Hemython Nascimento*
O
uso do feno é uma estratégia fundamental na conservação de forrageiras, baseada
na desidratação parcial do material volumoso para preservar seu valor
nutritivo. Devido ao custo relativamente elevado do processo, a escolha costuma
recair sobre espécies com alto valor nutricional e boa produtividade por área.
Atualmente,
os materiais mais utilizados para fenação no Brasil pertencem ao gênero Cynodon spp., com destaque
para o Tifton 85. Essa cultivar reúne características que favorecem a produção
de feno de alta qualidade, como elevado teor de proteína, alta relação folha: colmo
e colmos finos, que facilitam etapas como corte, secagem, enleiramento e
enfardamento.
No
entanto, a implantação dessas áreas tende a ser mais onerosa, já que a maioria
das cultivares desse gênero é propagada por mudas, exigindo maior investimento
em mão de obra. Além disso, os poucos materiais disponíveis via sementes
apresentam custo elevado.
Como
alternativa mais econômica e eficiente, produtores têm adotado outras
forrageiras, especialmente dos grupos Panicum
e Brachiaria.
Entre elas, o capim Tamani (Panicum
maximum BRS Tamani) tem se destacado por suas características
morfológicas, produtivas e nutricionais. Já consolidado em sistemas de pastejo,
integração lavoura-pecuária e consórcios com milho ou sorgo para silagem, o
Tamani também vem apresentando excelentes resultados na produção de feno.
Do
ponto de vista morfológico, o capim Tamani é altamente favorável à fenação, com
elevada relação folha: colmo e colmos finos, o que acelera a desidratação e
facilita o enfardamento. Soma-se a isso o bom teor de proteína e a alta
digestibilidade, resultando em um produto final de elevado valor nutricional.
Com
o objetivo de ampliar o acesso a informações técnicas e oferecer novas soluções
aos pecuaristas, a Semembrás, em parceria com a MS.DC Consultoria, conduziu um
estudo comparando o potencial dos capins Tamani e Tifton 85 para produção de
feno.
Os
resultados evidenciaram o alto desempenho do Tamani, que produziu mais que o
dobro de massa seca em relação ao Tifton 85: 4.137 kg/ha contra 1.581 kg/ha, representando
um incremento de 160%.
Além
do maior rendimento, o Tamani manteve padrões de qualidade equivalentes ao
Tifton 85, com médias de 19,5% de proteína bruta, 80,5% de digestibilidade,
62,5% de nutrientes digestíveis totais (NDT), 34% de fibra em detergente ácido
(FDA) e 58,5% de fibra em detergente neutro (FDN). Considerando o preço médio
de mercado da tonelada de feno, essa superioridade produtiva pode representar
um ganho adicional de aproximadamente R$ 4.000,00 por ha.
Com
base nesses dados e nas exigências nutricionais de vacas leiteiras, a
consultoria também estimou o potencial de produção de leite por área. Nessas
condições, o feno de Tamani poderia alcançar 5.924 kg/ha de leite, cerca de
153% a mais que o Tifton 85, estimado em 2.344 kg/ha. Considerando os preços
atuais do leite no Brasil, isso pode significar um incremento de receita em torno
de R$ 7.659,00 por ha.
De
forma geral, o capim Tamani apresenta vantagens expressivas em relação ao
Tifton 85 para produção de feno, incluindo maior facilidade de estabelecimento,
menor custo de implantação, rápida rebrota e maior produtividade por área, sem
comprometer o valor nutritivo. Assim, configura-se como uma excelente
alternativa para produtores que buscam eficiência, redução de custos e maior rentabilidade
na produção de feno.
*Engenheiro agrônomo, doutor em
Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds