Construtoras utilizam inteligência artificial para ampliar a qualidade dos projetos e impactar a obra
Divulgação

Informações incompletas dos projetos comprometem quantitativos, orçamentos e compras de materiais; caso apresentado pela AltoQi aponta redução de cerca de 92% no trabalho operacional de auditoria da informação dos projetos

Um projeto digital pode mostrar como um edifício será construído e, ainda assim, não conter as informações necessárias para extrair os quantitativos com precisão e elaborar o orçamento com confiança. Essa lacuna entre os projetos e a construção está no centro de uma aplicação de inteligência artificial nas construtoras: a auditoria das informações dos projetos modelados.

Em um caso relatado pela AltoQi, uma construtora reduziu em cerca de 92% o trabalho operacional de auditoria das informações de modelos BIM (Modelagem da Informação da Construção) e, com os modelos auditados, alcançou 75% dos quantitativos extraídos dos projetos modelados.

Os resultados são apresentados por Felipe Garcia, da área de Product Marketing da AltoQi, empresa catarinense especializada em soluções tecnológicas para Gestão Digital da Construção e projetos de engenharia, e se referem à experiência de uma construtora com a tecnologia. A AltoQi lançou, na última semana, uma nova versão do Visus, plataforma que, além de conectar e centralizar o processo de tarefas, gestão de arquivos, coordenação da compatibilização, extração de quantitativos e orçamento em um único ambiente, agora traz funcionalidades para recebimento de projetos, auditoria da informação dos projetos com agentes de IA e acompanhamento da evolução da qualidade informacional dos modelos.

Assista a live de lançamento da nova versão do Visus aqui.

Segundo Garcia, as conversas da AltoQi com construtoras identificaram um obstáculo recorrente: o uso do BIM, metodologia que associa modelos digitais a informações da construção, ainda se concentra na modelagem e na compatibilização dos projetos. O avanço para a extração de quantitativos, orçamento e construção se esbarra em informações ausentes ou incompletas.

Felipe Garcia

Uma parede, por exemplo, pode estar representada em três dimensões sem trazer as especificações de chapisco e reboco. A ausência dessas informações compromete a extração de quantitativos dos serviços necessários para executá-la em obra.

“Se eu não tenho a informação, como é que eu extraio um quantitativo confiável?”, questiona Garcia.

Na avaliação do profissional, o problema começa antes do canteiro de obras: a construtora precisa definir quais informações espera receber, e o projetista precisa incorporá-las ao modelo. Quando essa entrega acontece parcialmente ou não acontece, as equipes podem retornar às planilhas para quantificação e orçamento, interrompendo a conexão entre o projeto digital, disciplinas da engenharia de custos e obra.

O resultado, explica, pode ser retrabalho e duplicação de tarefas entre escritório e canteiro, com quantitativos de serviços e materiais divergentes para direcionar uma compra. Materiais adquiridos em excesso imobilizam recursos; quantidades insuficientes exigem novas compras e podem prejudicar o andamento dos serviços.

Da informação à construção do empreendimento

A proposta da auditoria é identificar essas lacunas antes que elas comprometam as etapas seguintes e os resultados previstos do empreendimento. Os agentes de inteligência artificial comparam as informações do modelo com um documento de referência definido para a análise e listam os elementos que atendem aos requisitos e aqueles que apresentam pendências.

A integração entre projeto, quantitativos, orçamento e obra depende também do alinhamento entre quem contrata e quem desenvolve os modelos

O profissional pode localizar cada item no modelo tridimensional e verificar, por exemplo, qual especificação está faltando em determinada parede. A ferramenta também apresenta um índice de conformidade de zero a 100%, conforme os requisitos do documento utilizado na auditoria, além de observações e recomendações.

Com as informações verificadas, o modelo passa a oferecer uma base mais consistente para calcular quantidades precisas, elaborar orçamentos confiáveis, orientar a compra de materiais e impactar positivamente as etapas construtivas. O objetivo é fazer com que os dados produzidos na etapa de projeto sejam utilizados nas decisões da construção, reduzindo a necessidade de refazer levantamentos ao longo do processo.

Segundo Garcia, é nessa passagem para a execução que as construtoras podem ampliar o retorno sobre o investimento em BIM. Quando o uso da metodologia fica restrito à modelagem e à compatibilização, parte dos benefícios esperados não chega ao canteiro.

Revisão humana permanece essencial

A automatização da auditoria mantém a necessidade de análise profissional. Os resultados ficam disponíveis para revisão, permitindo conferir o trabalho da IA, interpretar as inconsistências e identificar falhas recorrentes nas informações entregues.

BIM é a metodologia que associa modelos digitais a informações da construção

“Eu vou revisar a auditoria da informação que a IA fez nos projetos ”, afirma Garcia.

No caso relatado pelo profissional, a redução do trabalho operacional de auditoria e vínculo de 75% dos quantitativos extraídos com os elementos dos projetos modelados permitiram direcionar mais tempo da equipe à análise técnica e às particularidades de cada projeto.

Para Garcia, a integração entre projeto, quantitativos, orçamento e obra depende também do alinhamento entre quem contrata e quem desenvolve os modelos. “A construtora precisa pedir que a informação esteja modelada e o projetista precisa entregar. A auditoria dos projetos com agentes de IA permite que essa etapa seja mais fluída, confiável e automatizada, principalmente porque ela impacta diretamente as etapas de quantificação, orçamento e construção.”

Acompanhe aqui a live de lançamento do novo Visus: https://www.youtube.com/live/m37hJPkZzCI

Encontrou algum erro? Entre em contato