ACNUR parabeniza Salgueiro pela 6º posição no Carnaval Rio 2022

Ana Silva
Ana Silva
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ACNUR parabeniza Salgueiro pela 6º posição no Carnaval Rio 2022

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil parabeniza Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro pelo desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Dentre os destaques que a escola apresentou na Marquês de Sapucaí, está a participação de 20 pessoas refugiadas de diferentes nacionalidades: Angola, Marrocos, República Democrática do Congo, Síria e Venezuela, refletindo a diversidade desta população no Brasil.

Sob o enredo da resistência, o Salgueiro brilhou na avenida do samba, levantando os punhos fechados pelos direitos dos povos negros e das minorias no Rio de Janeiro. No desfile oficial, realizado na madrugada de sábado (dia 24), 20 pessoas refugiadas representaram toda a resiliência e determinação dessa população no Sambódromo.

“Foi um sentimento único desfilar pelo Salgueiro, ao lado de outras pessoas refugiadas e tantos brasileiros, com um objetivo em comum: representar bem o samba-enredo, a comunidade do Salgueiro e as pessoas refugiadas como um todo. Sinto-me orgulho deste feito e levarei para a vida esta lembrança”, afirma Mohammed, marroquino de 36 anos e que está concluindo seu mestrado em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

As pessoas refugiadas que participaram do desfile foram selecionadas pelas Aldeias Infantis SOS Brasil e pela Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro e, organizações da sociedade civil que são parcerias do ACNUR no acolhimento, atendimento e proteção desta população no Estado do Rio de Janeiro e na capital fluminense. Desde o início de março os refugiados já passaram a fazer parte dos ensaios técnicos da escola, tendo sido muito bem acolhidos pela comissão do Salgueiro e pelos seus pares do desfile, divididas em duas alas.

“A receptividade dos componentes do Acadêmicos do Salgueiro às pessoas refugiadas foi muito atenciosa, refletindo verdadeiramente o enredo entoado na avenida pela escola. Os brasileiros que integraram as alas ao lado das pessoas refugiadas as ajudaram nos ensaios e também nos últimos ajustes da fantasia antes de entrarem na Sapucaí. É este o apoio que necessitamos da sociedade brasileira como um todo, para que os refugiados se sintam como parte dos processos que integram”, afirma José Egas, Representante do ACNUR no Brasil.

Esta mensagem de apoio aos refugiados foi endossada pelo presidente do Salgueiro, André Vaz, pouco antes do desfile oficial. “O Brasil é um país que acolhe as pessoas refugiadas, mas que precisa dar oportunidade de crescimento a todos aqueles que chegam por aqui”, afirmou.

As 20 pessoas refugiadas entrarão novamente na avenida no próximo sábado (30/04), no chamado Desfile das Campeãs, que trará as seis melhores escolas avaliadas de acordo com a avaliação dos jurados em nove categorias: alegoria, bateria, comissão de frente, enredo, evolução, fantasia, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e samba-enredo.

Além do desfile na Sapucaí, o termo de cooperação que foi firmado entre ACNUR e Acadêmicos do Salgueiro prevê o atendimento de pessoas refugiadas aos já existentes programas sociais que beneficiam a comunidade do Andaraí. O ACNUR reconhece os esforços feitos pela escola em incluir e integrar as pessoas refugiadas nas atividades desenvolvidas e para além da torcida pela escola, a Agência da ONU para Refugiados se coloca à disposição para perpetuar a parceria ao longo dos próximos meses, pois o carnaval transpassa a Sapucaí.

 



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