Poeira, fumaça, poluição e infecções respiratórias estão entre os gatilhos que podem desencadear ou agravar os sintomas
A asma é uma doença crônica caracterizada pela inflamação e pelo estreitamento das vias aéreas, que podem dificultar a passagem do ar e causar sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax. Por ser uma patologia muito comum e semelhante a outros quadros respiratórios, conhecer os fatores de risco da asma é importante para entender mais sobre os estímulos que podem aumentar a inflamação dos brônquios e dificultar a passagem do ar para quem já sofre com a doença.
Durante uma crise, as vias respiratórias se tornam mais estreitas, fazendo com que sintomas que não parecem preocupantes, como tosse persistente ou falta de ar, ganhem intensidade. A frequência e a gravidade desses episódios variam de acordo com cada pessoa e com a exposição aos seus próprios gatilhos, assim como a evolução da condição para outros cenários clínicos mais delicados.
Para se ter uma ideia da dimensão do problema, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a asma afetou cerca de 262 milhões de pessoas no mundo em 2019 e foi responsável por aproximadamente 455 mil mortes naquele ano. Em dados mais recentes, a entidade estima que cerca de 363 milhões de pessoas conviviam com a doença em 2023.
Embora não exista cura definitiva, a asma pode ser controlada. Para isso, é preciso entender como o organismo reage aos gatilhos e quais cuidados ajudam a reduzir a frequência das crises.
Fatores de risco da asma: principais gatilhos que podem desencadear crises
É importante ressaltar que os gatilhos da asma não são iguais para todas as pessoas. Um fator que provoca sintomas em um paciente pode não ter o mesmo efeito em outro. Por isso, observar quando e como as crises acontecem é uma etapa importante do controle da asma.
Entre os fatores ligados ao próprio organismo estão alergias e infecções respiratórias. O contato com alérgenos, como pólen e pelos de animais, pode desencadear uma resposta inflamatória em pessoas sensíveis, enquanto resfriados e gripes podem agravar a inflamação das vias aéreas.
Já considerando fatores externos, a condição do ar também interfere nas crises. O material particulado fino, conhecido como PM2.5 (material particulado de 2,5 micrômetros), reúne partículas com até 2,5 micrômetros de diâmetro, pequenas o suficiente para alcançar regiões profundas dos pulmões. Nas Diretrizes Globais de Qualidade do Ar, publicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2021, a recomendação é que a concentração média anual de PM2.5 não ultrapasse 5 µg/m³ e que a média em 24 horas fique em até 15 µg/m³. A exposição a concentrações acima desses valores pode representar riscos à saúde, especialmente para pessoas com doenças respiratórias como a asma.
Nos ambientes fechados, a atenção deve se voltar ao acúmulo de alérgenos. Ácaros, poeira e mofo podem estar presentes em colchões, travesseiros, tapetes e estofados e desencadear sintomas em pessoas sensíveis. Fumaça, produtos químicos e cheiros fortes também podem irritar as vias respiratórias.
Em resumo, entre os principais fatores de risco e gatilhos da asma estão: — Alergias e a exposição a alérgenos, como pólen e pelos de animais; — Infecções respiratórias, como resfriados e gripes; — Poluição do ar e exposição ao material particulado fino, como o PM2.5; — Ácaros, poeira e mofo em ambientes fechados; — Fumaça, produtos químicos e cheiros fortes; — Mudanças de temperatura e umidade.
Medidas preventivas para reduzir riscos e evitar episódios graves
Com os fatores de risco identificados, algumas mudanças na rotina e no ambiente podem ajudar a diminuir a exposição e a prevenir crises mais graves de asma. Manter os espaços livres do acúmulo de poeira, observar sinais de umidade e mofo e evitar a fumaça do cigarro são medidas importantes.
Em dias de pior qualidade do ar, também pode ser necessário reduzir a exposição à poluição, especialmente quando ela costuma desencadear sintomas. Nesses períodos, pessoas com asma podem evitar atividades físicas ao ar livre e a permanência prolongada em locais com grande concentração de fumaça e poluentes. O uso de umidificadores de ar em ambientes fechados também pode ajudar. O ideal é sempre manter quartos e salas arejados, com ventilação natural.
As infecções respiratórias, incluindo resfriados sazonais, também merecem atenção, já que, em alguns casos, podem aumentar a inflamação das vias aéreas e desencadear ou agravar os sintomas da asma. Por isso, medidas preventivas, incluindo as vacinas recomendadas pelo profissional de saúde, podem fazer parte da estratégia para reduzir esses riscos.
Ainda assim, evitar os gatilhos não substitui o tratamento da condição. Dependendo da intensidade dos sintomas e do histórico clínico, o médico pode indicar medicamentos de alívio e de controle contínuo, incluindo anti-inflamatórios inalatórios e broncodilatadores ou associações entre essas substâncias. Entre os medicamentos que podem ser prescritos está o alenia, por exemplo, que combina um corticosteroide inalatório e um broncodilatador de longa duração. A escolha do tratamento deve ser feita de forma individual, conforme a avaliação do especialista.
A importância do acompanhamento médico e dos cuidados diários
Assim, a prevenção, o reconhecimento dos sintomas asmáticos e o tratamento contínuo ajudam a manter a doença sob controle. O acompanhamento médico é indispensável para identificar gatilhos, avaliar mudanças no quadro e ajustar o tratamento quando necessário.
É sempre importante ressaltar que a automedicação deve ser evitada, uma vez que não substitui o diagnóstico e a orientação profissional.