Endurecimento migratório: EUA revisam vistos e ampliam critérios de segurança

Endurecimento migratório: EUA revisam vistos e ampliam critérios de segurança

Liane Lóra
Atualizado: 15/01 16:17
3 min de leitura 4.9k
LA Comunicação

Ontem, os Estados Unidos anunciaram a suspensão temporária do processamento de vistos para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil. Especialistas avaliam que um dos fatores que contribuíram para a inclusão do país na lista é o elevado índice de casos relacionados ao chamado public charge, termo utilizado pelas autoridades americanas para se referir a estrangeiros que, potencialmente, podem se tornar dependentes de assistência pública.

A medida entra em vigor no dia 21 de janeiro e seguirá por tempo indeterminado, até que o Departamento de Estado conclua uma reavaliação dos procedimentos de segurança, verificação de antecedentes e cooperação consular no processamento de vistos.

Segundo o governo dos Estados Unidos, a decisão tem como objetivo reforçar os controles migratórios e de segurança nacional, diante de preocupações com a checagem de dados, a validade da documentação apresentada e o nível de colaboração consular de alguns países incluídos na lista.

As autoridades esclarecem que vistos de turismo e negócios, como o B-2 e o B-1/B-2, não estão incluídos na suspensão. Isso ocorre porque essas categorias permitem apenas estadias temporárias, sem autorização para trabalho, estudo ou residência no país. De acordo com os consulados americanos, turistas que comprovem vínculo com o país de origem e intenção clara de retorno não costumam ser considerados risco migratório.

Por outro lado, a decisão atinge alguns tipos específicos de vistos, especialmente aqueles que envolvem permanência prolongada ou exercício de atividade profissional nos Estados Unidos.

As instruções oficiais também deixam claro que, mesmo após a realização da entrevista consular, cidadãos de determinados países podem ter a entrada nos Estados Unidos suspensa ou limitada, de acordo com avaliação individual das autoridades de imigração.

De acordo com a agência Reuters, além do Brasil, países como Somália, Irã, Rússia, Afeganistão, Nigéria, Iêmen e Tailândia também estão entre os afetados pelas novas diretrizes.

O advogado Vinícius Bicalho, licenciado nos Estados Unidos, professor de pós-graduação em direito migratório e mestre pela Universidade do Sul da Califórnia, tem publicado vídeos explicativos em suas redes sociais para esclarecer dúvidas e reduzir a insegurança de quem pretende imigrar legalmente para o país.

Segundo o especialista, ao se aproximar de um ano de governo Trump, é fundamental compreender o padrão de comunicação adotado pela administração americana. “O governo costuma anunciar medidas com forte impacto inicial, e só depois vêm os esclarecimentos, ajustes institucionais e o caminho jurídico que essas decisões efetivamente seguem. Já vimos isso acontecer em outros episódios relacionados à imigração”, explica.

Bicalho também destaca a importância de acompanhamento jurídico qualificado para quem deseja viver legalmente nos Estados Unidos. “Essas medidas têm como foco combater fraudes e evitar que imigrantes se tornem public charge. Isso não reflete a realidade de brasileiros qualificados que contribuem para a economia e para a produção de conhecimento no país. As autoridades americanas sabem disso. Por isso, quem conta com especialistas capacitados para demonstrar esse perfil tende a não ser afetado”, conclui o advogado.

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