Créditos: divulgação

Após a primeira transação real no
Brasil, mercado discute padrões, interoperabilidade e
confiança para agentes de IA comprar e pagar em nome do consumidor

O avanço do comércio
agêntico — modelo em que agentes de inteligência artificial passam a
pesquisar, comparar, escolher e concluir compras e transações financeiras em
nome do consumidor, dentro de limites e preferências definidos previamente —
acelera a necessidade de preparar o ecossistema de pagamentos para uma nova
lógica de autorização e confiança. Após a realização da primeira transação
agêntica real no Brasil (em 11 de março, por uma iniciativa do Banco do
Brasil e a Visa), o tema entrou definitivamente na
agenda de empresas que sustentam a infraestrutura de consumo digital e
financeiro.

Nesse contexto, Banco do
Brasil, Visa, Salesforce, TNS e Pagos integram
uma agenda de encontros setoriais para discutir implicações técnicas,
operacionais e de governança do novo modelo, com foco em temas como validação
de intenção e consentimento, autenticação e autorização delegada, prevenção a fraude, gestão de
disputas/chargebacks, governança de dados e responsabilidades na cadeia. “O
comércio agêntico representa a terceira grande onda da revolução digital — após
a internet e a economia de aplicativos — e exige construção conjunta do
ecossistema. O tema já está sendo estruturado em grupos de trabalho como o que
temos na Pagos e é algo que tenho levado nos principais fóruns e eventos do
setor”, destaca
Pedro Bramont, diretor de Meios de Pagamento e Serviços Bancários do
Banco do Brasil.

Neste Artigo

Nota
Técnica aponta principais desafios

Este movimento de debates tem
sido estimulado por
um Grupo de Trabalho composto por executivos e especialistas do setor e que acaba de
divulgar sua primeira nota técnica. “O comércio
agêntico muda o ‘quem’ e o ‘como’ da compra: a jornada deixa de ser executada
manualmente pelo consumidor e passa a ser orquestrada por agentes, com regras,
limites e consentimentos. Para o ecossistema de pagamentos, isso exige
coordenação — técnica e institucional — para garantir confiança,
interoperabilidade e previsibilidade. A discussão precisa acontecer agora,
antes que o volume venha. Neste sentido, produzimos uma primeira nota técnica
que indica os pontos críticos a serem observados já”, afirma Valéria Carrete, uma das coordenadoras do grupo de trabalho, diretora
Comercial da TNS e diretora de
Emissores da Pagos.

A nota técnica destaca três
princípios que devem orientar a evolução do mercado. O primeiro, de responsabilidade
inalienável, assume que delegar tarefas a agentes de IA não
transfere responsabilidades legais; a responsabilidade segue com os
participantes que habilitam e processam a transação. O segundo, de transparência
e rastreabilidade, afirma que transações agênticas precisam ser rastreáveis
e auditáveis, com metadados verificáveis (agente, mandato, nível de autonomia e
prova de consentimento). Finalmente, de acordo com o princípio de consentimento
granular, a autorização deve ser específica, revogável e condicionada a
limites claros (valor, categoria, frequência, horários e outros).

O documento também aponta
desafios práticos para a cadeia de pagamentos e questões ainda abertas e
que carecem de discussão. Entre os desafios operacionais críticos, os mais
importantes no momento são:


Validação de intenção além do portador: sem
interação humana no checkout, desaparecem sinais tradicionais usados contra
fraude; o desafio passa a ser provar que a intenção capturada pelo agente
reflete a vontade do usuário e detectar interpretações errôneas/alucinações.


Interoperabilidade de protocolos e metadados: a
proliferação de protocolos proprietários pode criar atrito para credenciadores
e lojistas; o texto aponta a necessidade de uma taxonomia mínima comum de
campos críticos.


Disputas e chargebacks em contexto agêntico:
quando um agente autorizado comete erro, surge complexidade sobre quem arca com
prejuízo e como adaptar processos tradicionais de contestação.


Enquadramento regulatório de iniciadores e agentes:
o documento conecta o tema à figura do ITP no Open Finance e discute
implicações caso provedores de agentes sejam enquadrados como ITPs, como TSPs,
ou em uma nova categoria.

Entre as questões listadas como ainda em aberto estão definir um padrão
mínimo de metadados para interoperabilidade, estabelecer métodos confiáveis de
validação de intenção, criar um modelo claro de responsabilidade por erros,
esclarecer o enquadramento regulatório no Brasil, preparar educação do
consumidor e discutir mecanismos de certificação de agentes confiáveis.

Mercado
promove encontros para discutir o tema

Dois encontros nas próximas semanas vão discutir este
momento de transição de uma IA que recomenda para uma IA que executa transações
de forma autônoma:


Encontro setorial
na Pagos (29 de abril) –
A Pagos realiza,
em 29 de abril, o painel “Quando a IA Começa a Comprar: o Futuro dos
Pagamentos no Comércio Agêntico”, com moderação de Valéria Carrete (diretora
Comercial da TNS e diretora de Emissores da Pagos). A abertura será do
especialista em inovação e tecnologia Gil Giardelli, seguida por debate
com Pedro Bramont (diretor de Meios de Pagamento e Serviços
Bancários do Banco do Brasil), Frederico Succi (VP
de Produtos e Inovação da Visa) e Thais Padilha (VP de Solution Engineer da
Salesforce) e Marcela Lacerda (head de
Marketing do Hot Beach Parques & Resorts).

Payment View 2026 – O
tema também estará no Payment View 2026, dia 6 de maio, no Inovabra |
Bradesco, no painel “Experiência – Quando a IA começa a comprar (e pagar)”,
com a pergunta central: o varejo, os meios de pagamento e a infraestrutura
atual estão prontos para a nova lógica? Participam Valéria Carrete (diretora
Comercial da TNS e diretora de Emissores da Pagos), Pedro
Bramont (diretor de Meios de Pagamento e Serviços Bancários do Banco
do Brasil), Carlos Amorim (especialista
em Soluções de Negócio na Microsoft) e Frederico
Succi (VP de Produtos e Inovação da Visa).
As inscrições estão disponíveis em: https://www.sympla.com.br/evento/payment-view-2026/3332629

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