Sonho da casa própria pode sair do papel neste ano

Ana Silva
Ana Silva
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Sonho da casa própria pode sair do papel neste ano
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Depois do trauma nos anos 1980 e 1990, a inflação volta a deixar o brasileiro assustado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial no país, fechou 2021 a 10,06%. Esse é o maior nível para um ano desde 2015, quando foi de 10,67%. Em 2020, a inflação foi de 4,52%. O resultado ficou bem acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central para o ano passado, que era de 3,75%. Os dados foram divulgados neste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e se referem às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos.

Quem tem planos que envolvam a realização de grandes projetos fica apreensivo com os números da inflação. No entanto, se o desejo é de ter um imóvel próprio, isso ainda é possível devido às novas regras do programa Casa Verde Amarela, que começaram a valer no final de outubro. Entre as novidades está a redução, até o final deste ano, da taxa de juros para famílias com renda familiar mensal de R$ 4 mil até R$ 7 mil e a ampliação do teto do valor dos imóveis considerados de habitação popular. Além disso, as taxas de juros para famílias com renda mensal de até R$ 4 mil variam de 4,25% a 5%, o que na média fica na metade da atual taxa Selic, que está em 9,25%.

Com 24 anos de atuação no mercado imobiliário, o incorporador Rodrigo Lima explica as características atuais do programa. “O Casa Verde Amarela veio para garantir recursos de financiamento para casa própria para quem está ganhando até R$ 2 mil, que é a faixa 1, ou de R$ 2 mil a R$ 4 mil, que é a faixa 2, para que essa população realize o sonho da casa própria e, enfim, consiga ter o seu imóvel próprio, onde pode morar com a família, com um prazo longo, com uma taxa de juros hoje a nível Brasil muito atrativa”.

Ele destaca ainda a diferença entre o programa atual e o anterior. “O Casa Verde Amarela  possui algumas vertentes bem diferentes do Minha Casa, Minha Vida. Ele unifica algumas faixas – antigamente você tinha quatro faixas de renda, hoje você tem só três -, sendo que a faixa mais popular, que é a antiga faixa 1, agora teve um incremento no valor de renda desse comprador, o que facilita também o acesso das pessoas a uma taxa de juros subsidiada pelo governo. Além disso, o Minha Casa, Minha Vida possuía uma faixa de renda no Brasil inteiro. Agora, com a Casa Verde Amarela, as taxas de juros variam de acordo com a faixa de renda e a localidade do imóvel”.

Na prática
Rodrigo Lima, que é co-fundador da IN Inteligência Construtiva – que vai lançar um empreendimento na região noroeste de Goiânia até março – exemplifica o uso do Casa Verde Amarela. “Para nosso lançamento, no setor Estrela Dalva, o cliente tinha um valor de R$ 190 mil anteriormente. Hoje o teto na faixa 2 vai para R$ 209 mil. Isso possibilita que esse cliente, na hora que a Caixa faz avaliação, consiga um subsídio, um financiamento em torno de quase R$ 15 mil a mais. Ou seja, é o valor que ele deixa de pagar no curto prazo e consegue pegar uma taxa subsidiada pelo programa”.

O incorporador salienta ainda os benefícios que as alterações do Casa Verde Amarela propicia à empresa e ao futuro proprietário. “Para a IN o impacto é muito positivo, porque o cliente deixa de ter um desembolso menor, de 12 ou 24 meses, e passa ter um desembolso de até 360 meses, ou seja, ele consegue ter um prazo maior para pagar e uma taxa de juros mais atrativa. E isso acaba impulsionando nossos negócios, ajudando a potencializar a nossa velocidade de vendas. Dessa forma, a gente consegue atingir uma base muito maior de clientes que não tem esse recurso para comprar um imóvel à vista e consegue entrar no programa onde, além de uma taxa de juros mais atrativa, ele conta também com subsídios do governo”, destaca o empreendedor.



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