Aos 10 anos, José Heitor já passou por diálise, transplante renal e rejeição do órgão
Nova modalidade de tratamento busca ampliar a eficiência da diálise e contribuir para uma rotina mais próxima da infância
Para muitas crianças, o Dia das Crianças é sinônimo de brincar, estar com os amigos e aproveitar momentos em família. Para José Heitor Almeida Miranda, de 10 anos, essa data comemorativa convive, desde muito cedo, com uma rotina de cuidados médicos. Natural do Amapá, o menino precisou ir para Fortaleza para ter acesso ao tratamento de que necessita, já que o tratamento especializado não estava disponível onde morava. Aos dois anos de idade, ele foi diagnosticado com uma doença renal cuja causa exata ainda não foi identificada. Com a evolução do quadro, seus rins deixaram de desempenhar adequadamente funções essenciais, como filtrar o sangue e eliminar substâncias que o organismo não precisa. Por isso, José Heitor precisou iniciar a chamada terapia renal substitutiva, nome dado aos tratamentos que assumem parte das funções dos rins quando eles já não conseguem realizá-las sozinhos.
Em 17 de dezembro de 2018, ainda criança, José Heitor realizou sua primeira sessão de diálise. O procedimento funciona como uma espécie de “filtro” externo do organismo: durante a sessão, o sangue passa por um equipamento que ajuda a retirar o excesso de líquidos e substâncias que se acumulam no corpo quando os rins não conseguem eliminá-las adequadamente. Anos depois, o menino passou por um transplante renal, na tentativa de substituir a função dos rins comprometidos por um órgão saudável. Em 2020, porém, apresentou rejeição do enxerto — situação em que o sistema imunológico do organismo reconhece o órgão transplantado como algo estranho e passa a atacá-lo. Com isso, José Heitor precisou retornar à diálise. Ele é acompanhado pela equipe da DaVita Meireles desde janeiro de 2023.
Em 27 de julho de 2026, o menino iniciou uma nova etapa de seu tratamento, com a primeira sessão de hemodiafiltração (HDF). A modalidade é uma evolução da terapia dialítica convencional e combina duas formas de filtragem do sangue. Na prática, isso permite retirar não apenas as substâncias menores que se acumulam no organismo, mas também moléculas maiores que podem permanecer no sangue durante a diálise convencional. Desde o início da HDF, José Heitor apresenta boa tolerância às sessões e, segundo a equipe que o acompanha, uma melhora perceptível na disposição e no bem-estar após a diálise. Também foram observados melhores resultados em exames utilizados para acompanhar sua condição clínica.
Para a nefrologia pediátrica, área da medicina dedicada às doenças dos rins em crianças e adolescentes, os resultados de um tratamento não devem ser avaliados apenas pelos exames. É preciso considerar também o impacto que a terapia tem sobre o crescimento, o desenvolvimento, a rotina escolar, a convivência familiar e a possibilidade de a criança realizar atividades próprias da sua idade. “Nosso objetivo vai além de obter uma adequada depuração de toxinas e controle dos exames laboratoriais. Buscamos oferecer um tratamento que permita à criança crescer, se desenvolver e preservar, tanto quanto possível, uma rotina compatível com a infância”, explica Amanda Virgínia Batista Cavalcante, nefrologista pediátrica da DaVita Meireles.
No caso de José Heitor, essa preocupação ganha uma dimensão ainda maior. Sua infância foi marcada por uma longa trajetória de cuidados médicos, que incluiu diálise, transplante renal, rejeição do órgão transplantado e o retorno à diálise. Uma sessão de hemodiálise pode ocupar várias horas do dia de uma criança, ocupando o lugar de atividades como escola, brincadeiras, passeios ou convivência com outras crianças. Por isso, uma terapia que seja bem tolerada e que contribua para um melhor controle da doença pode ter reflexos também na vida fora da clínica. “Todo avanço que contribua para uma conduta mais eficiente e bem tolerada pode repercutir também fora da clínica, proporcionando melhores condições para o desenvolvimento dessa criança. Nosso objetivo é que a diálise faça parte da vida dela, mas que a vida dela nunca se resuma à diálise”, afirma a especialista, reforçando a importância de uma assistência pediátrica que considere a criança de forma integral.
Sobre a DaVita
Presente no Brasil desde 2015, a DaVita atende atualmente cerca de 28 mil pacientes e conta com mais de 110 operações distribuídas pelo país. A empresa possui mais de 8 mil profissionais especializados e atua no cuidado de pessoas com doença renal crônica, com foco na ampliação do acesso, na qualidade assistencial e na evolução contínua dos modelos de cuidado.