A discussão sobre possíveis mudanças na escala de trabalho 6×1 precisa ser conduzida com responsabilidade, equilíbrio e análise técnica profunda.

Trata-se de um tema extremamente sensível, que impacta diretamente trabalhadores, empresas, consumidores e toda a dinâmica econômica do país. Por isso, qualquer proposta dessa magnitude exige amplo debate com o Congresso Nacional, setores produtivos, especialistas e a sociedade brasileira.

A Abrasel Leste Fluminense entende que o Brasil deve discutir permanentemente melhorias nas relações de trabalho, produtividade e qualidade de vida. Porém, esse debate precisa ocorrer de maneira séria, transparente e responsável, sempre olhando os dois lados da discussão e avaliando os impactos econômicos, sociais e operacionais de qualquer mudança.

Existe hoje uma diferença importante entre jornada de trabalho e escala de trabalho. Jornada está relacionada ao total de horas trabalhadas. Escala diz respeito à forma como essas horas são distribuídas ao longo da semana.

Em nenhum país do mundo existe a proibição legal da escala 6×1. O que existe, especialmente em países desenvolvidos, são discussões sobre redução de carga horária, aumento de produtividade, flexibilização e modelos negociados entre empresas e trabalhadores — temas legítimos e que podem, sim, ser debatidos com maturidade no Brasil.

Transformar essa discussão em uma proibição por força de lei, sem estudos amplos de impacto e sem transição responsável, gera enorme insegurança para setores intensivos em mão de obra, como bares e restaurantes, que operam justamente nos horários de lazer da população: noites, finais de semana e feriados.

Além disso, o setor já enfrenta grave dificuldade de contratação de profissionais em diversas funções. Uma mudança abrupta pode elevar custos operacionais, pressionar preços ao consumidor, aumentar a inflação do setor e dificultar ainda mais a sobrevivência de pequenos e médios negócios.

Outro ponto que preocupa profundamente é a tentativa de acelerar um debate dessa magnitude às vésperas de um período eleitoral. Tratar um tema tão complexo de maneira apressada dentro do Congresso Nacional passa uma clara percepção de oportunismo eleitoreiro. O Brasil não pode discutir mudanças estruturais nas relações de trabalho baseado em slogans ou disputas políticas momentâneas.

Medidas com potencial de impactar milhões de empregos e milhares de empresas precisam ser debatidas com responsabilidade institucional, ouvindo trabalhadores, empresários, economistas, especialistas e toda a sociedade.

A entidade reforça que é favorável ao diálogo permanente sobre evolução das relações trabalhistas e melhorias para o país. Mas defende que isso aconteça através de estudos técnicos, segurança jurídica, planejamento e construção coletiva, evitando decisões precipitadas que possam gerar desemprego, fechamento de empresas e perda de competitividade da economia brasileira.

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