Eleições: Providência cautelar da UNITA é aceite pelo Tribunal Constitucional

Mido dos Santos
Mido dos Santos
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Eleições: Providência cautelar da UNITA é aceite pelo Tribunal Constitucional

A Comissão Nacional Eleitoral deu a vitória ao MPLA partido que governa o poder, com 51% dos votos, e o maior partido da oposição UNITA, com 43%. Portanto o partido na oposição, afirma terem ocorrido “várias ilegalidades” e não aceita os resultados oficiais. O partido do “Galo Negro” interpôs, na passada sexta-feira, uma providência cautelar junto do Tribunal Constitucional para recontagem das actas sínteses que atribuíram vitória ao MPLA nas eleições gerais de 24 de agosto.

O Tribunal Constitucional anunciou na sexta-feira (3), que a UNITA e a CASA-CE, ambos na oposição, apresentaram recursos relativos ao processo eleitoral junto daquela instância, mas nenhum deles relativo à anulação das eleições.

“O tribunal rececionou no final da tarde de ontem [quinta-feira] duas reclamações, dois requerimentos que dão início ao contencioso eleitoral, um da UNITA e outro da coligação CASA-CE”, disse a porta-voz do TC, Aida Gonçalves.

O que diz a providência cautelar interposta pela UNITA
Na sexta-feira, o partido político requereu ao TC que fosse declarada a ineficácia das actas dos resultados definitivos e que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), fosse intimada a admitir as suas reclamações.

A providência contra a CNE refere que o mandatário da UNITA, David Horácio Junjuvili, presente na reunião de 28 de agosto onde foi aprovada a ata do apuramento nacional definitivo das eleições, “inconformado com os resultados”, quis que a sua reclamação constasse em actas, o que não aconteceu.

“Inesperadamente, foi-lhe coartado o exercício do referido direito com o fundamento, alegadamente de que era intempestiva a sua pretensão”, refere o documento, que deu entrada no TC na sexta-feira.

Na providência cautelar, a UNITA argumenta ainda que “a CNE desatendeu” o respeito pelo exercício dos direitos e liberdades fundamentais e o cumprimento dos deveres constitucionais e legais, sendo “ilegítimos e criminalmente puníveis a tomada e o exercício de poder político, com base em meios violentos ou por outras formas não previstas nem conformes na Constituição”.

Sublinham ainda que “o exercício do poder político carece de legitimidade” e que “a reclamação da UNITA sobre os resultados eleitorais, sobre os quais a CNE atribuiu incorretamente mais mandatos à candidatura do MPLA, deve ser rigorosamente atendida”.

“A não admissão da reclamação pode provocar lesão grave e de difícil reparação na esfera jurídica da candidatura da UNITA e também transversal ao próprio Estado, sendo que está aqui em causa o exercício do poder político”.

Sobre um eventual pedido de anulação das eleições, o diretor do gabinete dos partidos políticos do tribunal, Mauro Alexandre, indicou que, dos processos que deram entrada, nenhum deles faz referência em termos de pedidos formulados à anulação de eleições gerais, mas não especificou o seu conteúdo.

A UNITA exige que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), compare as actas das assembleias de voto na sua posse com as actas na posse dos partidos, contestando o facto de as autoridades não indicarem sequer os dados relativos às assembleias de voto, que permitiram a contabilidade final.



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