Silenciosa, não aparece em exames de sangue ou imagem e impacta tanto em aspectos físicos quanto emocionais: a fibromialgia é uma doença crônica que atinge predominantemente o público feminino. Estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apontam que, a cada dez pessoas diagnosticadas com a condição caracterizada pela dor no corpo inteiro, sete a nove são mulheres.
Entre as pacientes que convivem com a síndrome, muitas apresentam sintomas que interferem diretamente na sua vida sexual. Dor pélvica, rigidez muscular, fadiga e falta de energia, diminuição da libido, secura vaginal e alterações no sono são alguns dos efeitos capazes de reduzir o desejo e até mesmo tornar o momento íntimo desconfortável. A hipersensibilidade também pode fazer com que o toque seja sentido de forma desagradável.
Os impactos ainda alcançam a autoestima, o bem-estar e os relacionamentos amorosos. As possíveis limitações, aliadas à ausência da sensação de prazer, podem gerar insegurança e frustração, resultando no distanciamento entre os parceiros, especialmente quando a doença não é bem compreendida.
Para a Dra. Emanuela Pimenta, reumatologista da Clínica Ceder, olhar para a vida sexual no contexto da fibromialgia significa cuidar da paciente de maneira integral. “As causas dos problemas sexuais envolvem uma combinação de fatores físicos, psicológicos e sociais. Como a síndrome modifica a maneira como a mulher vivencia o próprio corpo, possibilitar que ela entenda a relação com os sintomas e busque meios de controlá-los é um importante passo para diminuir as insatisfações, a culpa e abrir mais espaço para o diálogo nos relacionamentos”, afirma.
Suporte multidisciplinar
Assim como em outras frentes da condição, as mudanças ligadas à intimidade requerem uma abordagem multidisciplinar, incluindo apoio médico e psicológico. A depender das necessidades de cada paciente, o tratamento pode focar no fortalecimento muscular, fisioterapia pélvica, ajustes de medicação e adoção de práticas voltadas à melhora da consciência corporal e do relaxamento, além de direcionamento para aconselhamento sexual.
Nesse processo, conversar abertamente com o reumatologista é fundamental, pois permite que a questão não seja encarada de forma isolada. “O aspecto sexual faz parte da qualidade de vida. Mas problemas relacionados à sexualidade ainda são pouco abordados durante o acompanhamento da fibromialgia, seja por constrangimento ou falta de conhecimento. Quando essas queixas são compartilhadas, o médico consegue realizar uma avaliação mais minuciosa e encontrar caminhos para a retomada da função sexual, integrando esse cuidado ao tratamento da doença”, pontua a Dra. Emanuela Pimenta.