Em 27 redes de ensino de 13 estados, Instituto atua na formação de educadores, fortalecimento das Secretarias e implementação da Aprendizagem Criativa; resultados de 2025 incluem liderança de Curitiba entre capitais, Joinville entre grandes municípios, nota máxima em Coruripe e forte avanço no Rio Grande do Sul
Os resultados do Ideb 2025 desenham um mapa de avanços da educação pública brasileira em que aparecem redes de diferentes tamanhos, regiões e contextos. Entre elas estão redes parceiras do Instituto Escolas Criativas (IEC), que atua em 27 redes de ensino, em 13 estados brasileiros, apoiando Secretarias de Educação, equipes gestoras e educadores na implementação de práticas pedagógicas mais criativas, investigativas e centradas nos estudantes.
O retrato reúne resultados que chamam a atenção pela diversidade. No Paraná, a rede estadual alcançou o primeiro lugar nacional nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, enquanto Curitiba ficou em primeiro lugar entre as capitais nos Anos Iniciais. No Piauí, a rede estadual saltou da sétima para a segunda colocação nacional no Ensino Médio. No Rio Grande do Sul, o avanço foi ainda mais expressivo: o estado saiu da 15ª para a quinta posição entre as redes estaduais no Ensino Médio.
Entre os municípios, Coruripe (AL) chegou à nota 10 nos Anos Iniciais, a pontuação máxima do Ideb. Branquinha (AL) alcançou 9,7 nessa etapa e 8,6 nos Anos Finais, depois de registrar um salto de 2,4 pontos nos Anos Finais em apenas dois anos. Joinville (SC), por sua vez, obteve o maior Ideb entre os municípios brasileiros com mais de 500 mil habitantes, tanto nos Anos Iniciais quanto nos Anos Finais.
Os números são diferentes, mas têm um ponto em comum: são resultados construídos dentro de redes públicas que vêm desenvolvendo estratégias de fortalecimento da aprendizagem, formação de professores e gestores e institucionalização de novas práticas pedagógicas. É nesse espaço que atua o Instituto Escolas Criativas.
“O que os indicadores mostram é uma rede que consegue combinar qualidade, escala e continuidade. Quando as mudanças passam a fazer parte da política pública, os resultados permanecem”, afirma Gabriela Breviglieri, diretora-presidente do Instituto Escolas Criativas.
Uma atuação que atravessa o Brasil
O Instituto Escolas Criativas trabalha em parceria com Secretarias de Educação para apoiar a transformação das escolas públicas por meio da Aprendizagem Criativa. A abordagem coloca o estudante no centro do processo e propõe que conteúdos curriculares sejam explorados por meio de projetos, investigação, experimentação, colaboração e construção de soluções.
A atuação combina formação de educadores, acompanhamento pedagógico, apoio às equipes técnicas das Secretarias e desenvolvimento de estruturas que permitam às próprias redes incorporar e sustentar as práticas.
A estratégia parte de uma premissa simples: não basta levar uma metodologia para dentro da escola. É preciso criar condições para que professores tenham segurança para experimentar, gestores consigam acompanhar os processos e Secretarias de Educação desenvolvam capacidade institucional para fazer as mudanças permanecerem.
O Instituto organiza sua atuação justamente nessa perspectiva de fortalecimento sistêmico. Em vez de trabalhar apenas com ações pontuais ou diretamente com estudantes, apoia redes públicas na construção de capacidades que podem alcançar diferentes escolas e territórios.
Segundo dados divulgados pelo próprio Instituto, sua atuação já alcançou centenas de milhares de estudantes, professores e escolas em diferentes regiões do Brasil. Atualmente, o IEC informa estar presente em 27 redes de ensino.
Da liderança nacional aos grandes saltos
No Paraná, a rede estadual alcançou Ideb 5,8 nos Anos Finais e 5,1 no Ensino Médio, as maiores notas do país entre as redes estaduais nessas etapas. Nos Anos Finais, o desempenho foi acompanhado de um crescimento de 10,7 pontos em Matemática e de 8 pontos em Língua Portuguesa no Saeb.
O Piauí apresentou um dos movimentos mais expressivos do país no Ensino Médio. A rede estadual passou de Ideb 4,3 em 2023 para 4,9 em 2025, saltando da sétima para a segunda colocação nacional. O avanço também apareceu diretamente nos indicadores de aprendizagem: foram 20 pontos a mais em Matemática e 13 pontos em Língua Portuguesa no Saeb — os maiores avanços nacionais entre as redes estaduais nas duas áreas.
No Rio Grande do Sul, a rede estadual subiu da 15ª para a quinta posição no Ensino Médio, com Ideb 4,7. Nos Anos Finais, alcançou 5,4 e avançou sete posições. A rede também registrou o terceiro maior avanço nacional em Matemática e o segundo maior em Língua Portuguesa nessa etapa. O movimento se repete nas redes municipais.
Em Coruripe, Alagoas, o Ideb chegou a 10 nos Anos Iniciais, enquanto os Anos Finais alcançaram 8,8. Desde 2021, a cidade elevou o indicador dos Anos Iniciais de 7,1 para 10 e o dos Anos Finais de 5,9 para 8,8.
Em Branquinha, também em Alagoas, o Ideb passou de 8,3 para 9,7 nos Anos Iniciais e de 6,2 para 8,6 nos Anos Finais entre 2023 e 2025. O crescimento de 81,9 pontos em Matemática nos Anos Finais pelo Saeb colocou o município entre os maiores avanços do país nessa área.
Em Curitiba, o Ideb dos Anos Iniciais passou de 6,3 para 6,9, levando a capital ao primeiro lugar entre as capitais brasileiras. Em Joinville, o indicador chegou a 7,1 nos Anos Iniciais e 6,0 nos Anos Finais, os maiores resultados entre municípios brasileiros com mais de 500 mil habitantes.
Há ainda trajetórias de crescimento em redes como São Luís, Recife, Caruaru, Arapiraca, Mata de São João, Paulista, Pedro Leopoldo, Correntina, Guaratinguetá e Vespasiano, entre outras.
Em São Luís, por exemplo, o Ideb dos Anos Iniciais passou de 5,5 para 6,0, acompanhado de crescimento de 13,3 pontos em Matemática e 12,8 em Língua Portuguesa no Saeb. Em Recife, o indicador subiu de 5,5 para 5,8 nos Anos Iniciais e de 4,8 para 4,9 nos Anos Finais. Já São Paulo, que iniciou a parceria com o IEC em 2025, registrou crescimento nas duas etapas, passando de 5,6 para 5,8 nos Anos Iniciais e de 4,8 para 4,9 nos Anos Finais.
Onde o Instituto está
As 27 redes parceiras estão distribuídas por 13 estados brasileiros. A atuação reúne as redes estaduais de Alagoas, Paraná, Piauí e Rio Grande do Sul e as redes municipais de Arapiraca (AL), Bragança (PA), Branquinha (AL), Caruaru (PE), Correntina (BA), Coruripe (AL), Curitiba (PR), Guaratinguetá (SP), Jaguariúna (SP), Joinville (SC), Mata de São João (BA), Palmeirândia (MA), Paulista (PE), Pedro Leopoldo (MG), Queimados (RJ), Recife (PE), Ribeirão das Neves (MG), São Bernardo do Campo (SP), São Luís (MA), São Paulo (SP), Vespasiano (MG), Vinhedo (SP) e Várzea Grande (MT).
É uma atuação que vai do Sul ao Nordeste, do Sudeste ao Centro-Oeste e ao Norte do país, passando por capitais, cidades de grande porte e municípios de diferentes dimensões e contextos socioeconômicos.
O Instituto também mantém uma estratégia de formação que busca aproximar a metodologia da realidade de cada território. Em 2025, por exemplo, o EC Lab levou formações presenciais sobre Aprendizagem Criativa a novas redes parceiras, combinando sensibilização, planejamento e acompanhamento de professores, formadores e equipes gestoras.
“A gente não acredita em uma fórmula única que possa ser simplesmente replicada de uma cidade para outra. A Aprendizagem Criativa precisa dialogar com o currículo, com os professores, com os estudantes e com o território. Por isso, nosso trabalho começa pela escuta e pelo fortalecimento de quem já está fazendo a educação pública acontecer”, afirma Gabriela Hartin Breviglieri.
Mais do que uma nota
Para o Instituto Escolas Criativas, os resultados do Ideb devem ser lidos como parte de uma trajetória mais ampla. Uma nota pode indicar que houve avanço, mas não explica sozinha como estudantes estão aprendendo, como professores estão ensinando ou quais capacidades uma rede pública conseguiu desenvolver.
A organização defende uma concepção de aprendizagem que combina resultados educacionais, protagonismo, criatividade, colaboração e equidade. A proposta é que estudantes não apenas consigam responder a uma avaliação, mas desenvolvam confiança para perguntar, experimentar, criar, trabalhar em grupo e transformar conhecimentos em projetos e soluções.
“Celebramos os resultados porque eles mostram que existem caminhos que estão funcionando. Mas o nosso objetivo final não é produzir uma rede que saiba tirar uma boa nota. É fortalecer redes públicas capazes de garantir aprendizagem para todos e de sustentar boas práticas ao longo do tempo”, completa Gabriela.
Os resultados de 2025, nesse sentido, formam um retrato de diferentes caminhos para um mesmo desafio: fazer com que mais estudantes aprendam mais e melhor — e fazer com que essa capacidade permaneça nas escolas e nas redes públicas.
Sobre o Instituto Escolas Criativas
O Instituto Escolas Criativas (IEC) é uma organização da sociedade civil que apoia Secretarias de Educação na transformação das escolas públicas em espaços onde os estudantes queiram estar e aprender. Atua em parceria com gestores públicos, lideranças escolares e professores, apoiando formação de educadores, fortalecimento da gestão, implementação da Aprendizagem Criativa e desenvolvimento de estruturas que permitam às redes incorporar e sustentar novas práticas pedagógicas.