Comunidades de empreendedores têm papel fundamental no desenvolvimento de negócios

Ana Silva
Ana Silva
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Comunidades de empreendedores têm papel fundamental no desenvolvimento de negócios

Desenvolver uma rede de contatos sólida exige dedicação e um “faro” especial para não perder as melhores oportunidades de conexões que possam se converter em  negócios. Diante disso, muitos empreendedores sentem a necessidade de se aproximar cada vez mais de um ambiente de mútua colaboração. E assim o tema “comunidade de empreendedores” ganhou mais relevância e se fortaleceu durante a pandemia da Covid-19.

Nesta época desafiadora em que o mundo vive uma crise sanitária, muitos donos de negócios precisaram de apoio de terceiros diante das dificuldades impostas pelo coronavírus.

Hoje percebemos que novos grupos de empreendedores e empreendedoras são criados, cada um com seu modelo próprio para atender peculiaridades de seus mercados.

Entretanto, há também comunidades que reúnem representantes de diversos segmentos trocando experiências e colaborando para o desenvolvimento de ideias, muitas delas “fora da caixa”, diga-se de passagem.

Pode parecer estranho à primeira vista essa união de diferentes saberes, mas vale ressaltar que o caráter heterogêneo desses perfis consegue promover a diversidade dentro e fora dos negócios. Neste cenário, é possível que um empreendedor que tenha uma cafeteria possa sugerir soluções para problemas de uma empresa que comercializa assinaturas de bebidas, livros ou outros produtos.

Outra situação que é plausível nesse contexto é contar com uma intraempreendedora que é executiva de uma multinacional – e que já foi MEI um dia – dar uma orientação para um pequeno empresário que faz parte do mesmo grupo.

Dinâmicas de colaboração

Segundo um levantamento realizado pela Confraria do Empreendedor em novembro de 2021, o benefício que mais chama a atenção de integrantes de uma comunidade de empreendedores é o networking proporcionado dentro deste grupo.

Além de gerar novos contatos, insights e ideias de como enfrentar as dificuldades de tocar um (ou mais de um) negócio, o empreendedor adquire experiência e tem mais facilidade em colocar ideias em prática.

Contudo, se engana quem pensa que só grandes empreendedores fazem parte dessas comunidades. Em grupos em que há diversidade, empresários de grande porte se unem com microempreendedores nos encontros organizados pelos grupos. Não há distinção por tamanho de empresa ou faturamento anual

Uma possível explicação para o funcionamento de comunidades bem-sucedidas seja essa mistura de fases na jornada empreendedora.

Além do auxílio na resolução de problemas, as comunidades são responsáveis diretas por geração de negócios entre empresas. Com os encontros (presenciais ou remotos), as conversas entre empreendedores podem “dar um match” e dali sair uma parceria de sucesso, abertura de novos negócios, contratações de serviços… As possibilidades são infinitas. E as dinâmicas são ricas e fascinantes.

O conceito de comunidade genuína

As comunidades não surgem (ou pelo menos não deveriam surgir) com o intuito de lucratividade em um primeiro momento. O objetivo principal é contribuir para a consolidação de um trabalho de agregar pessoas, além de conectar e aumentar os sensos de compartilhamento e colaboração de empreendedores.

Uma comunidade de empreendedores e empreendedoras nasce tal como uma startup em fase inicial, seguindo os princípios de MVP (do inglês Minimum Viable Product, em que uma ideia é colocada em prática com o mínimo de recursos possível). Depois disso, chega uma hora que a monetização se faz mais do que necessária. Afinal, as comunidades precisam de recursos para seu funcionamento que podem vir por meio de mantenedores ou outras formas de viabilizar a sustentação desses grupos.

É um movimento natural que, à medida que o tempo passa e as conexões promovidas ganham mais qualidade, os participantes criam uma forma genuína de trocar experiências, opiniões e conhecimento. Afinal, estes são pilares fundamentais que sustentam comunidades em geral.

Colaboração leva para mais longe

Por fim, vale dizer que as experiências proporcionadas pelas comunidades colaboram para o desenvolvimento pessoal e profissional dos empreendedores. Além de conectar o maior número possível de pessoas que tem algo a compartilhar, essa troca também torna os negócios cada vez mais resistentes às “armadilhas” que estão presentes no mercado.

O desenvolvimento de ecossistemas é acelerado justamente por esta colaboração entre empreendedores. Se essas comunidades estão em alta, é porque o mercado percebeu que sozinho um empreendedor pode até “chegar lá”. Mas quando se une às pessoas certas, ele é capaz não apenas de chegar mais rápido, mas também de ir para mais longe do que suas metas iniciais previam até então.

André MainartDiogo Garcia e Natalia Lazarini, cofundadores da Confraria do Empreendedor.



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