De Khloé Kardashian a Jennifer Aniston: peptídeos viram febre nos EUA e movimentam mercado bilionário
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Khloé Kardashian, Jennifer Aniston e Gwyneth Paltrow estão entre as celebridades que já falaram publicamente sobre peptídeos, assunto que ganhou espaço nas conversas sobre beleza, bem-estar e longevidade nos Estados Unidos. A movimentação já chegou ao mercado: estimativas citadas pela Reuters apontam um potencial de US$ 2,2 bilhões a US$ 3,3 bilhões no país. Mas, afinal, o que são peptídeos?

Em termos simples, são pequenas cadeias de aminoácidos, componentes que também formam as proteínas, cada um para uma determinada função, como a insulina, um hormônio peptídico utilizado terapeuticamente há mais de um século, e medicamentos que atuam no receptor de GLP-1.

Alguns já são conhecidos e utilizados pela medicina há décadas, como. Outros pegaram carona na onda do wellness e do biohacking e se popularizaram antes que existissem estudos clínicos suficientes para responder a todas as questões sobre segurança, eficácia e efeitos de longo prazo.

Morando nos Estados Unidos, a brasileira Gabriela Kulaif, atriz e produtora que lançou recentemente “BitterSweet” na Apple TV acompanhou essa febre de perto e decidiu pesquisar o assunto há cerca de um ano.

“Nunca gostei de tomar remédios e sempre me tratei com medicinas alternativas como homeopatia e acupuntura. Há 1 ano, com o boom dos peptídeos aqui nos Estados Unidos, decidi começar a pesquisar mais profundamente sobre o que são, como funcionam, possíveis efeitos colaterais e como usá-los de forma responsável. Foi aí que descobri um universo que mudou completamente a minha forma de enxergar saúde e longevidade.”

Gabriela passou a fazer uso de peptídeos e diz ter percebido mudanças na disposição e em questões relacionadas ao bem-estar. Os relatos são experiências pessoais e não significam que os mesmos resultados possam ser esperados por outras pessoas. Ela afirma que mantém acompanhamento de médicos especialistas e realiza exames periódicos.

“Fiquei tão impressionada com a eficiência que comecei a procurar cursos para aprender mais sobre o assunto, estou fazendo um curso de biohacking com foco em peptídeos, longevidade e otimização da saúde on line aqui nos Estados Unidos e já me planejando para outros cursos ainda mais especializados.”

Não é só “coisa de famoso”

As celebridades ajudaram a colocar os peptídeos no radar, mas Gabriela diz que o cenário que encontra hoje nos Estados Unidos já é outro.

“O uso de peptídeos aqui cresceu muito. Já deixou de ser algo restrito a atletas, e celebridades. Cada vez mais vejo médicos e clínicas de wellness incorporando tratamentos com peptídeos. E o público também se ampliou muito: são pessoas buscando desde performance e ganho de massa muscular até recuperação de lesões, melhora metabólica, estética, energia e longevidade.”

A corrida da ciência

A popularidade, porém, corre mais rápido do que as respostas da ciência para algumas dessas substâncias. Em julho, um comitê consultivo da FDA, agência reguladora americana, analisou sete peptídeos que vêm ganhando espaço no mercado e recomendou permitir a manipulação de seis deles. Isso não significa que tenham sido aprovados pela FDA. Para algumas dessas moléculas, ainda faltam estudos clínicos robustos em humanos.

“O consumo já está acontecendo e não é de hoje. Na prática, existe um mercado que avançou muito mais rapidamente do que a regulamentação”, diz Gabriela. Ela chama atenção para o fato de que colocar todos os peptídeos no mesmo pacote também é um erro. A categoria é enorme e inclui moléculas com níveis de evidência muito diferentes.

“Existe uma certa generalização quando se diz que ‘faltam estudos sobre peptídeos’, porque estamos falando de uma categoria enorme de moléculas. Alguns peptídeos realmente ainda precisam de estudos clínicos robustos em humanos, mas outros fazem parte da medicina há décadas.”
No Brasil, algumas das substâncias que se tornaram populares nessa onda não possuem registro como medicamentos na Anvisa. A agência já fez alertas sobre produtos divulgados nas redes sociais e reforça que itens sem registro não passaram pela avaliação necessária para comprovar qualidade, segurança e eficácia. Outros, no entanto, já são amplamente comercializados, como a Tirzepatida e a Semaglutida, famosos emagrecedores.

Sem tempo a perder

Para Gabriela, mais do que importar a febre americana, o Brasil deveria acompanhar a discussão científica que veio junto com ela.
“Acho que o Brasil tem uma grande oportunidade de avançar nessa discussão. Precisamos investir mais em pesquisa sobre peptídeos, entender melhor seu potencial terapêutico e criar caminhos seguros para pesquisa, produção e regulamentação.”
Com o mercado crescendo e o assunto chegando cada vez mais às redes sociais, ela acredita que a pesquisa precisa correr para diminuir a distância entre a curiosidade do público e aquilo que a ciência consegue, de fato, afirmar.

“Quanto mais tempo a ciência levar para estudar essas substâncias, maior será a distância entre o que as pessoas estão fazendo na prática e as informações confiáveis disponíveis para orientá-las.”

Gabriela Kulaif nas redes
https://www.instagram.com/gabrielakulaif/

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