Levantamentos da Sociedade Brasileira de Diabetes e do Ministério da Saúde mostram avanço da doença no país; especialistas alertam para sinais como sede excessiva, fadiga e urina frequente como indicativos de diabetes tipo I e tipo II
Os sintomas de diabetes podem começar de forma discreta, mas representam um sinal de alerta importante para uma doença que cresce de maneira consistente no Brasil e no mundo. Sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço persistente e perda de peso sem explicação estão entre as manifestações mais comuns. Reconhecer esses indícios é essencial diante do avanço da condição na população.
De acordo com dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Diabetes com base no Atlas da International Diabetes Federation de 2021, o Brasil ocupa a sexta posição entre os países com maior número de pessoas vivendo com diabetes. São aproximadamente 16,8 milhões de adultos, entre 20 e 79 anos, diagnosticados.
O levantamento é realizado a partir da consolidação de inquéritos nacionais de saúde, registros epidemiológicos e projeções demográficas. A estimativa global indica 537 milhões de adultos com a doença naquele ano, com projeção de crescimento para 643 milhões até 2030.
No âmbito nacional, dados do sistema Vigitel 2023, inquérito telefônico conduzido anualmente pelo Ministério da Saúde nas capitais brasileiras, apontaram que cerca de 10% dos adultos relataram diagnóstico médico de diabetes.
A pesquisa é feita por entrevistas telefônicas com amostras representativas da população adulta e serve como termômetro das doenças crônicas no país.
Sintomas clássicos e diferenças entre os tipos
Os sintomas mais frequentes incluem:
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sede intensa e boca seca;
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urina em excesso;
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fome constante;
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fadiga;
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visão embaçada;
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infecções recorrentes; e
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feridas de cicatrização lenta.
No diabetes tipo I, condição autoimune mais comum em crianças e adolescentes, os sintomas tendem a surgir de forma rápida e podem evoluir para quadros graves, como a cetoacidose diabética. Já o diabetes tipo II, responsável por cerca de 90% dos casos segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, geralmente está associado à resistência insulínica, excesso de peso e sedentarismo, evoluindo de maneira gradual.
A resistência insulínica ocorre quando o organismo não responde adequadamente à insulina produzida. Ela pode anteceder o diabetes tipo II e é frequentemente identificada em exames laboratoriais, que medem glicemia e níveis de insulina, além de sinais clínicos como acúmulo de gordura abdominal e escurecimento da pele em regiões como pescoço e axilas.
Impacto e complicações
O diabetes está entre as principais causas de complicações crônicas no país. Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, compilados pelo Ministério da Saúde em 2022, a doença figura entre as principais causas de internações por complicações evitáveis, como insuficiência renal e amputações de membros inferiores.
A condição também aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, responsáveis por elevada taxa de mortalidade.
Relatórios da International Diabetes Federation indicam que o diabetes esteve associado a aproximadamente 6,7 milhões de mortes no mundo em 2021, considerando causas diretas e complicações relacionadas. Os dados são obtidos a partir de registros de mortalidade, modelagens estatísticas e sistemas nacionais de vigilância em saúde.
Tratamento e controle
O tratamento inclui mudanças no estilo de vida e, quando necessário, uso de medicamentos. Entre os fármacos indicados para o controle do diabetes tipo II está o Forxiga, nome comercial da dapagliflozina, que atua aumentando a eliminação de glicose pela urina por meio da inibição do cotransportador SGLT2 nos rins.
Estudos clínicos multicêntricos publicados na última década demonstraram que a substância também pode reduzir o risco de hospitalização por insuficiência cardíaca em determinados perfis de pacientes.
Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce, realizado por exames como glicemia em jejum e hemoglobina glicada, é determinante para evitar complicações. Em uma doença que pode evoluir silenciosamente por anos, identificar os sintomas iniciais e buscar avaliação médica são medidas decisivas para preservar a qualidade de vida.
