EFAGRO Regional será realizada no
Hotel Deville Prime e reunirá especialistas, advogados, produtores rurais,
engenheiros agrônomos e contadores para discutir crédito rural, prorrogação de
dívidas, recuperação judicial e gestão no campo
O avanço do endividamento rural e o crescimento dos pedidos
de recuperação judicial estão colocando o Direito do Agronegócio diante de um
dos períodos mais complexos para produtores, empresas rurais e profissionais
que atuam no setor. É nesse cenário que Campo Grande recebe a EFAGRO Regional,
encontro técnico que terá como conceito “Justiça pelo Agro” e reunirá
especialistas, advogados, produtores rurais, engenheiros agrônomos, contadores
e demais profissionais ligados à cadeia produtiva.
O evento será realizado no Hotel Deville Prime Campo Grande,
na Avenida Mato Grosso, 4250, no bairro Carandá Bosque, com uma programação de
aproximadamente nove horas. O credenciamento começa às 7h30 e as atividades
seguem até as 20h.
Entre os principais assuntos estão prorrogação e alongamento
de dívidas rurais, recuperação judicial do produtor rural, execuções rurais,
crédito, contratos, família e sucessões, gestão financeira, prospecção e
desenvolvimento de escritórios especializados no agronegócio.
Crise de liquidez muda a relação entre o produtor e o Direito
O encontro ocorre em um momento de forte pressão sobre o
caixa das propriedades rurais. A combinação de preços mais baixos de
commodities, custos de produção ainda elevados, problemas climáticos, juros
altos, oscilação cambial e maior seletividade na concessão de crédito vem
comprimindo as margens da atividade rural.
O reflexo já chegou aos tribunais. Segundo os dados levantados
pela organização da EFAGRO, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio
passaram de 534 em 2023 para 1.272 em 2024 e 1.990 em 2025, crescimento de
56,4% no último ano. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 474 novos
pedidos, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025.
O perfil da crise também mudou. Em 2025, os pedidos passaram
a atingir com maior intensidade produtores pessoa física e jurídica, com
crescimento expressivo entre empresas e grupos rurais estruturados. O
levantamento utilizado pela EFAGRO aponta crescimento de 84,1% nos pedidos
envolvendo produtores pessoa jurídica em 2025.
Para os organizadores, esse cenário exige uma mudança na
forma como o Direito se relaciona com o produtor.
“A crise do agro não pode ser analisada apenas pela ótica da
dívida. É preciso entender a operação, o fluxo de caixa, as garantias, os
contratos e a capacidade de continuidade da atividade. O profissional que atua
no setor precisa estar preparado para construir soluções antes que a crise se
transforme em perda de patrimônio e interrupção da produção”, afirma Rogério
Augusto Silva, cofundador da EFAGRO Regional.
Prorrogação de dívidas e recuperação judicial
Um dos principais focos da EFAGRO Regional Campo Grande será
a discussão sobre prorrogação e alongamento de dívidas rurais, tema que ganhou
relevância diante da pressão financeira enfrentada por produtores. A proposta é
discutir como o produtor pode agir antes que o estrangulamento financeiro
comprometa a continuidade da atividade. Atrasos, execuções de garantias e
restrições de crédito podem reduzir a capacidade de financiamento da safra
seguinte e criar um ciclo de endividamento cada vez mais difícil de
interromper.
Nesse contexto, a atuação jurídica deixa de ser
exclusivamente reativa. O evento pretende discutir estratégias de preservação
patrimonial, renegociação de passivos, planejamento e manutenção da atividade
produtiva. A recuperação judicial também estará no centro dos debates. O
objetivo é discutir em quais situações o instrumento pode ser utilizado para
reorganizar o passivo e preservar a atividade, além dos riscos e desafios
jurídicos envolvidos.
Outro ponto de atenção está nas garantias utilizadas nas
operações do agronegócio. Cédulas de Produto Rural (CPRs), alienação fiduciária
e a discussão sobre bens essenciais à atividade estão entre os temas que têm
provocado disputas relevantes no Judiciário.
Por que Campo Grande?
A escolha de Campo Grande para receber uma etapa da EFAGRO
Regional está diretamente relacionada à importância de Mato Grosso do Sul para
o agronegócio brasileiro. O Estado encerrou 2025 com recorde histórico de US$
10,7 bilhões em exportações, segundo dados da Semadesc. A pauta exportadora é
concentrada em grandes cadeias produtivas, com destaque para celulose, soja e
carne bovina, que juntas representam parcela significativa das vendas externas
sul-mato-grossenses.
A própria Capital vem ampliando sua inserção no comércio
internacional. Entre janeiro e julho de 2026, Campo Grande exportou US$ 560,275
milhões, crescimento de 41,49% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando
o maior volume para os primeiros sete meses de um ano desde o início da série
histórica.
A força do agronegócio também aparece na produção agrícola
municipal. Dados do IBGE citados pela Prefeitura apontaram, para 2023, R$ 1,077
bilhão em valor da produção agrícola de Campo Grande, colocando a Capital em
posição de destaque entre as capitais brasileiras.
Além da produção, Campo Grande exerce uma função estratégica
de integração logística e econômica. O avanço da Rota Bioceânica amplia a
perspectiva de conexão entre Mato Grosso do Sul, Paraguai, Argentina e Chile e
pode fortalecer a posição da Capital como hub de distribuição e comércio
internacional.
É justamente essa dimensão que torna o debate jurídico
estratégico para a região. “Campo Grande está inserida em um dos principais
ambientes do agronegócio brasileiro. A região reúne produção, agroindústria,
comércio exterior e uma cadeia cada vez mais complexa de crédito, contratos e
investimentos. Trazer a EFAGRO para a Capital significa aproximar a formação
jurídica das necessidades reais de quem produz, financia, comercializa e presta
serviços para o campo”, destaca Rogério Augusto Silva.
O profissional do agro precisa atuar antes da crise
Além do conteúdo jurídico, a EFAGRO pretende discutir a
transformação do perfil dos profissionais que atuam no agronegócio. A
organização considera que advogados, contadores, consultores e gestores
precisam compreender não apenas questões processuais ou contratuais, mas também
crédito rural, gestão financeira, riscos, patrimônio, sucessão e reestruturação
empresarial.
A programação inclui ainda temas relacionados à própria
gestão da advocacia, como atendimento e fechamento de contratos, prospecção,
marketing, formação de equipes e controle financeiro de escritórios. A proposta
é criar uma visão mais ampla sobre a atuação profissional no setor: compreender
o problema jurídico, mas também a operação econômica que está por trás dele.
Família, patrimônio e continuidade da atividade rural
A discussão também avançará para temas de família e
sucessões, considerados estratégicos para a continuidade de propriedades e
empresas rurais. Em um setor no qual patrimônio, produção e estrutura familiar
frequentemente estão interligados, o planejamento sucessório pode influenciar
diretamente a preservação dos negócios e a transferência de patrimônio entre
gerações. A EFAGRO também discutirá execuções rurais, ampliando o debate para
situações em que dívidas e garantias passam a representar risco direto para o
patrimônio do produtor.
SERVIÇO
EFAGRO Regional Campo Grande — Justiça pelo Agro
Data: setembro de 2026
Credenciamento: 7h30
Programação: ao longo do dia, até as 20h
Local: Hotel Deville Prime Campo Grande
Endereço: Av. Mato Grosso, 4250, Carandá Bosque — Campo Grande/MS — CEP
79002-232
Formato: presencial
Carga horária: aproximadamente 9 horas
Público: advogados, estudantes de Direito, engenheiros agrônomos,
contadores, produtores rurais e demais profissionais envolvidos com o
agronegócio
Inscrições: abertas até 18 de setembro
Investimento: R$ 297 — individual | R$ 497 — duplo
Informações e inscrições: perfil oficial da EFAGRO nas redes sociais