Fadiga pandêmica e fadiga crônica: qual é a diferença e o tratamento?

Ana Silva
Ana Silva
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Fadiga pandêmica e fadiga crônica: qual é a diferença e o tratamento?

O ano mal começou e uma premissa é certeira: a pandemia global de Covid-19 ainda passa por ondas de contágio e nos faz manter a vigilância pelos protocolos de saúde, assim como conviver com sequelas física e psicológicas que podem acometer nosso dia a dia de forma intensa. Logo, como saber se o que sentimos é um cansaço momentâneo pela hipervigilância ou um resquício da doença, pós-contágio?

A identificação pode não ser tão simples, mas, por meio das colocações da Dra. Luciene Bandeira, psicóloga e cofundadora da Psicologia Viva, e do Dr. André Alencar, psiquiatra do Grupo Conexa, você poderá compreender melhor o que é a fadiga pandêmica e a fadiga crônica, bem como quando procurar um especialista para auxiliar em seu caso.

Cansei da pandemia

Natural e previsível, a exaustão pelas constantes mudanças e provações ocasionadas pelo surto do SAR-CoV 2 é o que caracteriza a fadiga pandêmica. As alterações trazidas pela pandemia, que afetaram várias dimensões da vida humana (pessoal, social e laboral), são fatores de risco para que esse fenômeno se manifeste nos âmbitos físico, mental ou emocional.

“Passamos por mudanças abruptas nos hábitos, rotinas, vivenciamos uma carga excessiva de trabalho, a falta de socialização, de rede de apoio, segurança, saúde e a imprevisibilidade quanto ao desenvolvimento da doença e o planejamento futuro, questões que acabaram modificando o funcionamento normal dos indivíduos. Logo, alguns indivíduos, em decorrência disso, manifestaram a fadiga em sintomas como melancolia, exaustão física, desinteresse, oscilações de humor, ansiedade, irritabilidade, perturbações do sono, medo, etc.”, pontua a Dra. Luciene.

De acordo com a Dra. Luciene, um estudo recente1 observou que, nas pessoas em geral, o predomínio global de problemas de saúde mental, durante a pandemia é maior do que nos anos anteriores, considerando, também, as consequências psicossociais. Isso quer dizer que uma série de problemas, como depressão, transtorno de estresse pós-traumático, sofrimento psicológico e transtornos de sono foram notados, além de levantarem a preocupação pela alta de comportamentos de autoextermínio e automutilação ”, completa.

Para evitar a fadiga pandêmica, a profissional indica priorizar o autocuidado e o cuidado com os outros, mantendo os protocolos e evitando contrair o vírus, bem como o desenvolvimento e fortalecimento de estratégias de coping (enfrentamento) diante das diversas situações. “É preciso entender as características individuais do paciente em meio ao cenário atual. Com isso, a realidade e as vivências são ajustadas às adversidades instaladas e às futuras, a partir de exercícios que busquem trazer razão para a emoção, questionem pensamentos de medo, proponham o respeito aos limites, o cuidado da saúde de forma ampla – incluindo hidratação, alimentação, qualidade do sono, prática de atividades físicas -, o contato com manifestações artísticas, momentos de lazer que aliviem o estresse e o apoio de um profissional qualificado para ampará-lo nessa condução ”, pontua.

Covid-19 como gatilho para fadiga crônica

O quadro de fadiga crônica se constitui em um cansaço físico extremo que dura, no mínimo, seis meses. “Ele ocorre de forma incapacitante, não melhora com o descanso e compromete a funcionalidade do paciente. Trata-se de uma síndrome que não tem causa conhecida pela ciência, mas pode ser desencadeada por alterações metabólicas, do sistema nervoso, disfunções do sistema imune e algumas infecções virais, como o Covid-19″, conta o Dr. André.

Pacientes que tiveram diagnóstico para a SARS-Cov-2, sinalizam a persistência de sintomas físicos e mentais, mesmo após a resolução do quadro inicial, o que leva à suposição da síndrome da fadiga crônica ter a infecção como um de seus gatilhos. “Ainda não se sabe os motivos pelos quais o quadro se instala e não há exames laboratoriais que indiquem a síndrome. Sendo assim, o diagnóstico torna-se complexo e passa pela necessidade de descartar outras possíveis causas, como hipotireoidismo, depressão, anemia, entre outros”, explica.

Até o momento, não há cura para a fadiga crônica, mas, André afirma que o objetivo do tratamento é controlar os sintomas, as comorbidades e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Brasil, L., Rayol, M., Siqueira, Maria. Covid-19: impacto na saúde mental da população em tempos de pandemia, uma revisão integrativa. Pará, 2021. Acesso em: 01/02/2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/download/23988/20625



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