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Especialista alerta que identificar os
primeiros sinais e buscar intervenção precoce pode reduzir impactos no
desempenho acadêmico e fortalecer o desenvolvimento infantil

As dificuldades de aprendizagem fazem parte da realidade de
milhares de crianças brasileiras e, quando não identificadas precocemente,
podem comprometer não apenas o desempenho escolar, mas também a autoestima, o
desenvolvimento emocional e a relação com a escola. Especialistas alertam que
nem toda dificuldade para aprender significa um transtorno, mas toda
dificuldade persistente merece investigação.

Segundo a psicóloga, neuropsicóloga e psicopedagoga
Veronicka Seegmueller, muitos pais percebem os primeiros sinais antes mesmo de
a criança receber qualquer avaliação profissional. Entre os indícios mais
comuns estão a dificuldade para reconhecer letras e sons, memorizar sequências
simples, além da resistência às atividades de leitura e escrita.

“Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, é comum observar
crianças que evitam ler, apresentam lentidão para reconhecer palavras, trocam
letras com frequência ou demonstram grande cansaço diante das tarefas
escolares. Em alguns casos, elas chegam a pedir para não ir à escola ou
apresentam dores de cabeça e de barriga recorrentes antes das aulas”, explica.

Outro aspecto que merece atenção, segundo a especialista, é
quando existe uma diferença significativa entre o potencial intelectual da
criança e seu rendimento acadêmico. “São crianças curiosas, inteligentes e
criativas, mas que encontram obstáculos específicos para aprender a ler e
escrever.”

Nem toda dificuldade é um transtorno

A especialista ressalta que dificuldades escolares possuem
diversas causas e nem sempre estão relacionadas a transtornos do
neurodesenvolvimento.

Entre os fatores mais frequentes estão lacunas pedagógicas,
métodos de ensino pouco adequados ao perfil da criança, dificuldades no
desenvolvimento da linguagem, alterações de atenção, problemas emocionais,
dificuldades auditivas ou visuais não diagnosticadas, pouca exposição à leitura
e até mudanças frequentes de escola.

No entanto, quando as dificuldades persistem, torna-se
importante investigar condições como dislexia, disgrafia, discalculia,
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do
Espectro Autista (TEA) e deficiência intelectual.

“A aprendizagem depende de múltiplos fatores. O objetivo
não deve ser apenas buscar um diagnóstico, mas compreender quais habilidades
precisam ser desenvolvidas e quais apoios são necessários para que aquela
criança alcance seu potencial.”

Diagnóstico precoce faz diferença

De acordo com Veronicka, esperar que a criança “amadureça”
naturalmente pode fazer com que as dificuldades aumentem ao longo dos anos.

A intervenção precoce é considerada uma das estratégias
mais eficazes para reduzir prejuízos acadêmicos e emocionais, permitindo que
habilidades específicas sejam fortalecidas antes que as lacunas se tornem
maiores.

“A identificação dos sinais não significa fechar um
diagnóstico precoce, mas compreender quais competências precisam ser
estimuladas. Quanto antes houver intervenção, maiores são as chances de
sucesso.”

O papel das telas na aprendizagem

O uso das telas também entrou no debate sobre o desempenho
escolar. Para a especialista, o problema não está na tecnologia em si, mas na
forma como ela é utilizada.

Recursos digitais podem contribuir para o desenvolvimento
da leitura, da escrita e da organização quando empregados de maneira
consciente. Porém, o consumo excessivo de vídeos curtos e conteúdos altamente
estimulantes pode prejudicar habilidades fundamentais para o aprendizado.

“O excesso de telas pode interferir na atenção sustentada,
memória de trabalho, autocontrole, linguagem, sono e tolerância à frustração.
As telas não causam transtornos do neurodesenvolvimento, mas podem
potencializar dificuldades já existentes ou dificultar o desenvolvimento de
habilidades importantes.”

Segundo a neuropsicóloga, o cérebro infantil aprende
principalmente por meio de experiências concretas, como brincadeiras,
conversas, leitura compartilhada, interação social e resolução de problemas.
Quando essas experiências são substituídas por longos períodos diante das
telas, o desenvolvimento pode ser afetado de forma indireta.

Cada criança exige uma abordagem diferente

Entre as dificuldades mais observadas na prática clínica
estão os problemas relacionados à leitura, escrita, matemática, atenção e
funções executivas, além de questões emocionais que interferem diretamente no
rendimento escolar. Por isso, a abordagem profissional deve ser
individualizada.

Dependendo da origem da dificuldade, a criança pode
necessitar de intervenção psicopedagógica, treinamento de habilidades
cognitivas, acompanhamento neuropsicológico, apoio emocional, orientação
familiar ou adaptações no ambiente escolar.

No caso das dificuldades de leitura e escrita, Veronicka
destaca que as evidências científicas apontam melhores resultados quando o
ensino ocorre de forma explícita, sistemática e gradual, trabalhando
consciência fonológica, relação entre letras e sons, fluência, vocabulário e
compreensão textual.

Com base em mais de 25 anos de atuação clínica, a
especialista desenvolveu o método Raciocínio Alfabético, fundamentado na
Ciência da Leitura e na Neurociência, para fortalecer as habilidades envolvidas
no processo de alfabetização.

Família também exerce papel decisivo

Além das intervenções especializadas, hábitos cotidianos
podem influenciar diretamente a aprendizagem.

Sono de qualidade, alimentação equilibrada, rotina
organizada, momentos de brincadeira, atividade física e interação familiar
favorecem o desenvolvimento cognitivo. Outro fator importante é o exemplo dado
pelos adultos.

“Famílias que cultivam momentos de leitura compartilhada,
contam histórias, frequentam bibliotecas e demonstram prazer pela leitura
ajudam a construir um ambiente favorável ao desenvolvimento da linguagem.”

A especialista reforça que a leitura deve ser encarada como
uma experiência afetiva e prazerosa, e não apenas como uma obrigação escolar.

Trabalho conjunto amplia as chances de sucesso

Para Veronicka Seegmueller, não existe uma única causa para
as dificuldades escolares e, consequentemente, também não existe uma solução
única.

“O mais importante é investigar o que está dificultando a
aprendizagem e construir estratégias individualizadas. Quando família, escola e
profissionais trabalham juntos, respeitando as necessidades de cada criança, as
dificuldades deixam de ser barreiras intransponíveis e passam a ser desafios
que podem ser compreendidos, acolhidos e superados.”

A especialista reforça que toda criança é capaz de aprender
quando recebe o suporte adequado e que o olhar atento dos pais e educadores
pode ser decisivo para transformar a trajetória escolar e emocional dos alunos.

Fonte:

Veronicka Seegmueller – Neuropsicóloga e Psicopedagoga

CRP-PR: 08/1315-9

Psicóloga, pedagoga, neuropsicóloga e psicopedagoga com
mais de duas décadas de sólida trajetória na intersecção entre clínica e
ambiente educacional. Fundadora do espaço SuperCog Aprendizagem. Movida por sua
vivência pessoal com o diagnóstico tardio de dislexia e TDAH, dedica sua carreira
ao desenvolvimento de metodologias estruturadas (como o raciocínio alfabético)
para auxiliar crianças, famílias e escolas a superarem barreiras acadêmicas e
cognitivas.

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Instagram: @veronickaseegmueller

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