O dia 19 de outubro marca o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, uma data que integra as ações de conscientização do Outubro Rosa e reforça a importância da informação científica, da atenção à saúde das mamas e do acesso aos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama é o tipo de câncer mais frequentemente diagnosticado entre as mulheres no mundo. Em 2022, aproximadamente 2,3 milhões de mulheres receberam esse diagnóstico, evidenciando a relevância da doença como problema de saúde pública.
A detecção precoce, associada ao diagnóstico oportuno e ao tratamento adequado, é uma das principais estratégias para reduzir a mortalidade e melhorar os resultados clínicos. Por isso, a conscientização deve ir além de uma campanha anual: precisa promover conhecimento, acesso aos exames indicados e acompanhamento profissional.
Detecção precoce: compreender a diferença faz a diferença
A OMS distingue duas estratégias fundamentais para a detecção precoce do câncer de mama:
Diagnóstico precoce: consiste em reconhecer sinais e sintomas suspeitos, procurar avaliação profissional e garantir que a investigação diagnóstica e o tratamento ocorram sem atrasos desnecessários.
Rastreamento: corresponde à realização periódica de exames em pessoas sem sinais ou sintomas da doença, com o objetivo de identificar alterações suspeitas antes de sua manifestação clínica.
Essas estratégias são complementares. A ausência de sintomas não elimina a necessidade de rastreamento quando indicado; da mesma forma, a presença de um sinal suspeito exige investigação, independentemente da idade ou da data do último exame.
Mamografia e ultrassonografia: qual é o papel de cada exame?
A mamografia é o principal exame de imagem utilizado no rastreamento populacional do câncer de mama. Ela permite identificar alterações que podem não ser percebidas pela palpação, incluindo microcalcificações e lesões em fases iniciais.
No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde para o rastreamento populacional no Sistema Único de Saúde (SUS) é a realização da mamografia a cada dois anos em mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres fora dessa faixa etária podem necessitar de avaliação individualizada, considerando seus fatores de risco, suas preferências e a orientação profissional.
A ultrassonografia das mamas também desempenha um papel importante na avaliação clínica e radiológica. É frequentemente utilizada para investigar nódulos e outras alterações, diferenciar estruturas císticas de sólidas e complementar a mamografia em situações específicas, inclusive em mulheres com mamas densas.
É importante esclarecer, entretanto, que a ultrassonografia não substitui a mamografia como método de rastreamento populacional. Embora possa identificar lesões não evidenciadas inicialmente em outros exames, seu uso isolado para rastreamento não apresenta evidências suficientes de redução da mortalidade por câncer de mama.
A escolha dos exames deve considerar a idade, os sintomas, a densidade mamária, o histórico pessoal e familiar e o risco individual. Quando existe uma alteração suspeita, a investigação pode exigir exames adicionais e, conforme a avaliação clínica e radiológica, biópsia para confirmação diagnóstica.
Sinais de alerta: quando procurar avaliação profissional?
É fundamental conhecer as características habituais das próprias mamas e procurar atendimento diante de alterações novas ou persistentes, como:
* Nódulo na mama ou na região da axila.
* Alterações na pele, incluindo retração, espessamento ou aspecto semelhante à casca de laranja.
* Mudanças recentes no formato ou na posição do mamilo.
* Saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente quando unilateral ou com sangue.
* Alteração recente no tamanho ou no formato de uma das mamas.
Essas manifestações não significam necessariamente câncer, pois podem ter causas benignas. Entretanto, devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Não se deve aguardar o próximo exame de rotina quando surgirem sinais suspeitos.
Autoconhecimento e prevenção: o cuidado começa no cotidianoO conhecimento das próprias mamas favorece o reconhecimento de mudanças e a procura oportuna por atendimento. A observação e a palpação durante as atividades cotidianas podem ajudar nesse processo, sem a necessidade de seguir uma técnica rígida de autoexame.
O autoexame isolado, contudo, não demonstrou reduzir a mortalidade por câncer de mama e não deve ser apresentado como substituto do rastreamento recomendado.
Embora não seja possível prevenir todos os casos, algumas medidas contribuem para reduzir o risco de câncer de mama, como praticar atividade física regularmente, manter um peso corporal saudável, evitar ou limitar o consumo de bebidas alcoólicas e amamentar, quando possível.
A idade, a história familiar, determinadas alterações genéticas e outros fatores individuais também influenciam o risco. Pessoas com histórico familiar significativo ou predisposição hereditária podem precisar de avaliação especializada e estratégias individualizadas de acompanhamento.
Informação, acesso e tratamento oportuno.
A conscientização sobre o câncer de mama precisa estar associada à oferta de serviços de saúde, à qualidade dos exames, à investigação adequada de resultados suspeitos e ao acesso ao tratamento.
A OMS destaca que o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são pilares essenciais para reduzir a mortalidade. Identificar uma alteração é apenas uma etapa: é necessário assegurar que a pessoa tenha acesso à confirmação diagnóstica, ao cuidado multidisciplinar e ao tratamento indicado.
Neste 19 de outubro, o Outubro Rosa reforça uma mensagem fundamental: informação de qualidade, atenção aos sinais do corpo e acesso oportuno aos serviços de saúde são partes essenciais do cuidado com as mamas.Cuidar da saúde das mamas é um compromisso contínuo com a vida. A detecção precoce importa, e o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequados faz a diferença.
* Nutricionista Carmen Mathias (@carmen.mathias_nutricaom