Arte, espiritualidade e o portal simbólico de “A Dança das Garças”
A artista plástica Marcela Schmidt vive um dos momentos mais profundos de sua trajetória criativa. Ao unir pintura, espiritualidade e literatura em um projeto que nasce da experiência íntima com a psicografia conduzida por Mari Santos, Marcela transforma a capa do livro em um verdadeiro portal simbólico. A seguir, ela fala sobre o processo, os sinais espirituais e o reencontro que atravessa tempo e matéria. “A garça precisava estar presente.”
Desde sua primeira série, “A Dança das Garças”, a garça tornou-se a identidade artística de Marcela. “Foi ali que encontrei um símbolo que traduz minha visão de mundo”, conta. Para ela, não havia outra possibilidade para a capa do livro: a garça é transcendência, elevação e síntese daquilo que a obra carrega.
Na imagem, uma garça e uma mariposa quase se tocam. A escolha não é apenas estética é profundamente espiritual. A mariposa representa sua mãe. Após seu falecimento, Marcela passou a perceber sua presença por meio desses insetos. Um episódio marcou definitivamente essa conexão: enquanto escrevia, uma mariposa atravessou a tela de proteção de sua janela e pousou ao seu lado, permanecendo ali até que as luzes fossem apagadas.
“Como o livro relata uma vida passada minha e de minha mãe querida, encontrei nessa imagem a representação do nosso reencontro espiritual.”
A capa como experiência espiritual
Embora o processo criativo mantenha sua essência revelar o invisível e o sutil Marcela admite que, dessa vez, algo foi diferente. “Ela fluiu como água. Foi pintada rapidamente, com uma leveza incomum. Senti como se minhas mãos estivessem sendo guiadas.”
A artista acredita que algumas obras possuem um caráter quase sobrenatural. Esta foi uma delas.
Desde o início, a intenção era que a capa funcionasse como portal. Não apenas ilustrar, mas anunciar a experiência espiritual que o leitor encontrará nas páginas seguintes.
O diálogo com Mari Santos
A relação entre Marcela e Mari Santos, responsável pela psicografia, nasceu da confiança. Quando Mari sentiu a presença da mãe da artista e recebeu a mensagem de que havia um livro destinado a ela, houve recolhimento, silêncio e, depois, revelação.
“Eu jamais imaginei que algo assim pudesse acontecer.”
Desde então, tudo é compartilhado: escrita, edição, diagramação, assessoria e até novas cartas psicografadas. Para Marcela, há uma missão que envolve as três ela, Mari e sua mãe.
Arte como cura e missão
Se antes a espiritualidade estava presente em sua vida de forma reservada, hoje ela é assumida publicamente em sua arte. O medo do julgamento perdeu força diante da consciência de legado.
“Integrar arte e espiritualidade deixou de ser receio e se tornou missão.”
Marcela acredita profundamente na arte como ferramenta de cura. Já foi transformada por ela e já testemunhou transformações em outras pessoas. “Peço constantemente a Deus que me use como ferramenta de luz.”
O encontro entre imagem e palavra
Ao ler o livro psicografado pela primeira vez, Marcela sentiu a necessidade de escrever uma introdução contextualizando sua história com a mãe. Foi seu primeiro movimento consciente na escrita.
“A imagem traduz minha experiência espiritual. A escrita amplia minha arte. É como se minha mãe continuasse me impulsionando a crescer.”
Uma mensagem que transcende
Para quem observa a capa antes mesmo de abrir o livro, Marcela deseja despertar curiosidade e delicadeza. Que o leitor se pergunte o que significam aquela garça e aquela mariposa quase se tocando.
E, sobretudo, que leve consigo a certeza de que:
“A vida é muito maior do que aquilo que vemos. Existe auxílio espiritual atuando silenciosamente. A oração feita com amor tem força real. E o vínculo com quem partiu não se rompe se transforma.”
Com esse projeto, Marcela Schmidt não apenas amplia sua trajetória artística ela a transforma definitivamente, assumindo a arte como ponte entre mundos, como memória viva e como luz.
Sobre a artista — Marcela Schmidt
Marcela Schmidt é artista plástica reconhecida pela série “A Dança das Garças”, onde consolidou sua identidade visual marcada pelo simbolismo e pela transcendência. Sua obra une arte e espiritualidade, buscando revelar o invisível e provocar reflexão e cura interior. Atualmente, amplia sua expressão também na literatura, integrando imagem e palavra em projetos de profunda sensibilidade.
