Saiba como curtir o verão sem colocar em risco a saúde dos seus olhos

Angelo Peterson
Angelo Peterson
14 min. para leitura
Saiba como curtir o verão sem colocar em risco a saúde dos seus olhos

A atenção à saúde ocular precisa ser habitual, porém o verão requer ainda maior zelo para não perder nada de vista. Isso porque, nos meses quentes e úmidos, os olhos ficam mais expostos aos raios ultravioleta (UVA e UVB) do sol e a bactérias, vírus e fungos, em contato com águas do mar, de piscinas, rios e cachoeiras, vento, ar-condicionado, poeira e outros poluentes.

De acordo com Cristian Santa Cruz, oftalmologista do DayHORC, empresa do Grupo Opty, nas férias, igualmente, há um risco elevado de acidentes, em casa ou em viagens, que podem afetar a visão. A também oftalmologista Mônica Melo, da OftalmoDiagnose, que também integra o Grupo, reforça que para manter uma boa saúde ocular, em qualquer estação do ano, é essencial, além da consulta ao oftalmologista, praticar atividades físicas regularmente, ter sono reparador, controlar o estresse, não fumar e ter alimentação balanceada (rica em carboidratos integrais, proteínas com poucas quilocalorias, verduras, hortaliças, frutas e gorduras boas)”.

Para aproveitar a estação mais esperada do ano, enxergando tudo com clareza, os médicos Cristian Santa Cruz, Mônica Melo e outros oftalmologistas do Opty, maior grupo do segmento da América Latina, orientam adultos e crianças. Confira a seguir!

Na hora de escolher os óculos de sol:

  Eles são indispensáveis para evitar lesões aos olhos, especialmente à retina, área que capta os sinais luminosos e os envia ao cérebro, onde são geradas as imagens. Na hora de escolher o modelo, o critério é que ele tenha barreira contra raios ultravioleta (UVA e UVB) do sol. O acessório precisa proporcionar pelo menos 98% de proteção.

 Compre óculos em óticas de boa reputação, que vendem artigos de marcas originais. E verifique se eles vêm com certificação ou selo, que comprove que o fabricante cumpre todas as normas. Uma dica: óculos com proteção UV 400 quer dizer que suas lentes inibem a entrada de comprimentos de onda menores que 400 nm/0 (nanômetros), o que incluem os raios UVA e UVB, invisíveis aos olhos.

– Teste os óculos de sol olhando para frente e para os lados. E veja se as lentes apresentam grande distorção. Cuidado com as lentes descascando. Pode ser sinal de artigo de má qualidade. Em geral, os fabricantes aconselham trocar a cada dois anos.

– Pessoas que já utilizam óculos devido a algum erro refrativo (miopia, astigmatismo, hipermetropia ou vista cansada) podem ter o modelo de sol com grau. E, nesses casos, devem consultar antes um oftalmologista, para saber qual é a opção adequada. A melhor lente e armação é a que traz conforto.

– Se optar por óculos com lentes alaranjadas, âmbar ou rósea, o importante é que elas recebam o tratamento contra raios UV. Em certas alterações da retina, filtros especiais podem melhorar o contraste e reduzir o tempo de adaptação a diferentes tipos de iluminação. As lentes de cor marrom ou âmbar apuram a visão em nevoeiros. As de cor rosa são boas em ambientes com lâmpadas fluorescentes e no uso de computador. Porém, antes de comprar qualquer tipo de óculos, consulte o oftalmologista.

Proteja seus olhos em atividades físicas:

– Para reduzir os riscos de lesões nos olhos na prática de esportes, prefira artigos firmes, com pontes suaves, tiras elásticas para prender atrás da cabeça e hastes próprias para diferentes modalidades. No caso de indivíduos que apresentam miopia, astigmatismo ou hipermetropia há possibilidade de cirurgia para redução do grau, que deve ser realizada por oftalmologista capacitado para o procedimento. As lentes de contato facilitam a prática de esportes. Também existem óculos fabricados com materiais específicos para se exercitar e com o benefício de fazer a barreira mecânica.

–  A haste pode circundar a orelha, sendo boa alternativa para esportes com bolas, ou reta, modelo ideal para ciclismo e andar de skate, pois se encaixa melhor sob o capacete. Se necessário lentes corretoras, elas devem ser com material resistente, tipo resina de policarbonato, que é forte, leve e fina.

Tenha cuidado ao usar lentes de contato:

 – Usuários de lentes de contato precisam de precaução maior com higienização e armazenamento no verão, porque no calor e na umidade há maior proliferação de germes. Para limpeza e desinfecção das lentes, antes de tudo, deve-se lavar as mãos com sabonete bactericida e secá-las bem. Quem usa modelos rígidos, deve friccionar tanto a parte de cima quanto a de baixo com movimentos circulares por cerca de 30 segundos. Em seguida, precisa enxaguá-las com uma solução específica. Encha o estojo, higienizado com a solução de limpeza para guardar as lentes. Esse processo deve ser feito diariamente ao retirá-las e/ou antes de dormir.

– A limpeza das gelatinosas é semelhante à das rígidas. A diferença é que cada tipo requer um produto próprio e a etapa de higiene deve ser menos intensa, pois o material é delicado.

– Nunca aplique soro fisiológico, água boricada, saliva ou água corrente nas lentes. Essas substâncias não possuem agentes para lubrificar e desinfetar.

– Outra regra primordial é evitar tomar banho, entrar no mar, em cachoeiras e rios com esses acessórios. Isso em razão de esse hábito aumentar o perigo de infecção ocular por micro-organismos (em certos casos, podem causar cegueira). Além disso, o banho de mar desidrata o material das lentes, dificultando sua retirada dos olhos.

 – Em atividades físicas, a dica é pôr lentes de descarte diário, com indicação do oftalmologista. Então, se entrarem em contato com água ou outra substância, descarte-as e as substitua por um novo par. E use óculos de natação.

 – Assim como os óculos de sol, lentes de contato oferecem proteção contra raios ultravioleta do sol. Deve-se selecionar modelos contra UV classe I (filtra 90% dos raios UVA) e UV classe II (bloqueia pelo menos 50% dos raios UVA e 95% dos raios UVB). Contudo, isso não significa abrir mão dos óculos de sol! A exposição ao vento, à areia e a outras partículas no ar resseca e irrita os olhos.

– Se cair filtro solar nos olhos, retire de imediato as lentes de contato, lubrifique os olhos com colírio (receitado pelo oftalmologista) e recoloque as lentes somente após a higienização. E mantenha seus olhos sempre lubrificados, especialmente em ambientes mais secos, com vento ou ar-condicionado.

 – Evite ficar com lentes de contato além de 12 horas ininterruptas. E jamais durma com elas, porque esse hábito reduz a oxigenação dos olhos. Se sentir desconforto, dor, vermelhidão, fotofobia e coceira nos olhos, retire as lentes e coloque os óculos de grau. Ao persistirem os sintomas, consulte seu oftalmologista urgentemente. Nunca faça automedicação.

Evite lesões oculares:

– A exposição ao sol, sem proteção, por muitos anos, eleva o risco de pinguécula (lesão amarelada e um pouco elevada que se forma no tecido superficial à esclera), pterígeo (formação indolor protuberante, geralmente benigna, na conjuntiva e que pode atingir a córnea), catarata precoce (opacificação do cristalino, a lente natural), degeneração da mácula (parte da retina responsável pela visão nítida, clara, em detalhes e a percepção das cores), tumores oculares e câncer na pele ao redor dos olhos. Pinguécula e pterígio também podem ser causadas por exposição prolongada a raios UV, ao vento ou à poeira, ao fumo e à água clorada. A segunda alteração cresce lentamente, podendo se sobrepor à córnea e causar astigmatismo.

– Uma queixa bastante comum no verão é a conjuntivite, inflamação da conjuntiva, fina membrana transparente que reveste o globo ocular e o interior das pálpebras. Pode ser alérgica, viral e bacteriana, com alto risco de contágio nos dois últimos casos, em locais com grandes aglomerações. A viral é transmitida pelo mesmo vírus que do resfriado comum e se espalha rapidamente. E os principais sintomas são: olho avermelhado, irritado, lacrimejando, com sensação de areia, sensibilidade à luz e ardência. Também nessas situações é imprescindível consultar um oftalmologista imediatamente.

– Use chapéu e procure ficar em ambientes com sombra, mantenha a higienização das mãos, não coce ou toque os olhos, não compartilhe maquiagem, nem use esses produtos com prazo de vencimento expirado. Evite passar horas em ambiente com ar-condicionado, porque leva ao ressecamento ocular e pode causar ceratite, lesão de córnea. Só aplique colírio lubrificante com a indicação do oftalmologista.

– Em pós-operatório (até 30 dias) recente de cirurgia de catarata é preciso ter cuidado redobrado para prevenir infecção. É necessário aplicar colírios antibióticos e anti-inflamatórios receitados, sair com óculos de proteção próprios para essa fase – com filtros e mais fechado tanto na frente quanto nas laterais para evitar o excesso de iluminação –, também indicados pelo oftalmologista. O ideal é evitar piscina e praia no pós-operatório.

– Ter glaucoma não é empecilho para frequentar praia e piscina. No entanto, a pessoa não pode esquecer os colírios, a higiene e a proteção dos olhos.

Fique de olho nas crianças:

– Evite o fácil acesso a objetos pontiagudos e produtos químicos de limpeza. O ideal é guardá-los em local seguro. Alguns brinquedos em piscinas ou praias podem causar acidentes graves, como artigos que espirram água. Se o jato for forte e atingir o olho, pode levar a uma emergência médica.

– Depois da praia ou piscina é comum crianças apresentarem olhos vermelhos. Porém, no dia seguinte eles devem estar normais. Se o sintoma permanecer e surgirem outros, como coceira, irritação e acúmulo de secreção, procure um oftalmopediatra com urgência. Podem ser sinais de conjuntivite ou outro problema de visão.

– Em viagens, um conselho é levar óculos de grau reserva e de sol, para tê-los à mão em qualquer situação.

Globalmente, 2,2 bilhões de pessoas têm deficiência visual ou cegueira, de acordo com o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS); e metade dos casos poderiam ter sido evitados com a consulta de rotina ao oftalmologista e a adoção de hábitos saudáveis. E, conforme o documento “As Condições da Saúde Ocular no Brasil”, a prevalência da cegueira – de diferentes formas – na população brasileira (208.494.900, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE) é estimada em 1.577.016 (somando crianças, adolescentes e adultos), sendo 859.416 nas classes B e C, 543.600 na faixa mais pobre e o menor índice, 174.000, no grupo rico. E a mensagem mais importante é: a maioria das alterações nos olhos tem prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.

Fontesoftalmologistas Cristian Santa Cruz, do DayHORC (Opty – Salvador, BA) e fellow em córnea no Wills Eye Hospital (Estados Unidos); Mônica Melo, da OftalmoDiagnose (Opty – Salvador – BA) e especialista em catarata e retina e vítreo; Joana de Farias, da EyeCenter Unique (Opty – Rio de Janeiro, RJ) e especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO); Liane Iglesias, da Visclin Oftalmologia (Opty – São Paulo, SP) e doutora pela Universidade de São Paulo; Eduardo Rocha, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB, Opty-Brasília, DF); e Cinthia R. Teló Sato, oftalmopediatra do Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem (Opty – Joinville, SC).



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