A brasileira que decidiu contar ao mundo sobre o WOLLYING
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“Descobri que existia um nome para aquilo que milhares de mulheres viviam. Como quase ninguém estava falando sobre isso, resolvi contar para todo mundo.”

Foi com esse pensamento que a empresária paulista Kátia Teixeira, de 60 anos, iniciou um movimento que hoje ultrapassa fronteiras e coloca o Brasil entre os protagonistas do debate internacional sobre o WOLLYING, fenômeno social relacionado à violência relacional entre mulheres.

Empresária há mais de 41 anos, estrategista em desenvolvimento humano e fundadora do Instituto Quais de Mim Você Procura? (IQDM), Kátia nunca imaginou que uma pesquisa realizada em 2021 mudaria completamente sua trajetória.

Naquele ano, enquanto buscava ingressar em um programa universitário no Canadá, deparou-se com o termo WOLLYING, apresentado por duas pesquisadoras canadenses. A curiosidade foi imediata.

Ao aprofundar seus estudos, descobriu que o termo já havia sido mencionado em 2016 por uma pesquisadora argentina e, posteriormente, citado por outra pesquisadora boliviana. Apesar disso, o conceito praticamente não havia ultrapassado os círculos acadêmicos e acabou não ganhando projeção internacional.

Foi então que surgiu uma pergunta que mudaria tudo.

“Se isso existe e tantas mulheres vivem essa realidade, por que ninguém está falando sobre isso?”

A resposta veio naturalmente.

Ela decidiu contar para todo mundo.

Sem qualquer estratégia de marketing ou pretensão de criar um movimento, gravou um vídeo simples em seu Instagram explicando o conceito. Nos dias seguintes, começaram a chegar dezenas de mensagens privadas. Mulheres de diferentes idades relatavam experiências muito semelhantes: exclusão, boicotes, humilhações, difamações, silenciamentos e isolamento praticados por outras mulheres.

Naquele momento, Kátia percebeu que não estava diante de casos isolados, mas de uma realidade compartilhada por milhares de mulheres.

Pouco tempo depois, levou o tema para um congresso em Portugal que reuniu mulheres de diversos países de língua portuguesa. A identificação foi imediata. Muitas participantes reconheceram no WOLLYING situações que haviam vivido durante anos, mas para as quais nunca encontraram um nome.

Ainda em 2021, apresentou o tema na Câmara Municipal de São Paulo durante o lançamento do livro “Mulheres no Digital”, iniciando também o diálogo no ambiente institucional.

Em 2022, foi convidada a palestrar sobre o assunto na BPW, organização centenária presente em diversos países e dedicada ao desenvolvimento de mulheres de negócios. Ao final da palestra, foi aplaudida de pé.

“Parecia que eu havia tirado um conceito inédito da cartola. Mas não era. O fenômeno já existia. O que faltava era alguém nomeá-lo, traduzi-lo para uma linguagem acessível e iniciar uma conversa.”

A repercussão fez com que outras mulheres também passassem a pesquisar, estudar e disseminar o tema. Para Kátia, esse sempre foi o verdadeiro objetivo.

“Causa não tem dono. Causa tem propósito. Quando mais pessoas falam sobre ela, maior é a possibilidade de transformação. Caso contrário, ela deixa de ser uma causa e passa a ser apenas um projeto pessoal.”

Em 2023, publicou o primeiro livro brasileiro dedicado exclusivamente ao tema, “WOLLYING – Que Negócio é Esse, Mulher?”.

No ano seguinte, lançou a obra em Paris, durante um evento realizado no Museu do Louvre, concedendo também entrevistas à imprensa internacional. Na mesma ocasião, o Instituto Quais de Mim Você Procura? (IQDM) apresentou o livro “Mulheres no Combate ao WOLLYING”, reunindo cinquenta relatos reais de mulheres que decidiram compartilhar suas histórias.

Mas o trabalho de Kátia vai muito além do debate sobre um fenômeno social.

À frente do Instituto Quais de Mim Você Procura? (IQDM), coordena projetos de literatura, capacitação, empreendedorismo e desenvolvimento humano voltados especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica. Desde a criação do movimento, mais de 1.600 mulheres, em mais de uma dezena de países, já participaram das iniciativas do Instituto, que utiliza a escrita, a educação e o fortalecimento de redes de apoio como instrumentos de transformação.

Diferentemente do mercado editorial tradicional, os livros produzidos pelo IQDM não são comercializados. Eles são doados a comunidades, casas de acolhimento, instituições sociais, unidades prisionais femininas, escolas, organizações que atendem mães atípicas, mães solo e mulheres em situação de vulnerabilidade. Cada exemplar entregue representa mais do que uma leitura: simboliza uma oportunidade para que essas mulheres reconheçam seu próprio valor, reconstruam sua autoestima, encontrem novos caminhos de geração de renda e retomem o protagonismo de suas vidas.

Apesar de ser frequentemente associada ao movimento, Kátia faz questão de afirmar que nada disso foi construído sozinha.

O IQDM tornou-se uma grande rede internacional formada por escritoras, pesquisadoras, voluntárias, empresárias, profissionais de diversas áreas e mulheres que decidiram transformar suas próprias histórias em instrumentos de transformação coletiva.

O lema do Instituto resume essa filosofia:

“Onde uma de nós estiver, todas estarão.”

E é justamente essa união que sustenta outro princípio do movimento:

“Somos inquebrantáveis.”

O crescimento dessa rede fez com que o WOLLYING chegasse a novos espaços de diálogo. Conferências, pesquisas, artigos, debates legislativos e encontros internacionais passaram a discutir o tema.

Em 2026, Kátia levou o debate à CSW70, a Comissão sobre a Situação da Mulher, realizada na sede das Nações Unidas, em Nova York, considerada o maior encontro mundial voltado aos direitos das mulheres. Durante a missão internacional, o WOLLYING foi apresentado em eventos paralelos realizados no Consulado-Geral do Brasil e no Mantena Global Care, organização que reúne mulheres brasileiras residentes nos Estados Unidos.

A mobilização resultou ainda em uma reunião com o Ministério das Mulheres e na entrega de um Manifesto propondo que o WOLLYING seja reconhecido como um fenômeno social, ampliando o debate público da mesma forma que outras formas de violência e discriminação passaram a ser reconhecidas ao longo dos anos.

Agora, um novo capítulo começa a ser escrito.

O Instituto Quais de Mim Você Procura? (IQDM) organiza o I Fórum Internacional sobre WOLLYING, reunindo pesquisadoras, especialistas e lideranças de mais de doze países para fortalecer uma agenda internacional de conscientização, pesquisa e cooperação.

Mais do que apresentar uma nova palavra, o movimento busca construir uma nova forma de olhar para relações que, durante muito tempo, permaneceram invisíveis.

Para Kátia Teixeira, dar nome ao fenômeno nunca foi o ponto de chegada. Foi apenas o primeiro passo.

“Quando o invisível ganha nome, ele deixa de ser ignorado. E quando mulheres caminham juntas, tornam-se inquebrantáveis.”

Saiba mais em @quaisdemimvoceprocura?

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