A segurança pública voltou a ser tema de forte debate entre representantes políticos em Niterói nesta semana. Em uma publicação que viralizou nas redes sociais, o empresário Rogério Rosetti direcionou duras críticas à administração do prefeito Rodrigo Neves (PDT), afirmando que a cidade enfrenta “uma sensação crescente de insegurança” e que políticas públicas não estariam alcançando os resultados prometidos. Isso depois que o empresário teve duas de suas lojas furtadas na Rua Lemos Cunha, em frente à delegacia de Icaraí e outra na Pereira da Silva em um curto espaço de tempo. Na mesma semana, uma loja do Bobs, na Gavião Peixoto teve todos os cabos de energia furtados e na Sete de Setembro, o hidrômetro da lavanderia da família também foi levado. Segundo o empresário, foram 4 casos em um total de 10 dias.
Segundo Rosetti, “os índices de violência — especialmente furtos e ocorrências nas ruas — sugerem um verdadeiro retrocesso na política de segurança, enquanto moradores vivem apreensivos e sem resposta do poder público”. Ele também cobrou maior atuação integrada entre Guarda Municipal, Polícia Civil e PM, além de presença efetiva em áreas metropolitanas mais vulneráveis.
A crítica de Rosetti ganhou eco em grupos comunitários e movimentou o debate sobre a segurança na Câmara de Vereadores. “Eu não vou me calar pois a situação se repete de tempos em tempos e quem paga essa conta somos nós. “O trabalho público é muito fraco: gasta-se muito e se produz muito pouco, o prejuízo acaba recaindo sobre as forças de segurança, que precisam prender os mesmos criminosos mais de dez vezes. Não sei como ainda encontram motivação para continuar trabalhando. Sou empresário e tenho a pagar pelo menos 15 IPTUs por mês, além de arcar com prejuízos constantes causados pela insegurança na cidade. O prejuízo é financeiro e psicológico quando vemos que investir em segurança privada e nas tecnologias em favor da segurança não é mais luxo e sim necessidade”, relatou Rosetti, dono de 11 empresas de diferentes segmentos na cidade.
O caso também foi citado na última reunião do Conselho Comunitário de Segurança, com autoridades do município. A CDL Niterói disse que irá cobrar providências. Dentre os presentes, o vereador Douglas Gomes defendeu uma apuração mais rigorosa sobre a repetição recorrente de crimes na cidade. “É preciso investigar por que esses criminosos continuam nas ruas mesmo após serem detidos e liberados por falta de flagrante. No Brasil, prioriza-se a recuperação do criminoso antes da punição, que só ocorre após vários furtos ou crimes mais graves, como homicídios, muitos dos quais poderiam ser evitados com a responsabilização desde o primeiro delito”, criticou.
Prefeitura se pronuncia: segurança como política de Estado
Em resposta, o prefeito Rodrigo Neves utilizou as próprias redes sociais para afirmar que “a situação em Niterói está sob controle e que a sensação de normalidade é a realidade vivida pela maioria da população”, além de ressaltar os investimentos contínuos da Prefeitura em políticas de segurança integrada.
Neves ressaltou ainda o papel de programas como o Pacto Niterói Contra a Violência, política pública estruturada que já resultou em reduções significativas em indicadores de criminalidade nos últimos anos, com ações de prevenção social, tecnologia e monitoramento integrados com forças de segurança estaduais.
Segundo a Prefeitura de Niterói, os números do Observatório de Segurança Pública referentes a 2025 mostram que a cidade encerrou o ano com reduções importantes em crimes que mais impactam a população. Entre os destaques na queda de 14,29% na letalidade violenta; roubo de veículos com queda em 17,75%; roubo de carga com queda em 43,75%, o menor número histórico registrado e roubo de rua com redução de 3,25%.