Infusão de
anestésico traz remissão de sintomas em até 15 dias e reduz pensamentos
suicidas em 84% dos pacientes que não respondem a remédios orais.
A depressão é
uma das condições mais prevalentes na sociedade contemporânea, afetando até 20%
das pessoas ao longo da vida, independentemente de classe social. No entanto,
os dados de recuperação com tratamentos convencionais não são animadores.
Revisões de grandes trabalhos científicos, como o estudo STAR-D, mostram que
até 65% dos pacientes que utilizam diversos medicamentos por via oral não
respondem bem à terapia farmacológica tradicional.
Para
compreender como o uso terapêutico da cetamina está transformando esse cenário,
conversamos com o Dr. Tiago Gil médico anestesiologista, pos graduado em
psiquiatria, e expert em uso de cetamina na psiquiatria.
O que define
a depressão resistente?
O objetivo
principal no tratamento da depressão é sempre a remissão completa dos sintomas,
permitindo que o indivíduo recupere sua funcionalidade anterior. Contudo, essa
conquista é restrita a uma minoria dos pacientes que dependem exclusivamente de
medicações orais.
Quando um
paciente passa por ciclos de psicoterapia, pratica exercícios físicos e realiza
o teste com dois medicamentos orais diferentes sem obter resposta completa, o
quadro é classificado como depressão resistente. “A chance de resposta
no terceiro ou quarto medicamento oral é muito baixa, em torno de 10% a 15%
apenas. São essas pessoas que tratamos com cetamina, o que acaba sendo a
maioria dos que sofrem por depressão, não a exceção”, explica o Dr.
Tiago Gil.
Como a
substância atua no cérebro de forma inovadora
Diferente dos
antidepressivos tradicionais, que tentam modificar os níveis de
neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina — uma teoria de
desbalanço químico que já foi superada no campo científico —, a cetamina atua
diretamente na atividade elétrica cerebral de forma imediata e temporária.
A medicação age
sobre os receptores de glutamato, um neurotransmissor excitatório, reduzindo a
atividade em pontos específicos ligados aos sintomas depressivos, como o
hipocampo e a habênula lateral, além da amígdala cerebral, associada aos
quadros ansiosos. Esse mecanismo ativa respostas antidepressivas em 75% dos
indivíduos e diminui a ideação suicida em 84% dos tratados. Enquanto os
remédios orais levam semanas para iniciar algum efeito, o tratamento com
cetamina possibilita a recuperação do paciente em até duas semanas a partir da
primeira infusão.
Protocolo de
segurança e o papel do médico anestesiologista
A cetamina e a
escetamina são moléculas correlatas com resultados clínicos idênticos e perfil
de segurança elevado, desde que administradas em ambiente adequado. Por ser um
anestésico em sua essência, capaz de induzir anestesia geral em doses elevadas,
o procedimento exige rigor técnico e monitoramento constante.
O Conselho Regional
de Medicina regulamenta que a aplicação seja conduzida como um ato anestésico
de sedação. O paciente deve passar por avaliação pré-anestésica e permanecer
monitorizado continuamente com oxímetro, medidor de pressão arterial automático
e analisador cardíaco. “Deve haver um médico sentado ao lado do paciente,
dentro da sala, o tempo todo. Por ser um anestésico, o médico anestesiologista
é o profissional qualificado para manejar a medicação e intervir em qualquer
intercorrência”, ressalta o especialista.
Ausência de
efeitos colaterais comuns e quebra de preconceitos
Uma das grandes
vantagens da cetamina em relação aos tratamentos convencionais é a ausência de
efeitos colaterais de longo prazo. O composto não engorda, não causa alterações
metabólicas, tremores, perda de libido ou alterações no hábito intestinal. Além
disso, dados de pacientes em ambiente clínico real indicam que 64% reduzem
drasticamente os pensamentos de morte logo após a primeira sessão.
O Dr. Tiago Gil
enfatiza que o preconceito em relação à substância decorre da falta de
informação sobre a diferença entre o uso médico e o recreativo. “Não há
registros na literatura médica de pacientes que iniciaram o tratamento clínico
com cetamina e desenvolveram vício ou buscaram o uso recreativo. Todos os
registros de abuso começam diretamente no contexto recreativo e associados a
múltiplas drogas”, esclarece. O bloqueio ou medo do profissional de
saúde em adotar a terapia faz com que ele limite suas opções a armamentos
antigos contra a depressão severa, o transtorno bipolar e a ansiedade grave.
Perguntas
frequentes sobre o tratamento com cetamina (FAQ)
Qual é a
diferença entre cetamina e escetamina no tratamento?
Ambas são
moléculas correlatas que apresentam resultados idênticos e o mesmo nível de
eficácia e segurança no tratamento da depressão resistente quando aplicadas sob
o protocolo médico correto.
A cetamina
pode causar dependência química se usada no consultório?
Não há
evidências na literatura médica de pacientes que tenham migrado do tratamento
clínico supervisionado para o abuso. Ao contrário de ansiolíticos e
anfetaminas, que frequentemente iniciam a dependência por meio de prescrição, o
desvio da cetamina ocorre exclusivamente a partir do uso recreativo de rua.
Quais são os
efeitos colaterais de longo prazo da cetamina?
O uso
terapêutico da cetamina não apresenta efeitos colaterais de longo prazo.
Diferente dos antidepressivos tradicionais, ela não provoca ganho de peso,
alterações metabólicas, tremores, disfunção sexual ou problemas intestinais.
Quanto tempo
demora para o paciente sentir melhora nos sintomas?
A velocidade de
ação é um dos principais diferenciais do tratamento. Em poucas horas ou dias
após as aplicações, os pacientes apresentam melhora significativa, com redução
de 64% da ideação suicida já na primeira sessão e remissão do quadro em até
duas semanas.
Fonte:
Dr. Tiago Gil –
Anestesista CRM-SP: 157.384 | RQE:
64.781
Médico
Anestesiologista graduado pela Universidade Cidade de São Paulo e com
especialização pelo Hospital Stella Maris. Possui artigo cientifico publicado
sobre o tema e é autor do livro “Cetamina e Depressão – o que aprendi na sala
de infusão”, que conta historias de pacientes que se trataram com cetamina ao
longo desses anos. Disponível no mercado livre e na Amazon em E-book
Instagram:
@cetamina
Site: www.drtiagogil.com.br