mas somados comprometem o equilíbrio financeiro.
Para evitar que o descanso se transforme em dor de cabeça financeira, o economista da Crefaz recomenda planejamento. “Definir um limite de gastos antes do feriado, evitar parcelamentos longos para despesas pontuais e buscar opções de lazer de baixo custo são atitudes simples, mas eficazes”, orienta Magalhães. Segundo ele, separar descanso de consumo é fundamental: “É possível aproveitar os feriados sem aumentar significativamente as despesas, desde que haja consciência e organização”, conclui.