Com a indefinição da 3ª via, Ciro Gomes (PDT) busca se consolidar na corrida à presidência da república.

Ana Silva
Ana Silva
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Com a indefinição da 3ª via, Ciro Gomes (PDT) busca se consolidar na corrida à presidência da república.

Com a recente desistência do ex-juiz Sérgio Moro na disputa ao Palácio do Planalto para concorrer a uma vaga na Câmara Federal e da indecisão de Dória, aliados de Ciro Gomes veem uma oportunidade para que ele possa se consolidar nas eleições de 2022.

Para o jornalista, publicitário e especialista em marketing e análise política, Janiel Kempers, a crise no PSDB é a principal chave de uma possível estratégia de Ciro. “Apesar de termos uma posição do PSDB nacional com relação a candidatura de Dória, existe ainda uma briga interna muito grande, que pode rachar a legenda e quebrar articulações do partido nestas eleições. Com uma legenda enfraquecida, Ciro se torna o principal nome da chamada 3ª via”, pontua.

Um fator que pode definir a escolha dos eleitores de Moro pelo novo nome do Planalto é a taxa de rejeição dos pré-candidatos. De acordo com a última pesquisa XP/Ipespe, Dória tem a segunda maior taxa de rejeição da população brasileira, com 58%, atrás do presidente Bolsonaro, com 63%.

Apesar de toda essa motivação, Janiel Kempers afirma que é preciso esperar para saber se  a 3ª via terá um nome definido. “O que vai definir se Ciro terá ou não condições de quebrar a polarização entre Lula e Bolsonaro, será o resultado de suas articulações regionais e do seu potencial em converter eleitor potencial, em eleitor fiel”, completa.

No entanto, reconheceu-se que Ciro tenha que ser mais cuidadoso ao herdar parte dos votos de Moro. Nos últimos meses, ele vem criticando duramente o ex-ministro. Agora, com a saída de Moro, a percepção é de que Ciro terá mais dificuldade em construir um discurso que agrade a esse eleitor.

Apesar da situação desfavorável, Ciro Gomes encontra em alguns números motivos para manter o otimismo, principalmente aqueles relacionados ao seu potencial de voto, que é comparável ao de Bolsonaro. Levantamento da Quaest revelou que 4% dos entrevistados conhecem e votariam no pedetista e outros 24% conhecem e poderiam votar nele, o que dá um potencial de voto de 28%. No caso do ex-capitão, os percentuais foram, respectivamente, de 18% e 13% — total, de 31%.

Foto: Miguel Schincariol/AFP 



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