Foto: Divulgação

Durante décadas, o excesso de peso foi tratado como uma questão estética, comportamental ou resultado exclusivo de escolhas individuais. Esse entendimento, porém, mudou de forma decisiva na medicina contemporânea. Hoje, a obesidade é reconhecida como uma doença crônica, progressiva e multifatorial, associada a alterações hormonais, inflamação sistêmica e aumento expressivo do risco cardiovascular.

Essa mudança de paradigma também redefiniu o momento correto de iniciar o tratamento: ele não começa apenas quando a obesidade está instalada, mas já no estágio de sobrepeso, quando o Índice de Massa Corporal (IMC) ultrapassa 25. É neste momento que o organismo já apresenta alterações metabólicas relevantes, como resistência à insulina, mudanças nos mecanismos de saciedade e aumento silencioso do processo inflamatório sistêmico. Isso significa que esperar o avanço para graus mais elevados de obesidade torna o tratamento mais difícil e prolongado.

De acordo com o médico endoscopista Bruno Sander, mestre e doutor com pesquisas ligadas ao emagrecimento, chegar nesse índice e adiar a busca por orientação médica até que o quadro se torne grave é um dos erros mais frequentes cometidos pelos pacientes.

“É justamente nesse ponto que a intervenção especializada se torna mais simples, mais eficiente e com maiores chances de sucesso sustentado ao longo do tempo. Tratar oito ou dez quilos em excesso é completamente diferente de tratar trinta. Quanto maior o tempo de evolução do quadro, maior tende a ser a resistência metabólica e menor a resposta às intervenções convencionais. A medicina atual, portanto, recomenda abordagem precoce e individualizada, com avaliação especializada capaz de identificar a estratégia terapêutica mais adequada para cada perfil clínico”, diz o médico.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 2,5 bilhões de adultos no mundo vivem atualmente com excesso de peso, sendo que aproximadamente 890 milhões já apresentam obesidade.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a prevalência de obesidade mais que dobrou nas últimas duas décadas, consolidando uma tendência que transforma o excesso de peso em uma das maiores preocupações sanitárias do país e um desafio crescente também do ponto de vista econômico, já que o tratamento das doenças associadas consome recursos públicos e privados de maneira progressiva.

“O impacto desse cenário vai muito além da estética ou da qualidade de vida individual: trata-se de uma condição associada ao aumento de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e diversos tipos de câncer, além de representar um dos principais fatores de pressão sobre os sistemas de saúde em escala global”, afirma Bruno Sander.

(function(w,q){w[q]=w[q]||[];w[q].push(["_mgc.load"])})(window,"_mgq");
Encontrou algum erro? Entre em contato