Por: Pietra Iris de Lucca
A dor lombar está entre as queixas mais comuns nos consultórios médicos, mas, segundo o neurocirurgião Dr. Marcus Vinicius de Morais, tratá-la como um problema único é um dos principais erros cometidos por pacientes. Especialista em dor crônica e cirurgia funcional da coluna, ele explica que a dor nas costas é um sintoma com múltiplas origens e que compreender essa diversidade é fundamental para um tratamento eficaz.
Na maioria dos casos, a dor lombar está relacionada a causas benignas, sendo a mais comum a tensão muscular, geralmente provocada por má postura, esforço físico inadequado, sedentarismo ou movimentos repetitivos. Esse tipo de dor costuma melhorar com medidas simples, como repouso relativo, fisioterapia e uso de medicamentos. Problemas articulares da coluna, especialmente nas chamadas facetas articulares, também estão entre as causas frequentes e muitas vezes são responsáveis por dores persistentes que podem limitar a rotina do paciente.
Estima-se que até 80% das pessoas irão sentir esse tipo de dor em algum momento da vida. Ainda assim, um dos maiores equívocos entre pacientes é acreditar que toda dor lombar tem a mesma origem e, principalmente, que se trata sempre de uma hérnia de disco. Como ressalta o Dr. Marcus, nem toda dor lombar está relacionada a alterações discais. Muitos pacientes chegam ao consultório convencidos desse diagnóstico, seja por interpretação equivocada de exames ou por informações recebidas anteriormente. No entanto, a maioria dos quadros tem origem muscular ou articular, o que é uma boa notícia, já que essas condições costumam responder bem ao tratamento conservador, com fisioterapia direcionada, medicamentos e, em alguns casos, infiltrações nos pontos específicos de dor.
Por outro lado, existem situações que exigem maior atenção e avaliação especializada. Casos de hérnia de disco com compressão nervosa, por exemplo, podem causar dor irradiada para as pernas, formigamento e até perda de força. Outras condições, como estenose do canal vertebral, fraturas, especialmente em pacientes com osteoporose e mais raramente, infecções ou tumores, também podem estar por trás da dor lombar. Nesses cenários, sinais como piora progressiva, dor intensa durante a noite ou sintomas neurológicos devem servir de alerta para investigação mais aprofundada.
O tratamento, portanto, deve sempre ser individualizado. Na maior parte dos casos, a abordagem inicial é conservadora, baseada em medicamentos, fisioterapia, reeducação postural e fortalecimento muscular. No entanto, quando a dor se torna crônica ou não responde adequadamente a essas medidas, entram em cena técnicas mais avançadas.
Com formação sólida em neurocirurgia, dor e cirurgia funcional, e experiência em centros de referência no Brasil e no exterior, o Dr. Marcus Vinicius de Morais atua com procedimentos modernos e minimamente invasivos, guiados por imagem, que permitem tratar a dor diretamente em sua origem. Entre as opções estão bloqueios e infiltrações guiadas, técnicas de radiofrequência para modulação da dor e a neuromodulação, indicada para casos mais complexos e refratários. Essas abordagens têm como objetivo reduzir a dor, melhorar a funcionalidade do paciente e, sempre que possível, evitar cirurgias de grande porte e o uso prolongado de analgésicos potentes.
A principal mensagem é clara: dor lombar não é um diagnóstico único e muito menos sinônimo automático de hérnia de disco. Com avaliação adequada e tratamento direcionado, a grande maioria dos pacientes pode evoluir bem, muitas vezes sem necessidade de intervenções invasivas. E, nos casos mais complexos, a medicina atual oferece alternativas eficazes para o controle da dor e a melhora significativa da qualidade de vida.