À medida que o início oficial das campanhas se aproxima, cresce também o debate sobre o papel das redes sociais na formação da opinião do eleitor

Embora os candidatos só possam ser oficialmente apresentados a partir de 15 de agosto, o ambiente digital já concentra discussões sobre os rumos políticos do país. Nesse cenário, especialistas apontam que algumas plataformas vêm se consolidando como ferramentas centrais de influência eleitoral, seja na mobilização de eleitores ou na disseminação de desinformação.

De acordo com o relatório “As Campanhas Digitais para o Congresso Nacional”, da PUC-Rio, o uso estratégico das redes sociais teve um impacto significativo nas eleições de 2022, especialmente na disputa para a Câmara dos Deputados. O estudo indica uma forte correlação entre desempenho digital e sucesso eleitoral, apontando mudança no perfil dos candidatos eleitos.

Para o cientista político Isaac Luna, coordenador do curso de Direito do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, a tendência de maior protagonismo é de quem domina a linguagem digital. “Atualmente, o voto é influenciado, em grande medida, pelo que circula no ambiente virtual. Candidatos que compreendem a lógica dos algoritmos e utilizam recursos, como as ‘trends’, conseguem ampliar rapidamente seu alcance e engajamento”, explica.

Segundo ele, esse cenário favorece especialmente candidatos mais jovens ou com forte presença on-line. “O domínio das mídias digitais permite mobilizar grupos específicos de eleitores, muitas vezes com custos mais baixos do que nas campanhas tradicionais”, declara.

Além da influência direta, as redes sociais também ampliam desafios já conhecidos, como a disseminação de desinformações (ou fake news). Este ano, a preocupação é potencializada pelo avanço da Inteligência Artificial. Em 2026, será a primeira vez das eleições após a regulamentação do uso dessa tecnologia pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A resolução nº 23.732/2024 estabelece regras para proibir o uso de conteúdos gerados por IA, como os deepfakes. Eles permitem a manipulação de imagens e áudios de forma hiper-realista. Diante desse cenário, Isaac Luna alerta que o impacto das redes sociais nas eleições tende a crescer, exigindo maior atenção tanto das autoridades quanto dos eleitores.

Imagem: Magnific

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