Com verão histórico, entretenimento infantil vira aposta do turismo e do mercado financeiro

Com verão histórico, entretenimento infantil vira aposta do turismo e do mercado financeiro

Fernanda Leite
5 min de leitura 69

Parque de diversões em Campinas reflete crescimento do lazer familiar em meio à temporada mais movimentada da história

A retomada do turismo e do consumo de lazer no Brasil tem impulsionado o setor de entretenimento infantil. Com projeções positivas para 2026, o segmento se consolida como um dos principais vetores de atração de público em destinos urbanos e regionais. Um exemplo desse movimento é o DiverPark, complexo de lazer instalado no Shopping Dom Pedro, em Campinas (SP), que amplia a oferta de atividades voltadas ao público familiar local durante as férias e deve atrair visitantes de outras regiões e estados, atuando como vetor de turismo no município.

O cenário é favorável. De acordo com a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), o setor de recreação e entretenimento deve movimentar R$ 151,9 bilhões em 2026, crescimento de 7,8% em relação a 2025. No ano de 2024, o setor movimentou R$ 131,8 bilhões, aumento de 6,2% na comparação com 2023. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que o turismo brasileiro alcance o maior verão da história em volume de negócios, com faturamento estimado em R$ 218,77 bilhões entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. A combinação de férias escolares, feriados prolongados e grandes eventos tende a sustentar o aumento do fluxo de visitantes em atrações de lazer em todo o país.

Segundo a 3ª edição do Estudo Parques, atrações turísticas e entretenimento no Brasil, realizado pelo Sindepat, a Adibra e a Noctua, na América Latina, o setor de parques gera um impacto direto e indireto de receita estimado em US$ 30,1 bilhões. Somente no Brasil, o setor registrou 138 milhões de visitantes ao ano e movimentou R$ 8,4 bilhões em faturamento no ano de 2025.

Entre os exemplos de sucesso que ajudam a consolidar essa tendência está a exposição Dinos Alive, que tem atraído grande público na capital paulista e se destacado no calendário de turismo infantil. Com bilheterias movimentadas e forte procura por famílias, o Dinos Alive reforça como eventos e atrações diferenciadas contribuem para dinamizar a economia do turismo interno. A exposição conta com a promoção do Park Investimentos Wonderland Brasil e está aberta na Oca do Parque Ibirapuera.

“O crescimento do entretenimento infantil está diretamente ligado a uma necessidade real das famílias. Para pais com filhos pequenos em período de férias, não se trata de luxo, mas da necessidade de oferecer atividades seguras, estruturadas e que realmente ocupem o tempo das crianças. Esse tipo de atração resolve um problema do dia a dia das famílias e, por isso, tende a manter uma demanda constante, independentemente do ciclo econômico”, afirma Andres Julian Orozco Cardona, CEO do Park Investimentos Wonderland Brasil. O executivo obteve a marca de mais de três milhões de ingressos vendidos em 4 países. Cardona foi o idealizador do Parque Ártico Neve e Gelo, eleito a segunda melhor atração de entretenimento do Brasil em 2023 pela Adibra.

Esse aumento consistente da demanda por atrações voltadas ao público familiar não movimenta apenas o turismo e o comércio local, mas também abre espaço para novas oportunidades de investimento no setor de lazer e entretenimento. O DiverPark de Campinas, que reúne atrações de grande porte voltadas ao entretenimento infantil e familiar, como o Ártico Pocket, o Infla Park (circuito de infláveis), o Trampolim Park e o Circuito Adventure, está sendo viabilizado por meio de uma operação estruturada na plataforma de ativos reais Hurst Capital, que conecta investidores ao financiamento do parque por meio da antecipação de receitas de bilheteria.

A estrutura da operação ocorre via Certificados de Recebíveis (CRs), referentes à 197ª emissão da Hurst Capital. Os recursos captados são destinados ao financiamento das atrações do parque, com aporte mínimo de R$ 10 mil. A rentabilidade bruta estimada para o investidor é de 23,14% ao ano, com prazo projetado de seis meses para o resgate do capital e dos juros, seguindo o fluxo de retenção da bilheteria do evento. A operação é lastreada em direitos creditórios de uma Nota Comercial emitida pela empresa Museu e Park Investimentos Wonderland Brasil.

O pagamento aos investidores conta com garantia de cessão fiduciária de 13% do faturamento da bilheteria e das vendas de produtos no local, mecanismo conhecido como cross selling. A Sympla atua como ticketeira oficial, sendo responsável pela operação das vendas e pelo repasse dos valores que lastreiam o investimento, o que aumenta a previsibilidade dos fluxos financeiros.

Segundo Arthur Farache, CEO da Hurst Capital, o modelo amplia o acesso a alternativas de financiamento para o setor de entretenimento. “Essa estrutura permite conectar investidores ao crescimento de projetos de lazer com forte demanda sazonal, ao mesmo tempo em que viabiliza a expansão de iniciativas voltadas ao turismo e à economia local”, afirma.

A escolha de Campinas como sede do DiverPark se apoia no forte potencial turístico e de consumo da região. Com mais de 3 milhões de habitantes, o entorno concentra um público significativo, além de receber visitantes de cidades vizinhas. O Shopping Dom Pedro, onde o parque está instalado, registrou 19 milhões de visitantes em 2024, com média mensal de 1,6 milhão de consumidores, consolidando-se como um dos principais polos de lazer e compras do interior paulista.

Entre os destaques, o complexo terá castelo de gelo de 12 metros de altura, construído com cerca de 200 mil toneladas de gelo, além do maior circuito de infláveis do país. Segundo Cardona, o projeto foi pensado para atender a famílias em busca de experiências diferenciadas. “O DiverPark foi concebido para ser o maior parque de entretenimento familiar da região, unindo atrações de grande escala e uma estrutura preparada para receber um alto volume de visitantes durante as férias”, afirma.

Com fluxo previsível de visitantes, forte sazonalidade positiva nas férias e bilheterias concentradas em períodos específicos do ano, projetos desse tipo passam a atrair estruturas financeiras baseadas na antecipação de receitas, permitindo que investidores participem diretamente do crescimento do turismo doméstico. “Em um cenário de retomada consolidada das viagens e de expansão do consumo de experiências, o entretenimento infantil se posiciona não apenas como vetor de atração turística, mas também como uma classe de ativos ligada à economia real e ao desempenho do setor de serviços”, conclui Farache.

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