Como grandes estúdios qualificaram um designer brasileiro a perseguir seu próprio sonho nos games

Como grandes estúdios qualificaram um designer brasileiro a perseguir seu próprio sonho nos games

Samantha Di Khali
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Durante anos, atuar em grandes empresas da indústria de jogos foi, para Nelson Pereira Neto, mais do que uma conquista profissional, foi uma formação estratégica.
O designer brasileiro de UI/UX – sigla para User Interface (interface do usuário) e User Experience (experiência do usuário) – construiu sua trajetória colaborando com estúdios internacionais de peso, experiência que, segundo ele,
foi determinante para desenvolver as habilidades e a visão necessárias para dar um passo além: iniciar seu próprio projeto autoral.

Com cerca de uma década de atuação no setor, Nelson trabalhou diretamente com estúdios como a Gunfire Games e a Grinding Gear Games, participando da criação
de interfaces para títulos de grande alcance global, como Darksiders III, Remnant: From the Ashes, Remnant II e Path of Exile. Em projetos desse porte, a interface não é apenas um detalhe visual: é
parte fundamental da experiência, da retenção de jogadores e da identidade do produto. Mas foi nos bastidores dessas produções que ele afirma ter adquirido seu maior diferencial.

“Trabalhar em grandes empresas e acompanhar de perto como tudo funciona me permitiu entender não apenas o design, mas o ecossistema completo do desenvolvimento de um jogo”,
destaca. Ao longo dos anos, sua atuação foi além da criação visual. Envolveu programação de interfaces, estruturação de sistemas escaláveis e desenvolvimento
de ferramentas personalizadas para otimizar fluxos de trabalho dentro dos estúdios.

Essa vivência ampliou suas competências técnicas desde a arte à implementação e, principalmente, sua compreensão das necessidades reais das empresas.
Orçamentos, prazos, limitações técnicas, integração entre departamentos, exigências de mercado e relacionamento com comunidades de jogadores passaram a fazer parte de sua visão
estratégica.

Segundo Nelson, observar o desenvolvimento de grandes franquias permitiu entender com clareza os desafios enfrentados pelos estúdios e as decisões que moldam um produto final.
Essa leitura do mercado foi essencial para que ele enxergasse novas possibilidades.

Depois de anos contribuindo para jogos de alcance mundial, o designer começou a amadurecer um objetivo pessoal: criar seu próprio jogo autoral. A experiência acumulada,
tanto técnica quanto estratégica, tornou-se a base para essa nova etapa. “Ver o processo completo, do conceito ao lançamento e à manutenção contínua, abriu meus olhos
para o que é necessário para tirar uma ideia do papel”, afirma.

Atualmente atuando como consultor e diretor de UI/UX, Nelson segue colaborando com grandes estúdios internacionais, mas já direciona parte de sua energia para o desenvolvimento
de um projeto próprio. A diferença, segundo ele, está na segurança adquirida ao longo da trajetória: entender como funcionam as engrenagens internas da indústria reduz riscos e amplia
a capacidade de planejamento.

Sua história reforça uma percepção comum no mercado criativo: trabalhar em grandes empresas pode ser uma escola intensa. Mais do que estabilidade ou reconhecimento,
oferece acesso a processos estruturados, padrões de qualidade elevados e uma visão clara das demandas globais do setor.

Para profissionais que sonham em criar seus próprios jogos, a experiência de Nelson Pereira Neto indica um caminho possível: aprender com os gigantes, absorver métodos,
entender os bastidores e, a partir dessa base, construir algo próprio. Em um mercado cada vez mais competitivo, conhecimento técnico aliado à visão estratégica pode ser o diferencial entre
apenas participar da indústria e, de fato, deixar uma marca autoral nela.

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