Por Andrew Hewitt, Vice-Presidente de Tecnologia Estratégica da TeamViewer
À medida que o mundo evolui, problemas digitais antes vistos como meros incômodos — como uma falha de autenticação ou uma tela que trava minutos antes de um prazo ou de uma reunião importante — estão se transformando em grandes obstáculos para o desempenho das empresas. Num cenário econômico desafiador, em que organizações precisam fazer mais com menos, a tecnologia instável deixou de ser detalhe para se tornar ameaça estratégica.
Os números confirmam a tendência: 42% das empresas globais dizem que a fricção digital já causou perda direta de receita, e 75% relatam atrasos em projetos críticos. Em tempos de busca por eficiência, é impossível ignorar esses dados.
O Peso da Fricção Digital na Eficiência
Ainda assim, muitos tratam a fricção digital como uma série de pequenos percalços. Mas, somados, eles têm efeito devastador. Para muitos profissionais, falhas de TI consomem horas preciosas, tirando tempo de atividades estratégicas e realmente produtivas. Os motivos são conhecidos: problemas de conexão, travamentos de software, falhas de hardware e dificuldades de autenticação. O resultado? Projetos atrasados, prazos perdidos e impacto em praticamente todos os setores.
Embora o mercado corporativo continue investindo em ferramentas digitais, muitos sistemas criados para simplificar operações acabam adicionando camadas extras de complexidade, tornando o ambiente tecnológico mais complexo e um verdadeiro desafio para a liderança.
Consequências Humanas: Improvisos, Desconfiança e Alta Rotatividade
A fricção digital não afeta apenas processos, mas também pessoas. Frustrações constantes com tecnologia levam muitos profissionais a se desligar da empresa — e não apenas mentalmente. Um número significativo pede demissão por não suportar problemas recorrentes de TI.
Os mais jovens são os que menos toleram falhas. Acostumados a tecnologias intuitivas, têm pouca paciência para sistemas que travam ou atrasam o trabalho. Quando isso acontece repetidamente, o engajamento cai e as equipes sofrem. Cada saída gera custos: estima-se que sejam necessárias cerca de oito semanas para integrar um substituto.
Outro efeito colateral são os improvisos. Para manter o rendimento, muitos recorrem a dispositivos pessoais ou aplicativos não autorizados. Embora funcionem no curto prazo, criam brechas de segurança e reduzem a visibilidade da organização — justamente em um momento em que as ameaças cibernéticas crescem em escala global.
A confiança também está em risco. Mais da metade dos trabalhadores no mundo não acredita que suas equipes de TI consigam resolver problemas com rapidez ou eficácia, e duvida que tenham acesso às ferramentas digitais mais modernas. Quando a força de trabalho se sente desamparada pela tecnologia, a motivação cai — e o desempenho também.
Como a IA Está Mudando as Regras do Jogo
Apesar dos desafios, há otimismo em relação à Inteligência Artificial. Quase metade dos trabalhadores (48%) acredita que a IA pode reduzir falhas de TI, e pouco mais da metade (50%) está aberta a delegar tarefas rotineiras, como redefinição de senhas ou pequenos reparos, para que possam focar em atividades mais produtivas.
A mudança de um suporte reativo para proativo é o grande diferencial. Com a IA, é possível detectar e corrigir problemas antes mesmo que o usuário perceba, aplicar soluções automáticas e identificar padrões invisíveis ao olhar humano. Em vez de esperar pela abertura de um chamado — algo que muitos evitam — os sistemas podem resolver falhas em segundo plano e escalar apenas quando necessário. Isso garante uma experiência digital mais fluida, seja no trabalho remoto, híbrido ou presencial.
Mas há limites. Alguns profissionais relatam que ferramentas de IA testadas não atenderam plenamente às expectativas. Muitos não entendem exatamente o que esses agentes fazem ou como se encaixam no fluxo de trabalho. Sem confiança, comunicação clara e infraestrutura adequada, a IA corre o risco de se tornar mais uma dificuldade. Quando as empresas explicam como a IA é usada, como os dados são tratados e como ela apoia os funcionários, a confiança cresce e a fricção digital diminui.
Construindo um Ambiente Digital Resiliente
Reduzir a fricção digital começa com visibilidade. Muitos líderes ainda não têm clareza sobre como seus ambientes digitais funcionam no dia a dia ou sobre qual é, de fato, a experiência real dos funcionários. Sem dados concretos e feedback direto, os problemas permanecem invisíveis e sem solução. A Inteligência Artificial pode ajudar a antecipar falhas por meio de monitoramento contínuo e correções automatizadas.
Nos próximos meses, veremos mais empresas adotando modelos proativos de suporte com remediação automatizada, reduzindo a necessidade da TI paralela (Shadow IT), fortalecendo a confiança entre equipes e organização e criando uma base sólida para o desempenho das equipes.
Claro, a fricção digital não vai desaparecer de uma hora para outra, mas pode ser significativamente reduzida. As empresas que prosperarem serão aquelas que entenderem que a eficiência depende menos de onde as pessoas trabalham e mais de se suas ferramentas permitem o exercício de suas funções sem interrupções. O trabalho híbrido já é realidade, a IA está cada vez mais integrada aos fluxos e a vantagem competitiva estará com quem eliminar barreiras e adotar sistemas inteligentes para apoiar suas equipes e garantir que o trabalho siga em movimento.