Lula defende transposição do São Francisco e crescimento do Nordeste

Ana Silva
Ana Silva
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Lula defende transposição do São Francisco e crescimento do Nordeste

O ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva defendeu o legado dos governos do PT no Nordeste brasileiro durante entrevista ao vivo à Rádio Espinharas, de Patos (PB),  hoje, dia 15. A conversa com os jornalistas Jozivan Antero e Sarah Viana foi também retransmitida por outras emissoras que atingem cidades do sertão da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

“É uma alegria imensa poder voltar a falar com o Nordeste e o povo do sertão. Um povo trabalhador e muitas vezes esquecido pelos que governam o país. Eu vivo meio triste pela situação que está passando o Brasil. Quando eu deixei a Presidência, o Brasil estava numa situação privilegiada. A gente tinha começado a fazer a obra mais importante do Nordeste, a transposição do Rio São Francisco, algo que nem D. Pedro II conseguiu. A gente tinha o Nordeste com muitas faculdades, com muitas escolas técnicas, muitos doutores. A gente tinha uma queda da mortalidade infantil, a gente estava dando comida ao povo”, lembrou.

O ex-presidente disse o Nordeste não deve ser um lugar de fome ou de desemprego, mas de desenvolvimento com educação de qualidade. “Eu não quero o nordestino vindo para São Paulo por causa da fome como eu vim em 52. Não quero o nordestino fugindo do analfabetismo, como a minha mãe fugiu, com 8 filhos pequenos. Quero que o nordestino tenha chance na sua cidade, porque o povo adora morar em sua cidade, viver no seu cantinho. O que precisamos fazer é dar garantia para as pessoas viverem, é o que eu quero fazer outra vez. O Nordeste não é lugar de fome, de desemprego, de analfabetismo, de mortalidade infantil. O Nordeste é um lugar de desenvolvimento, de educação de qualidade, de emprego de qualidade”, completou.

Trabalhei com muita intensidade para a gente fazer com que o desenvolvimento chegasse a todos os lados.

Lula contou que, após deixar o governo federal, sonhava com um futuro melhor para a região de onde saiu ainda criança, que ele queria que pudesse se equiparar com outros locais mais ricos do país.

“Eu vim para São Paulo com 7 anos saindo de Caetés, e nunca aceitei a ideia do Nordeste só aparecer na imprensa como o lugar que tinha mais analfabetos, como o lugar que tinha mais êxodo rural, como o lugar que tinha mais mortalidade infantil, o lugar que tinha menos investimento em ciência e tecnologia. Eu achava absurdo que o Nordeste não tivesse a chance de se igualar. Trabalhei com muita intensidade para a gente fazer com que o desenvolvimento chegasse a todos os lados. Depois do impeachment aconteceu uma destruição do país”, afirmou.

Ao falar sobre a transposição do Rio São Francisco, cujo ramo Norte leva água até a região de Patos, Lula destacou que, apesar do presidente Jair Bolsonaro ter visitado a Paraíba em outubro de 2021 e em fevereiro deste ano para inaugurar pequenos trechos, apenas 6 quilômetros de canais foram construídos no estado durante seu governo.

“É engraçado porque eu e a Dilma fizemos quase 90% de toda a transposição, o Temer deve ter feito uns 3%, Bolsonaro fez 6 ou 7% e ele agora acha que fez a transposição, ou seja, é uma piada de um cara que gosta que conta 7, 8 mentiras por dia”, criticou o ex-presidente.

Lula também reforçou a importância do programa Água Para Todos, responsável pela construção de 1,4 milhões de cisternas tanto para uso doméstico quanto para a irrigação em todos os estados do Nordeste e no norte de Minas Gerais. Na Paraíba, foram construídas 64 mil cisternas.

“Nas campanhas de 1989 e 1994 eu dizia que a seca é um fenômeno da natureza, mas a morte de pessoas por conta da seca é um fenômeno da falta de vergonha na cara das pessoas que governavam este país. A pessoa que nasce na Avenida Paulista, em São Paulo, na Avenida Copacabana, no Rio de Janeiro, não tem a noção do que é uma cisterna para um povo pobre que vive no sertão, não tem noção do que é a seca”, explicou.

O ex-presidente também falou dos investimentos na Educação em Patos, que teve o campus local da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) reformado e modernizado. A cidade também ganhou um Instituto Federal, assim como outras cidades da região: Itaporanga, Princesa Isabel, Santa Luzia e Pombal (que também recebeu um novo campus da UFCG).

Paraíba cresceu com os governos do PT

Durante os governos do PT, foram criados 278 mil novos postos de trabalho, ao mesmo tempo que o Bolsa Família chegou a atender 574 mil famílias mensalmente na Paraíba. O programa Brasil Sorridente criou 1.257 equipes e 66 centros odontológicos no estado e o Minha Casa Minha Vida entregou 69 mil unidades habitacionais.

“O que fizeram depois disso? Nada”, criticou Lula. “Em vez de Minha Casa Minha Vida fizeram a tal casa Verde Amarela, querendo dizer que são mais brasileiros que nós, querendo pegar a camisa da seleção para eles. Quem fala que ‘o meu partido é o Brasil’ não tem partido”



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