Em Lauro de Freitas, profissionais de saúde são qualificados para diagnóstico e tratamento da hanseníase

Ana Silva
Ana Silva
4 min. para leitura
Em Lauro de Freitas, profissionais de saúde são qualificados para diagnóstico e tratamento da hanseníase

Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem das Unidades de Saúde da Família (USF) de Lauro de Freitas participaram, nesta quinta-feira (27), da qualificação para aprimoramento do diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com hanseníase. A capacitação faz parte da programação do Janeiro Roxo, mês de combate à doença também conhecida por lepra, foi realizada no Auditório da Unime e ministrada por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Sesa).

De acordo com o diretor da Vigilância Epidemiológica da Sesa, Daniel Assis, as atualizações dos profissionais acontecem constantemente e são realizadas principalmente com médicos especialistas. “O objetivo é reforçar as orientações para os profissionais de saúde que atuam no controle da transmissão da hanseníase e diminuir as incapacidades causadas pela doença”, falou.

A dermatologista Andrea Rebouças explica que a identificação da doença é feita por meio do exame físico geral e dermatoneurológico. “É necessário identificar as lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade. O profissional deve observar o comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas, motoras e autonômicas”, falou.

A médica alerta que o profissional deve estar atento às manifestações cutâneas, oftálmicas e neurais decorrentes da inflamação causada pelos bacilos  Mycobacterium leprae. A gravidade da doença não é só avaliada pelo número de doentes existentes, ou pela sua contagiosidade, mas pelas incapacidades que produz e pela longa duração do tratamento.

“Nós queremos evitar o diagnostico tardio, cerca de um ano e meio após o aparecimento dos primeiros sintomas.  A falta de informação, faz com que a maioria dos pacientes descubram a doença com lesões sensitivas e motoras, deformidades que poderiam ser evitadas”, falou.

Durante a palestra, a dermatologista, abordou os tipos de reações hansênicas, divididas em tipo I e II para que o profissional identifique se são reações leves ou graves. A maioria dos pacientes com reação hansênica pode ser tratada na rede básica, ou seja, em qualquer USF mas alguns necessitarão ser encaminhados para centros de referência. Em Lauro de Freitas, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), localizado na Avenida Bispo Renato Cunha, é a unidade especializada no atendimento de pacientes positivos para hanseníase.

Atualmente 14 pacientes com a doença estão em tratamento em Lauro de Freitas. Em média, após o diagnóstico feito por meio de avaliação ou através do exame complementar de baciloscopia, o tratamento dura de seis meses a um ano. Os pacientes retiram na própria unidade de saúde a quantidade mensal da associação de medicamentos, a poliquimioterapia. A ingestão da medicação por longos meses é um dos fatores que contribui para o abandono e irregularidade do tratamento dos portadores da hanseníase.

A enfermeira assistencialista do CTA, Jeane Figueiredo, explica que a hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo território nacional e de investigação obrigatória. Além disso, o profissional de saúde deve preencher o formulário para avaliação neurológica simplificada e classificação de grau de incapacidade física em hanseníase. “Assim que o paciente inicia o tratamento a cadeia de transmissão é interrompida.  Todo o caso confirmado para hanseníase precisa ser notificado para trabalharmos dados epidemiológicos e garantir a medicação do paciente. Todos os campos devem ser devidamente preenchidos porque os boletins epidemiológicos são fechados baseando-se nesses dados”, explica.

 

Jornalista: Giovanna Reyner

Foto: Maína Diniz



*Todos os artigos publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não expressam a linha editorial do portal e de seus editores.

MARCADO:
Compartilhe este artigo