As 12 práticas de acolhimento para a retomada das aulas presenciais

Ana Silva
Ana Silva
10 min. para leitura
As 12 práticas de acolhimento para a retomada das aulas presenciais

Depois de quase dois anos de pandemia e de ensino remoto, entrecortados por alguns períodos de aulas presenciais, o início do ano letivo de 2022 marca a volta de muitos estudantes e docentes para o espaço físico da escola. Neste momento de reencontro – sobretudo após várias pessoas terem vivido perdas e experiências difíceis em função da crise da Covid-19 –, o acolhimento dos alunos, dos professores e das famílias é fundamental. Para isso, o trabalho de competências socioemocionais se torna um instrumento poderoso. Essas são algumas das conclusões da equipe de especialistas da Geekie, empresa de educação que é referência internacional no uso de dados para gerar evidências de aprendizagem.

Para apoiar a comunidade escolar na elaboração de planos de acolhimento, a equipe da Geekie – com o suporte da psicóloga e neurocientista Fernanda Leite – reuniu 12 dicas.

| PARA PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS

_Levantar as necessidades da equipe | Para acolher bem os estudantes, os docentes precisam antes ser acolhidos. E para que essa acolhida seja efetiva, ela deve atender às principais demandas dos profissionais do colégio e, para isso, nada melhor do que fazer um levantamento de como eles estão se sentindo nesse retorno e entender quais são as expectativas, os receios e os desafios deles. Esse diagnóstico pode ser feito, inclusive, por meio de um formulário on-line. Uma vez identificadas as necessidades – por exemplo, alguma questão relacionada à saúde mental ou mesmo pedagógica –, pode-se pensar em ações específicas, como uma palestra ministrada por um psicólogo ou profissional da saúde; uma alternativa é criar um curso ou uma formação sobre a lacuna identificada.

_ Proporcionar escuta atenta e diálogo | Além de expressarem suas percepções por escrito, também é importante abrir espaço para que os docentes e os funcionários falem sobre as próprias vivências, emoções e perspectivas; e troquem impressões com os colegas. Isso pode ser feito em rodas de conversa, em pequenos grupos, o que também fortalece os vínculos afetivos. Garanta um ambiente respeitoso, empático e seguro, para que possam se sentir confortáveis para falar, ouvir e serem ouvidos, sem julgamentos. A leitura de um pequeno texto – ou a apresentação de um vídeo curto, com perguntas norteadoras – pode ser um disparador interessante para estimular a reflexão, sensibilizar a equipe e propiciar o diálogo.

_Realizar um encontro geral de boas-vindas | Para mostrar que a escola inteira está unida em torno dos mesmos objetivos – acolhimento dos alunos e foco no avanço da aprendizagem –, um encontro com todos os docentes para selar o início do ano letivo de 2022 e dar as boas-vindas será muito bem recebido. É importante que os professores sintam que têm o apoio da escola e o suporte entre seus pares para planejar este ano desafiador.

_Compartilhar as intervenções necessárias | Os resultados do levantamento com os professores e o registro das ideias e necessidades apontadas nas rodas de conversa podem dar origem a um documento a ser compartilhado com todos os docentes e funcionários. Assim, os profissionais ficarão a par da situação e podem se engajar e colaborar na proposição de soluções para as dificuldades relatadas.

| PARA OS ESTUDANTES

_Fortalecer os vínculos com os educadores | Estabelecer uma relação de confiança entre estudantes e professores é fundamental para criar um ambiente seguro e acolhedor, que favoreça a aprendizagem. Uma forma dos profissionais demonstrarem empatia e se aproximarem dos alunos é falarem de suas experiências e dificuldades durante a pandemia. Esse tipo de relato cria identificação e conexão com o interlocutor, estreitando os laços afetivos.

_Dar voz aos estudantes | Um ponto central para o acolhimento dos alunos é a escuta ativa: proporcionar um ambiente empático e respeitoso para que possam falar – ou desenhar, no caso das crianças pequenas – como a pandemia impactou as suas vidas e quais as expectativas para o retorno presencial. A atividade pode ser feita em rodas de conversa ou grupos, com a mediação do professor. Novamente, é essencial não julgar e acolher diferentes ideias e pensamentos dentro do coletivo, que deve ser heterogêneo e diverso.

_ Acenar com outros meios de expressão | É possível que nem todos os alunos se sintam à vontade para falar sobre acontecimentos, sentimentos e emoções que vivenciaram na pandemia – ou problemas que estejam enfrentando nesse período. Para essas situações, uma opção pode ser uma caixa de relatos ou dúvidas, em que eles descrevem uma situação ou sugerem uma temática que gostariam que fosse abordada. Não é necessário que se identifiquem. A ideia é que se leia, de tempos em tempos, os relatos e as sugestões que vão aparecendo; e que se pense, conjuntamente, em possíveis ações e soluções para lidar com a questão, exercitando habilidades socioemocionais como a empatia e a imaginação criativa.

_Propor atividades de integração | Durante a pandemia, as crianças e os jovens não puderam vivenciar a infância ou adolescência na sua plenitude. Voltar à escola significa, também, voltar a interagir presencialmente com os seus pares e fazer novas amizades. Essa experiência social é o que nos faz desenvolver e avançar nos aspectos cognitivo e emocional, por isso, é importante proporcionar brincadeiras e recreações em grupo, que vão ajudar os alunos a reativar suas amizades e a vida social.

_ Olhar para o futuro | Outra forma de promover acolhimento na escola é ensinar os alunos a ter esperança, uma visão de futuro melhor – e levar isso para suas casas. Precisamos fazer com que crianças e adolescentes se tornem multiplicadores de esperança, e uma proposta nesse sentido é montar um painel dos sonhos com os alunos. Divididos em grupos – e até mesmo com a participação de docentes e funcionários –, cada um escreve ou desenha algo referente aos seus sonhos e o que deseja para o futuro. Após a conclusão da atividade, a pessoa que está conduzindo a dinâmica mostra a diversidade de ideias, ou a proximidade entre elas, e conduz uma conversa coletiva. O painel dos sonhos de cada turma pode ser reunido e compor um grande mural, enfeitando a escola e servindo de inspiração para todos.

_ Oferecer apoio psicológico | Palestras sobre temas diversos – como a importância da resiliência, da saúde mental e do autocuidado, e atendimentos individuais, em alguns casos – podem ajudar os alunos a superar as dificuldades do período pandêmico e a se prepararem melhor para os desafios do ano que inicia.

| PARA AS FAMÍLIAS

_Abrir ou manter um canal de diálogo | Durante a pandemia, com o ensino remoto, muitas famílias se aproximaram das escolas e passaram a acompanhar mais de perto a aprendizagem dos seus filhos. O desafio agora é manter esse canal de comunicação aberto e funcionando plenamente. No início das aulas, na tradicional reunião realizada com as famílias para apresentar o projeto pedagógico da série, é preciso ouvir as preocupações e os anseios dos familiares e responder às dúvidas de forma empática e transparente. Também é importante tranquilizar pais, mães e responsáveis, mostrando todas as medidas e os cuidados que a escola está adotando para que a retomada seja segura.

_Dar atenção especial aos casos mais delicados | A pandemia provocou uma série de mudanças na dinâmica das famílias, desde a alteração da rotina até questões relacionadas à saúde física e mental das pessoas e situação financeira. Assim, muitas famílias ainda podem estar sofrendo os impactos da crise nos seus múltiplos aspectos, o que pode ter consequências no comportamento e no desempenho escolar das crianças e dos adolescentes. Para identificar os casos mais delicados e poder oferecer algum nível de apoio, o envio de um formulário on-line pode ser uma boa alternativa também.



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