Redes apostam em nichos especializados, operação enxuta e mobilidade elétrica em movimento observado na Feira da Franquia 2026, encerrada neste domingo em Porto Alegre
O mercado brasileiro de franquias, historicamente concentrado em alimentação, moda, beleza e serviços tradicionais, começa a abrir espaço para novos formatos de negócio. Redes voltadas ao universo gamer, lojas autônomas corporativas e mobilidade elétrica ganharam destaque na Feira da Franquia 2026, realizada entre sexta-feira (24) e domingo (26), em Porto Alegre.
Segundo dados divulgados pela organização do evento, o franchising nacional faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior. Para 2026, a projeção é de avanço entre 8% e 10%.
No Rio Grande do Sul, o setor também acelerou. O faturamento cresceu 18% no último ano, alcançando R$ 16,8 bilhões. O Estado soma 11.251 operações e teve participação recorde de marcas locais nesta edição da feira, com 38 empresas gaúchas expositoras.
Mais do que apresentar oportunidades de investimento, o evento sinalizou uma mudança relevante no perfil das redes em expansão: modelos menos dependentes do varejo tradicional e mais conectados a comportamento, tecnologia e eficiência operacional.
Economia gamer vira oportunidade de expansão
Entre os cases presentes na feira estava a gaúcha B&B Games, rede criada em Porto Alegre e especializada em consoles, acessórios, assistência técnica e produtos ligados à cultura gamer.
Com 14 unidades em operação, a marca apresentou modelos de franquia com investimento inicial a partir de R$ 60 mil para lojas de rua e retorno estimado em até 18 meses, segundo material distribuído no evento.
Para o fundador Daniel Biacchi Raymundo, o amadurecimento do setor no país abriu espaço para expansão estruturada.
“O mercado gamer cresceu muito no Brasil. Hoje existe demanda consolidada e um público fiel”, afirmou.
Segundo o empresário, o perfil de franqueados vai de investidores experientes a famílias interessadas em iniciar filhos no empreendedorismo.
A empresa também aposta em suporte contínuo aos parceiros, com treinamento prático, reuniões periódicas e acompanhamento de vendas e presença digital.
Loja autônoma e inteligência artificial
Outro modelo que chamou atenção foi o da 121 Smart Shop, rede de Joinville (SC) especializada em minimercados autônomos instalados exclusivamente dentro de empresas.
A operação funciona sem atendentes presenciais: o usuário acessa o espaço por aplicativo, retira os produtos e conclui a compra digitalmente. Segundo a empresa, a rede atende mais de 180 companhias no país e cita clientes como Hapvida, Unimed, JBS, Senai, Docol e Arteris.
De acordo com o sócio fundador João Alves, o uso de tecnologia própria ajudou a reduzir perdas operacionais.
“Criamos uma inteligência artificial que identifica acessos suspeitos. Isso fez nosso índice de perdas ficar abaixo de 1%”, disse.
A proposta mira empresas interessadas em conveniência interna, bem-estar de colaboradores e aumento de produtividade, além de permitir ao franqueado operar múltiplos pontos com estrutura enxuta.
Mobilidade elétrica entra no franchising
Também presente no evento, a Gotrix Mobilidade Urbana, rede do Rio de Janeiro focada em scooters, bikes elétricas, ciclomotores e veículos leves, apresentou diferentes formatos de franquia, entre quiosques, contêineres e lojas físicas.
Segundo a marca, o investimento inicial parte de R$ 200 mil, com modelos que projetam faturamento médio de R$ 150 mil mensais e lucratividade entre 15% e 25%.
Para o gerente comercial Theuan Guerra, a expansão acompanha mudanças no deslocamento urbano e no custo do transporte tradicional.
“As cidades cresceram e muita gente busca alternativas mais econômicas, práticas e sustentáveis para se locomover”, afirmou.
O avanço desse tipo de operação acompanha o interesse crescente por alternativas de mobilidade urbana, impulsionado pelo alto custo dos veículos tradicionais e pela busca por soluções mais eficientes para trajetos curtos e médios.
Setor busca novos caminhos
Os três exemplos ajudam a explicar um movimento mais amplo do mercado. Em vez de depender apenas de formatos já consolidados, redes de franquia começam a buscar crescimento em nichos especializados, operações mais leves e negócios alinhados a novos hábitos de consumo.
Na prática, o franchising passa a vender não apenas produtos ou serviços padronizados, mas conveniência, comunidade, experiência e soluções para demandas emergentes.
Para um setor que movimenta mais de R$ 300 bilhões por ano no país, a diversificação deixou de ser tendência e passou a ser estratégia.
Sobre o autor
Railson Lima é jornalista com mais de 15 anos de experiência e atua na interseção entre comunicação institucional, marketing e posicionamento estratégico de marcas e lideranças. É consultor, palestrante e pesquisador em relações públicas, cultura organizacional e estratégias digitais. Com sólida formação em comunicação, marketing e docência, cursa Biomedicina, ampliando sua atuação nas interfaces entre ciência, saúde e comunicação.