O Barco Brasil conquistou um feito histórico neste sábado (28/02), ao cruzar o Cabo Horn durante a quinta etapa da Globe 40, a regata de volta ao mundo em duplas. A equipe formada por Zé Guilherme Caldas e Luiz Bolina foi a primeira na categoria sharp a vencer a emblemática passagem no extremo sul do Chile.
Com isso, completou o chamado “Grand Slam”, da vela oceânica, formado pelos três principais cabos que marcam a navegação pelo mundo.
Os velejadores brasileiros já haviam passado pelo Cabo da Boa Esperança, que marca a ligação entre o Atlântico e o Índico na África do Sul, durante a segunda perna da Globe40. E, na terceira etapa, cruzaram o Cabo Leeuwin, ponto no sudoeste da Austrália onde o Oceano Índico encontra o Oceano Antártico.
Tido como um rito de passagem para quem veleja, o Cabo Horn marca o encontro entre os oceanos Pacífico e Atlântico, numa área de ventos fortes, ondas gigantes e correntes traiçoeiras. Principal rota marítima entre os dois oceanos até a abertura do canal do Panamá, o Cabo Horn virou um símbolo de resistência e coragem no mar. Outras grandes regatas de volta ao mundo, como a The Ocean Race e Vendée Globe, também passam por ele.
Para o Barco Brasil, a passagem contou com um componente a mais: a disputa acirrada com a dupla francesa do Free Dom. O principal concorrente dos brasileiros chegou a ficar a apenas uma milha de distância.
“Nunca havíamos passado pelo Cabo Horn, apesar das muitas milhas já navegadas. E quase cruzamos juntos com o Free Dom. Depois de milhares de milhas desde Valparaiso, enfrentar uma disputa como essa é uma coisa extraordinária! Todas as equipes estão de parabéns. Esta é uma área muito dura, com muito frio, muita onda, muito vento. Estamos emocionados”, celebrou José Guilherme Caldas.
A Flotilha largou de Valparaiso (CHI) no dia 18 de fevereiro, com destino a Recife, no Brasil. O time brasileiro está agora na terceira posição geral nesta perna. A chegada ao Brasil está prevista para o dia 15 de março, fechando um percurso de mais de 4.800 milhas náuticas.
Liderança
O Barco Brasil, comandado por José Guilherme Caldas e Luiz Bolina, lidera a categoria Sharp da Class40 com 11 pontos, à frente do canadense Wilson Around The World, com 20,5 pontos. O francês Free Dom, até então principal adversário dos brasileiros, teve uma avaria séria no casco do barco e precisou voltar a Sydney para os reparos, antes de retomar a regata. Será a última equipe a chegar a Valparaíso, mas conseguindo com isso a terceira posição, com 26,5 pontos.
Na classificação geral, o líder é o belga Belgium Ocean Racing – Curium, seguido pelo francês Credit Mutuel. Os dois cruzaram a linha de chegada juntos em Valparaiso, e dividiram o primeiro lugar na quarta etapa.
A Globe 40 reúne sete veleiros de diferentes países e adota um sistema de pontuação em que vence quem somar menos pontos ao final do percurso. A regata é disputada em barcos Class40, divididos entre as categorias Scow, de proa larga e projeto mais recente, e Sharp, de proa fina, que também contam com uma premiação específica ao término da volta ao mundo.
O público pode acompanhar a navegação em tempo real.
O Barco Brasil
A Globe40 é realizada em duplas, com a possibilidade de troca de um dos tripulantes a cada etapa, reforçando seu caráter internacional e de resistência. Entre as sete equipes presentes, apenas o Barco Brasil terá os mesmos dois velejadores, José Guilherme Caldas e Luiz Bolina, na disputa de todas as pernas, representando um desafio ainda maior.
O time brasileiro também é o único sem patrocínios na regata, dependendo de recursos próprios. O barco conta com um projeto na Lei de Incentivo ao Esporte, ainda em análise pelos órgãos competentes.
