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Neurocirurgião e especialista em dor destaca como o
cérebro comanda desde o metabolismo até o controle da dor, e explica o papel de
terapias modernas como a neuromodulação.

Quando o assunto é saúde cerebral, o senso comum tende a
restringir o tema à prevenção de doenças neurodegenerativas na terceira idade,
como o Alzheimer e outras demências. No entanto, a neurociência moderna
demonstra que a atuação do cérebro é infinitamente mais ampla, dinâmica e
transversal para o funcionamento de todo o organismo humano.

O cérebro não é apenas o guardião da memória; ele é o centro
de comando supremo responsável por regular o sono, modular a percepção da dor,
gerenciar as emoções, governar o metabolismo e ditar a capacidade de
concentração e foco.

Dr. Luiz Severo médico neurocirurgião, professor,
escritor, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade
Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), reconhecido como uma das jovens
lideranças médicas pela Academia Nacional de Medicina explicou como patologias
aparentemente distantes compartilham a mesma raiz neurológica e detalhar os
pilares para fortalecer a mente ao longo da vida.

O centro de comando: muito além da cognição

Condições clínicas de alta prevalência na população atual —
como quadros crônicos de ansiedade, depressão, fibromialgia, enxaqueca
refratária, insônia primária, fadiga mental crônica, TDAH e até mesmo
determinados subtipos de obesidade — não são falhas isoladas de órgãos
periféricos. Elas estão diretamente ligadas a disfunções na modulação e na
plasticidade do sistema nervoso central.

Quando o cérebro sofre com sobrecarga de estresse,
inflamação sistêmica ou déficits metabólicos, sua capacidade de processar
estímulos sensoriais e emocionais entra em colapso. É por essa razão que a dor
crônica, por exemplo, deixa de ser um mero sintoma de lesão tecidual e passa a
ser compreendida como uma doença do próprio sistema nervoso, exigindo um olhar
especializado e integrativo.

Como fortalecer o cérebro ao longo da vida?

A boa notícia trazida pela neuroplasticidade é que o cérebro
possui a capacidade contínua de se reorganizar, criar novas sinapses e se
fortalecer em qualquer fase da existência. A preservação da autonomia e da
qualidade de vida depende da adoção de hábitos diários que funcionam como um
verdadeiro escudo neuroprotetor:

  • Atividade
    física regular: O movimento libera fatores tróficos (como o BDNF) que
    estimulam o crescimento de novos neurônios e melhoram a circulação
    cerebral.
  • Sono
    de qualidade: É durante o sono profundo que o sistema glinofático realiza
    a “limpeza” de toxinas e resíduos metabólicos acumulados nos
    tecidos cerebrais ao longo do dia.
  • Aprendizado
    contínuo e leitura: Desafiar o cérebro com novos conhecimentos aumenta a
    reserva cognitiva, retardando o declínio mental.
  • Gerenciamento
    do estresse e conexões sociais: O isolamento social e o excesso de
    cortisol inflamam o tecido cerebral, prejudicando a memória e o humor.

Tratamentos modernos: o papel da neuromodulação

Para pacientes que já enfrentam condições incapacitantes,
como dores neuropáticas severas ou enxaqueca crônica que não respondem aos
tratamentos farmacológicos convencionais, a medicina intervencionista oferece
recursos altamente avançados.

Entre eles destaca-se a neuromodulação, uma técnica
moderna que utiliza estímulos elétricos ou magnéticos precisos para modular a
atividade de circuitos neurais hiperativos ou disfuncionais, devolvendo o
alívio e a funcionalidade ao paciente sem a necessidade de cirurgias invasivas
de grande porte.

Perguntas frequentes sobre saúde cerebral (FAQ)

De que maneira a falta de sono adequado prejudica o
funcionamento do cérebro?

Dormir mal afeta diretamente o córtex pré-frontal, área
responsável pelo planejamento, tomada de decisões e controle emocional. Além
disso, noites mal dormidas reduzem a capacidade do cérebro de consolidar
memórias e aumentam a sensibilidade à dor, elevando os níveis de inflamação
sistêmica.

O que é o conceito de neuroplasticidade mencionado pela
ciência?

A neuroplasticidadade é a habilidade extraordinária que o
sistema nervoso possui de se modificar, adaptar e reestruturar em resposta ao
aprendizado, a novas experiências ou após lesões neurológicas. Isso prova que o
cérebro nunca é um órgão estático.

Por que a fibromialgia é considerada uma disfunção do
sistema nervoso central?

Hoje a ciência comprova que pacientes com fibromialgia
apresentam um processamento central da dor alterado (uma facilitação na
transmissão dos estímulos dolorosos e uma falha nos mecanismos inibitórios
descendentes do cérebro), fazendo com que o corpo sinta dor de forma
amplificada.

Como a espiritualidade e os bons relacionamentos impactam
a saúde mental?

Manter vínculos sociais saudáveis e práticas de
espiritualidade ou meditação reduz os níveis de citocinas inflamatórias no
sangue, diminui a pressão arterial e estimula a liberação de ocitocina e
dopamina, promovendo resiliência emocional e proteção contra o declínio
cognitivo.

Fonte:

Dr. Luiz Severo – Neurocirurgião

CRM-PE: 24210 | RQE: 10983 — CRM-PB: 12554 | RQE: 7100

Médico neurocirurgião, professor e escritor. Reconhecido
como jovem liderança médica pela Academia Nacional de Medicina. Membro da
Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade Brasileira para o
Estudo da Dor (SBED). Criador do programa “Nossa jornada contra a sua
dor” e autor do livro “Você não precisa sentir dor”.

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