EUA aumentam rigor migratório, mas profissionais qualificados ainda encontram caminhos
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As recentes mudanças na política migratória dos Estados Unidos vêm tornando mais rigorosa a análise de vistos e processos de imigração. Para brasileiros que pretendem trabalhar ou construir uma carreira no país, o cenário exige mais planejamento, mas não significa o fechamento das oportunidades para profissionais qualificados.

Um dos exemplos mais recentes envolve o visto H-1B, utilizado por empresas americanas para contratar estrangeiros em ocupações especializadas. Em agosto, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) publicou uma proposta para estabelecer uma taxa de US$ 103.265 para determinadas petições H-1B sujeitas ao limite anual. A medida ainda está em processo regulatório e não representa uma cobrança aplicável indistintamente a todos os pedidos da categoria.

O anúncio ocorre em um momento de maior rigor na política migratória americana, com atenção ampliada à documentação, ao histórico dos candidatos e à compatibilidade entre o objetivo declarado e a categoria migratória utilizada.

Para profissionais qualificados, entretanto, o cenário precisa ser analisado de forma individual. O H-1B é apenas uma das possibilidades existentes e não deve ser confundido com as categorias de imigração baseada em emprego, como EB-1, EB-2 e EB-3, que possuem requisitos e objetivos diferentes. O EB-2, por exemplo, também contempla o National Interest Waiver (NIW), destinado a profissionais que atendam aos critérios específicos da modalidade.

“O cenário está mais rigoroso, mas rigor não significa impossibilidade. O principal efeito dessas mudanças é aumentar a importância do planejamento. O profissional precisa entender qual é o seu objetivo nos Estados Unidos e, a partir disso, avaliar qual categoria migratória é compatível com seu perfil”, explica Dr. Vinicius Bicalho, advogado e professor de imigração licenciado nos Estados Unidos e membro da American Immigration Lawyers Association (AILA).

Segundo o especialista, um dos principais riscos está em escolher uma categoria apenas pela facilidade aparente de entrada no país, sem considerar o projeto profissional de médio e longo prazo. “Não existe uma categoria universal para quem quer trabalhar nos Estados Unidos. Formação, experiência profissional, área de atuação, empregador e objetivo de permanência são elementos que precisam ser analisados em conjunto. Uma decisão tomada no início pode influenciar as possibilidades futuras”, afirma.

A documentação também ganha importância em um ambiente de maior rigor. Dependendo da categoria, o candidato precisa apresentar evidências capazes de demonstrar sua formação, experiência, reconhecimento profissional e demais requisitos previstos na legislação.

Para Bicalho, a mudança de cenário não deve levar profissionais qualificados a abandonar seus planos de carreira internacional, mas a estruturá-los com mais antecedência.

“O sistema está fechando algumas zonas cinzentas e exigindo mais clareza de quem solicita um benefício migratório. Isso não significa que os profissionais qualificados deixaram de ter oportunidades. Significa que o processo exige mais estratégia, documentação e uma escolha cuidadosa da categoria”, conclui.

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