Alzheimer – como ele pode nos afetar?

Ana Silva
Ana Silva
7 min. para leitura
Alzheimer - como ele pode nos afetar?

Por Dr. Marcio Rogério Renzo 

Segundo a dados oficiais, o Brasil possui cerca de 1 milhão e duzentas mil pessoas portadores  deste mal e no mundo este número deve chegar a 35,6 milhões de pessoas. Com o  envelhecimento da população mundial, esses números sofrerão aumentos expressivos chegando  aos 65,7 milhões de portadores em 2030 e em 2050 atingirá 115,4 milhões pacientes, dois terços  deste total se concentrando em países em desenvolvimento. 

É importante destacar que, segundo o GBD (Global Burden of Disease), que é um estudo  que utiliza um método sistemático para analisar perdas de saúde não fatais e para facilitar  comparações entre países e doenças mostrou que no mundo entre 1990 e 2016 os casos  de demência aumentaram cerca de 117%, colocando o Brasil em segundo lugar, atrás da  Turquia. Este estudo mostrou também que os casos de mortes também tiveram um  aumento expressivo (148%), representando cerca 2,4 milhões de mortes, sendo a quinta  causa de morte. 

A doença de Alzheimer é uma forma de demência, a mais comum na verdade, porém há  outros tipos de demência, como as em decorrências do sofrimento de pequenos infartos  em áreas específicas do cérebro que podem provocar alguns dos distúrbios, como: perda  de memória, dificuldade de orientação no tempo e no espaço, dificuldade de desenvolver  pensamentos abstratos, dificuldade de aprendizado e realização de cálculos simples,  dificuldades na linguagem, comunicação, desta forma afetando o paciente na execução  de suas atividades de vida diária. Alterações de personalidade também estão presentes,  bem como de critério de julgamento. 

As causas dessa doença ainda não foram delimitadas com exatidão, porém a idade é o  principal fator de risco. A partir dos 60 anos de idade é como os surgimento dos primeiros  sintomas, aumentando drasticamente com o passar dos anos. A cada cinco anos o número  de pacientes dobram, sendo que a menor parte dos pacientes se concentra na faixa entre  os 65 e 74 anos de idade, a partir dos 85 anos, metade dos indivíduos desenvolverão a  doença. 

Esta doença se apresenta em 4 fases: inicial, intermediária, final e terminal. 

A fase inicial caracteriza-se pela perda de memória, confusão e desorientação, ansiedade,  agitação, ilusão, desconfiança, alteração de personalidade e do senso crítico. Começam a  apresentar dificuldades de realizar as atividades de vida diária (banho, cozinhar, telefonar,  etc.). 

Na fase intermediária desponta a principal e a que geralmente leva os familiares a  procurar auxílio médico que é a dificuldade de reconhecer familiares e amigos. Outros  sintomas se intensificam mais, levando este paciente a uma dependência ainda maior. 

A terceira fase reafirma a dependência total do paciente. Nesta fase a atenção tem que ser  redobrada, pois a restrição ao leito traz diversas complicações que podem acelerar o  surgimento da fase terminal ou levar ao óbito diretamente. 

A fase terminal caracteriza-se pelo agravamento dos sintomas da fase final, além de  infecções de repetição e a disfagia (incapacidade de engolir alimentos), necessitando de  alimentação enteral. 

Como a Fisioterapia pode ajudar?? 

A fisioterapia age através de técnicas diversas como: cinesioterapia,  fotoeletrotermoterapia, buscando promover qualidade de vida, além de trazer o bem-estar  psicológico, pois ao promover ao paciente a sensação de independência estará dando mais  significado à vida e a sensação de pertencimento ao meio em que vive.  

A progressão da doença é inevitável e levará o paciente à restrição ao leito. A intensificação dos cuidados fisioterápicos, ainda que paliativos, são suma importância,  pois são responsáveis pela prevenção de infecções recorrentes causados pela imobilidade.  Outro problema detectado está relacionado ao sistema respiratório. É alto o índice de  problemas, tais como: pneumonia, pneumonia aspirativa, etc. As técnicas para higiene  brônquica, aumento da capacidade ventilatória, dentre outras são indicadas para  prevenção. 

Mas Doutor, quantas sessões tem que ser feita?  

Não há como prever quantas sessões serão necessárias para que o paciente tenha um  acompanhamento ideal, porém aconselha-se que tenham de 2 a 3 sessões por semana, mas  as atividades físicas sejam diárias. Porém se não há condições financeiras para custear o acompanhamento pelo profissional em fisioterapia, pode-se contratar um profissional  para uma avaliação e evolução a cada 3 meses, onde o profissional fisioterapeuta poderá  orientar, após a avaliação, aos familiares e cuidadores sobre quais exercícios fazer e sobre  quais cuidados devem ser adotados. 

É importante entender que cada paciente é único! Por se tratar em sua grande maioria  de pacientes idosos, conhecer limitações fisiológicas da idade é primordial para que se  atinja um resultado adequado. 

Foram comprovados através de estudos que a adoção de hábitos saudáveis ajudou muito  na prevenção do Mal de Alzheimer. Pessoas que mantinham dietas equilibradas, com  baixas quantidades de gorduras, faziam uso moderado de álcool (duas doses diárias para  homens e uma para mulheres), não faziam uso de tabaco, praticavam atividades físicas  moderadas ou intensas, mantiveram estímulos cognitivos (leitura, escrita, aprendizagem,  etc.) tiveram uma redução de quase 60% nas chances de desenvolver a doença. 

É importante diferenciar que o esquecimento de fatos diários (chaves, carteira) não quer  dizer que a pessoa esteja com Alzheimer. Essa perda de memória pode ser causada por  uma infinidade de fatores (medicamentos, depressão, distração, uso de álcool, estresse,  etc.) A perda de memória que podemos relacionar ao Alzheimer são: esquecimento de  eventos recentes, atividades, pessoas da família de forma que acabam por atrapalhar o  desenvolvimento de suas atividades diárias. Esses são fatores importantes em se observar,  principalmente em idosos. Portanto, os familiares e pessoas responsáveis pelo cuidado  com idosos devem estar atentos a esses acontecimentos.  

Não esqueça, ao sentir, ou perceber que algo não está bem, procure orientação de um  profissional habilitado!!!



*Todos os artigos publicados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não expressam a linha editorial do portal e de seus editores.

Compartilhe este artigo